• (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Moda eleitoral » Tons amenos têm lugar cativo no guarda-roupa dos candidatos Tons claros, com predominância do branco, viram tendência no figurino dos pré-candidatos em Pernambuco e no Brasil

Josué Nogueira - Diário de Pernambuco

Publicação: 08/06/2014 08:53 Atualização: 09/06/2014 10:41

Cores berrantes foram impugnadas. Tons amenos passaram a ter lugar cativo no guarda-roupa dos pré-candidatos. Ninguém esconde a estratégia: circular com camisas claras é tendência. O uso do branco, que começou a entrar em evidência em Pernambuco na campanha de Eduardo Campos ao governo em 2006, foi intensificado desde então e chega à categoria de “febre” em 2014. Hoje divide guarda-roupas com azul celeste e rosa.

Abastecer cabides com camisas brancas foi um das primeiras missões de Paulo Câmara logo após ser escolhido para disputar o governo pelo PSB. Seu oponente, senador Armando Monteiro (PTB), tem ido pelo mesmo caminho, embora abra espaço para outras matizes, mas igualmente leves.

Na corrida ao Planalto, Eduardo levou para o plano nacional o hábito cultivado aqui. Aécio Neves, do PSDB, é mais um contaminado pela serenidade cromática. Até mesmo a publicidade não resistiu a força dessa “moda”. O PT, sinônimo de vermelho, vem empregando branco-gelo como pano de fundo das inserções. O mesmo já se vê em comerciais do PMDB, antes repletos de azuis e encarnados. Mas o que acontece para que a preferência de políticos e partidos convirja para tons brandos?

“Trata-se de uma adaptação das campanhas ao estado de espírito das pessoas. A maioria das pessoas tem desejo de paz. Publicitários e marqueteiros trabalham atendendo necessidades e desejos e há uma busca pelo fim da violência, por um mundo mais tranquilo”, afirma José Nivaldo Junior, publicitário especializado em marketing político. “Os especialistas, inteligentemente, perceberam isso e acabou-se caminhando para essa igualdade cromática”, diz. Segundo ele, diante da similaridade das cores, as diferenças entre os concorrentes serão evidenciadas por meio de discurso e da capacidade de gerar esperança. “Eles (os marqueteiros) deverão buscar outras formas de particularizar seus candidatos”.

Mestre e doutora em percepção visual da cor pela USP, Lilian Ried reforça que a presença do branco aponta para uma tentativa de expressar renovação, pureza ou, quem sabe, algo sem mácula. “Provavelmente eles (os políticos) vêm sendo orientados a adotar o branco para externar essa sensação. Branco é sempre visto como recomeço”, comenta. Por sua vez, o azul, de acordo com a especialista, é a cor preferida atualmente no Ocidente. “O azul claro não tem conotação negativa alguma”, afirma Lilian, professora do Instituto Universo da Cor, em São Paulo. “Azul é politicamente correta”, define, acrescentando que a simbologia das cores está relacionada à epoca em que elas são usadas. “Os cientistas dizem que depende das associações que se quer fazer, do contexto histórico e das influências que sofrem”. Quer dizer, por todo o assombro provocado pela violência diária, o momento é dos tons brandos.

 

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.