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Ditadura » Jornalista Cid Benjamin lança livro de memórias

Andrea Cantarelli - Diario de Pernambuco

Publicação: 04/06/2014 22:08 Atualização:

"Gracias a la vida, memórias de um militante", livro de Cid Benjamin, foi lançado nesta quarta-feira (4) na Faculdade de Direito do Recife. Durante o evento organizado pelo PSol, foi realizado um debate com Antonio Campos, presidente da Associação Pernambucana de Anistiados Políticos; e Bruno Galindo, professor da UFPE e pesquisador da ditadura.

O livro conta a história das experiências de Cid durante o exílio no Chile e faz reflexões sobre o período da ditadura militar no Brasil. Cid contou que o título do livro foi escolhido tanto pelo modo como ele vê a vida como pelas lembranças fortes que ele tem da visita de sua mãe no Chile. "Minha mãe chegou para me visitar e ficou espantada com as condições que eu estava vivendo, e ainda mais porque eu estava sempre tocando violão e cantando a música Graças a la vida, agradecendo o fato de estar vivo".

Para o autor, a importância do livro, enquanto memória da época da ditadura, permite ao país conhecer a verdade para que a história não se repita, além do repúdio ao período. "No livro, não me coloco como vítima e não tento agradar ninguém. Explico o que acho e também faço muitas autocríticas", contou Cid.

Ele fazia parte da militância do MR8 que organizava sequestros com objetivo de soltar outros presos durante a ditadura. Cid foi preso em 1970, mas foi solto rapidamente porque um embaixador alemão foi sequestrado e como o nome de Benjamin estava na lista, ele foi solto. "Em plena copa do mundo, já segui clandestino para o Chile".

O escritor Antônio Campos, presente no lançamento, fez uma análise critica e disse que "o mais importante é refletir sobre os erros e acertos cometidos no passado. São realizados Muitos debates mas estamos muito atrasados e as críticas  às escolhas que foram feitas no passado só começaram agora". Ele acredita que a esquerda errou muito e não fez e ainda não faz uma reflexão critica necessária para acontecer uma mudança real.

"A ideia de enfrentar a ditadura era um movimento afastado da população, e perdemos a propaganda para a ditadura. Só com os movimentos das massas e a conscientização política do povo, pode se fazer alguma mudança real. A esquerda ajudou a jogar na lata do lixo a nossa história e não existe nenhuma reflexão autocrítica sobre suas ações", completou Campos.

O professor Bruno Galindo lembrou que a redemocratização do Brasil foi uma das piores que existiram. "Hoje estamos vivendo um momento importante da democracia, uma oportunidade de conhecer a verdade a partir dos trabalhos realizados pela Comissão da Verdade, mas ainda existem muitas questões para se repensar no atual regime democrático".

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