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Entrevista » "Não temo as nossas diferenças", diz Aécio Neves sobre comparação com Eduardo Campos Senador e presidenciável tucano concedeu entrevista ao Diario

Jairo Lima - Especial para o Diario de Pernambuco

Publicação: 09/06/2014 08:05 Atualização:

Crédito: Facebook/reprodução
Crédito: Facebook/reprodução
A vinda do senador e presidenciável do PSDB, Aécio Neves, a Pernambuco, nesta segunda-feira, para receber o título de cidadão recifense e também definir os rumos dos tucanos no estado vai ficar para depois. No fim da noite do último sábado, nasceram, prematuramente, os filhos gêmeos (Julia e Bernardo) do presidenciável com a a esposa, a modelo Letícia Weber - o parto estava previsto somente para agosto. O parlamentar fez o anúncio do nascimento dos filhos através da sua página oficial no Facebook, na manhã de ontem. Diante do quadro, a assessoria do pré-candidato adiou a agenda em Pernambuco, que terá a data redefinida em breve. Assim, a decisão do partido em apoiar ou não o pré-candidato socialista ao governo do estado, Paulo Câmara, pode ser postergada ainda mais. Uma ideia, inclusive, que agrada a boa parte do tucanos locais, que desejam empurrar ao máximo a definição para o fim deste mês, quando o cenário em Minas Gerais, onde o PSB pode não apoiar a candidatura do PSDB ao governo, já deva estar concretizado.

Em entrevista concedida ao Diario de Pernambuco, na última sexta-feira à noite, antes do nascimento dos filhos e quando sua presença era esperado no estado, Aécio Neves comentou sobre o trabalho da oposição, junto com Eduardo Campos, "para encerrar o ciclo de governo do PT", prometeu políticas públicas voltadas para o Nordeste e colocou sua administração em Minas Gerais como pilar para governar o país.

DP - O senhor conta com Eduardo Campos no segundo turno?

AN - Ambos estamos na oposição. Eu, como presidente do maior partido de oposição no Brasil, tenho que saudar a chegada de lideranças políticas, no caso Eduardo Campos e a própria Marina, no campo político da oposição, no campo daqueles que não concordam com o que está acontecendo no país. Acredito que os eleitores que hoje votam nas oposições estarão juntos no segundo turno para encerrarmos esse ciclo de governo do PT que tão mal vem fazendo ao Brasil. Mas é claro que nós temos diferenças. Se não as tivéssemos, estaríamos no mesmo partido, apoiando a mesma candidatura. É bom que essas diferenças sejam debatidas durante a campanha . Tenho dito que eu não temo as nossas diferenças, tampouco temo as nossas convergências, quando elas são boas para o país. A minha posição ontem, hoje e no futuro será de enorme respeito pela caminhada de Eduardo e pela sua trajetória política.

DP - Como evitar a presença do atual PMDB governista na base de seu governo?

AN - Nós vamos ter que buscar um novo centro, um novo núcleo de governo baseado em resultados. Por que o governo Dilma fracassou? Quando a presidente foi eleita, os brasileiros acreditaram que ela ia fazer uma grande faxina. O que ocorreu? O contrário disso. Hoje as pessoas temem perder conquistas que foram alcançadas. Temos a inflação corroendo o orçamento das famílias. A inflação de alimentos já estourou o teto da meta. Temos diariamente novos escândalos e desvios éticos. A Petrobras saiu do noticiário econômico e hoje está nas páginas policiais. A economia parou, as obras federais estão inacabadas. Ou seja, qual uso o governo federal fez da ampla maioria de partidos que mantém no Congresso? Não realizou uma reforma sequer que pudesse agora servir ao país. Proponho o que já fiz em Minas: unir forças políticas para fazer as mudanças necessárias e importantes para a população. Em lugar de um projeto de poder ou de cargos federais, o que tenho a oferecer aos aliados é um projeto de país.

DP - Existirão políticas específicas para o Nordeste no Governo Aécio?

AN - O Nordeste terá uma participação fundamental na construção do nosso programa de governo. Vamos trabalhar pela diminuição das diferenças sociais e nosso governo terá investimentos muito claros e bem feitos na região Nordeste. Vamos criar as condições para que os estados brasileiros com menor IDH possam reinvestir todo o serviço da sua dívida em saúde, educação e segurança pública. Vamos retomar todas essas grandes obras de infraestrutura, como a Ferrovia Transnordestina, a Transposição do Rio São Francisco, a duplicação da BR 101, mas com eficiência, com metas e resultados a serem alcançados e prazos para que esses avanços ocorram de fatos. Por que não deu certo até agora, mas dará daqui pra frente? Porque teremos um governo que cuidará para que os direitos já conquistados estejam garantidos e para que novos avanços aconteçam na vida real, e não apenas na propaganda oficial e enganosa do governo.

DP - Qual será o tratamento dado aos programas sociais do governo federal?


