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Revisão da Lei de Anistia » Luiza Erundina diz que Arraes pensaria diferente de Eduardo Campos

Tércio Amaral

Publicação: 04/06/2014 16:13 Atualização: 04/06/2014 16:39

Apesar de discordar de Campos sobre revisão da legislação, Luiza Erundina foi uma das maiores defensoras da candidatura presidencial do pernambucano pelo PSB. Foto: Carlos Moura/CB/D.A Press
Apesar de discordar de Campos sobre revisão da legislação, Luiza Erundina foi uma das maiores defensoras da candidatura presidencial do pernambucano pelo PSB. Foto: Carlos Moura/CB/D.A Press

Conhecida pela militância na área dos direitos humanos, a deputada federal de São Paulo Luiza Erundina (PSB) criticou as declarações de seu correligionário e pré-candidato à Presidência da República, o ex-governador Eduardo Campos, sobre a revisão da Lei de Anistia. Em declarações e artigos na última semana, Campos se posicionou contra a revisão da lei e disse que a anistia foi para os “dois lados”. As informações são do jornal O Globo.

“Não concordo com as declarações dele. Ele está equivocado. Todos conhecem minha posição. Luto pela busca da verdade e da memória e pela punição aos responsáveis por essas atrocidades. Não posso aceitar que a anistia foi para os dois lados, como o Eduardo disse”, argumentou a deputada.

Luiza Erundina teve o nome cogitado como candidata ao governo de São Paulo, algo defendido pela pré-candidata a vice-presidente Marina Silva. Possibilidade que foi rejeitada pela própria deputada, considerada uma das principais lideranças do PSB em São Paulo. No estado, Erundina, assim como Marina, é contrária à composição do partido com o PSDB, do governador Geraldo Alckmin. Ela, aos 79 anos, deve concorrer à reeleição na disputa deste ano. 

A deputada é autora de um projeto que prevê justamente a revisão da Lei de Anistia, aprovada em 1979. A proposta prevê a apuração dos crimes cometidos pelos militares durante o regime (1964-1985), principalmente os casos de tortura, que não estariam prescritos e são considerados internacionalmente como “crimes imprescritíveis”.

“A lei não pacificou os dois lados, não. É preciso saber toda a verdade e processar os responsáveis. Sobretudo os que cometeram esses crimes. Não concordo quando ele diz que isso. Um lado (dos opositores da ditadura) já foi processado, condenado, preso, desaparecido e morto. Todos esses já pagaram muito caro. Não tem dois lados, não. Não dá para defender a impunidade. Tem que concluir esse processo da volta à democracia”, completou Erundina.

Eduardo Campos chegou a declarar a Lei da Anistia foi para os dois lados, ou seja, os militantes de esquerda e para os militares. Campos, que chegou a mencionar o exílio do seu avô, o ex-governador Miguel Arraes, disse que não era hora de alimentar “revanchismo”.

“O Miguel Arraes passou por tudo isso. Foi uma vítima da ditadura. Ele pensaria o contrário, de outra forma do neto”. Perguntada se iria debater o assunto com Campos, a deputada soltou: “Não tenho muito acesso, ainda mais para discutir esse tema. Sou meio isolada”.

Anistia em Pernambuco - Criada pelo ex-governador Eduardo Campos, a Comissão da Verdade de Pernambuco busca, justamente, a revisão da Lei da Anistia. O colegiado trabalha, por exemplo, para tentar solucionar juridicamente o caso do padre Antônio Henrique, morto em 1969, após ter sofrido tortura. Alguns responsáveis pela morte do religioso ainda estão vivos e a família ainda espera a solução do caso nos tribunais.

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