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Eleições e Economia » Ex-presidente Lula rebate críticas e cobra mais crédito

Publicação: 07/06/2014 12:03 Atualização:

Diante da desacelaração da economia e seus reflexos nas eleições, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou ontem do governo estímulos ao consumo. Durante seminário realizado em Porto Alegre, ele aproveitou a presença do secretário do Tesouro, Arno Augustin, para dar sua receita de combate à estagnação.

“Arno, um dia você vai ter que me explicar: se a gente não tem inflação de demanda, por que estamos barrando o crédito?”, provocou. Em seguida emendou: “Não temos que ter medo. Acho que temos que ficar um pouco mais afoitos agora. Só seguir a rotina técnica não dá mais certo”. “O crédito melhora a vida de todo mundo. Podemos chegar a 80% do Produto Interno Bruto (PIB) para crédito, 90%, não tem problema nenhum”, ressaltou.

Num recado mais direto aos bancos públicos, pediu que colocassem “um pouco do charme do compromisso social para a gente melhorar um pouco a situação”. “Se depender só do pensamento do Arno, você não faz nada, mas não é por maldade, não. Um tesoureiro de um sindicato também é assim”, observou.

Superavit primário
Em defessa de seu legado, o ex-presidente lembrou que, desde 2008, o Brasil fez, na média anual, um superavit primário, a economia para pagar juros da dívida pública, de 2,58%. “Ninguém faz superavit como o Brasil. É o melhor desempenho entre todos os países do G-20 (grupo que reúne os 20 maiores mercados)”, sublinhou ele, acrescentando que não faltam recursos para os investimentos.

“E por que não tem investimento? Não tem porque o país não quer vender nada. Se está diminuindo a demanda, por que vou investir? Se tem dinheiro à vontade para investir, mas não tem gente para comprar, não vou fazer”, explicou.

Lula considerou o atual “mau humor” do mercado financeiro em relação à economia brasileira como fruto de uma “disputa ideológica”. Para ele, a possibilidade de o PT vencer a eleição presidencial de outubro “incomoda muita gente”, insistindo no discurso de luta de classes, moldado para a atual campanha.

Imprensa
O principal cabo eleitoral do país criticou ainda a imprensa pelas notícias negativas em relação à economia, pois elas não teriam “lógica nem explicação, a não ser a necessidade de não informar corretamente a população”. Na sua avaliação, a grande mídia se mostra preconceituosa contra a presidente. “Esperar que a nossa gloriosa imprensa informe corretamente as coisas é querer demais. Se depender dela, o Brasil acaba todo o dia”, criticou.

Sobre as comparações mais recentes feitas entre Brasil e México, favoráveis ao país da América do Norte, Lula assegurou que a economia brasileira ainda é mais competitiva. “O México foi apresentado como a grande novidade do século 21, melhor que o Brasil. Era mentira. Não há nenhum indicador comparável aos nossos”, resumiu.

Por fim, o ex-presidente recomendou a Augustin a criação de um fundo de comércio exterior no valor de US$ 2 bilhões para incentivar o fluxo bilateral com a África. Ele apontou a indústria automotiva brasileira como uma das mais beneficiadas pela medida. Segundo ele, as montadoras deveriam se comprometer a produzir para o mercado africano, atendido hoje basicamente pelos países asiáticos e pela Alemanha.

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