AN - O programa social do governo do PT chamava-se Fome Zero. Lembra quando foi lançado com pompa em Brasília? Ninguém ouviu falar mais nele, desapareceu. Eu nunca entendi direito a que ele se destinava e acho que tampouco aqueles que o criaram, porque ele simplesmente desapareceu. Em lugar dele, tivemos o Bolsa Família, que hoje é uma conquista da sociedade brasileira e que tem na sua origem o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. O Bolsa Família Brasil nasceu na unificação dos programas de transferência de renda adotados no governo do PSDB e quais eram eles: o Bolsa Escola, o Bolsa Alimentação e o Vale-Gás. Foi no governo FHC também que o país iniciou a implantação do Cadastro Único. Portanto, foi a fusão desses programas e esforços que deu origem ao Bolsa Família. Outro dia um senador da República, da base governista, fez uma declaração: "Olha, o candidato fulano de tal vai acabar com o Bolsa Família". A coisa mais primária e antiga da política pequena, da política atrasada, e que o Brasil não merece mais viver, é esse tipo de ataque feito para assustar e amedrontar o eleitor. Se depender do PSDB, o Bolsa Família será mantido e, mais do que isso, vamos melhorar e ampliar o cuidado com essas famílias.

DP - Quais as políticas públicas para serem desenvolvidas no combate às drogas?


AN - A omissão do governo federal na área da segurança tem sido criminosa. De tudo que se gasta no Brasil com segurança, 87% são investimentos realizados pelos estados e municípios. Em Minas Gerais, durante nosso governo, implantamos um conjunto de medidas que tornaram-se referência para vários estados, com resultados reconhecidos em todo país e internacionalmente. Integramos as áreas de investigação e inteligência das polícias no estado, implantamos programas pioneiros de proteção aos jovens e de prevenção ao crime, como o projeto Fica Vivo. Estimulamos por meio do Poupança Jovem alunos do ensino médio moradores de áreas consideradas de maior risco social.

DP - E em relação à Segurança Pública?

AN - Teremos uma política nacional de segurança, o que, hoje, o país não tem. Vamos dar as mãos aos estados e municípios no enfrentamento ao crime e na implantação de medidas vigorosas para redução da violência. Tenho o compromisso assumido de  transformar o Ministério da Justiça em Ministério da Justiça e da Segurança Pública. Também vamos dar aos recursos da segurança o mesmo tratamento dado aos recursos da saúde e da educação, repassando regularmente aos estados e municípios para que façam os investimentos necessários. Hoje o governo contingencia o dinheiro do Fundo Penitenciário e do Fundo Nacional de Segurança para fazer caixa. Apresentei anos atrás um projeto de lei que impede o represamento desses recursos, mas que a base do governo não deixa avançar no Congresso. Nós vamos construir uma política nacional de segurança pública, que passará também pela reforma do Código Penal. Defendo também a discussão sobre crimes hediondos praticados por maiores de 16 anos. Nesses casos, que significam nem 1% dos jovens presos, um juiz da Criança e do Adolescente possa decidir pelo cumprimento de pena pelo Código Penal após alcançar os 18 anos de idade. São casos extremos de um jovem que mata a namorada, posta o filme do crime no Facebook, e, aos 18 anos, hoje, está livre.

DP - Como tentar agilizar a Reforma Política?

AN - No Brasil não se faz nenhuma reforma constitucional, uma reforma que dependa de maioria constitucional, sem a ação firme do governo. Portanto, foi justamente essa vontade do governo que nos faltou ao longo dos últimos 12 anos para fazer algo essencial: a reforma política.Quem acompanha a vida política brasileira sabe que, ou nós mudamos isso com coragem,  enfrentando contenciosos e determinadas incompreensões, ou nós vamos ficar fazendo o que fez o governo do PT, rodando no mesmo lugar. Se os eleitores decidirem por mim, eu terei a coragem política que faltou o atual governo para apresentar ao Congresso essa agenda e acredito que o Congresso poderá, no início do governo, nos dar apoio para implementá-la.

DP - Como tentar agilizar a Reforma Tributária?

AN - Um dos primeiros passos de um futuro governo do PSDB é criar uma Secretaria Extraordinária para, no prazo máximo de seis meses, colocar em votação no Congresso Nacional um projeto de simplificação do sistema tributário. A reforma tributária tem que ser compreendida em dois momentos. A primeira etapa é a simplificação. Temos hoje um emaranhado de impostos indiretos, 27 legislações de ICMS, por exemplo, que impactam no custo de quem empreende no Brasil. São mais de R$ 40 bilhões que o conjunto das empresas brasileiras gastam hoje apenas para operar essa máquina, apenas para fazer andar a máquina pagadora. Acho que é exatamente esse período da simplificação do sistema tributário que nós precisaremos para que haja a abertura de um espaço fiscal para inicíarmos um processo horizontal de diminuição da carga tributária.
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