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Copa » Dilma diz que, mesmo presa, torceu pela Seleção A presidente Dilma Rousseff defendeu em uma entrevista ao jornal The New York Times a Copa do Mundo no Brasil e afirmou ao diário norte-americano que, mesmo na época do regime militar, em que esteve em uma prisão em São Paulo, seguiu com interesse e torceu para a seleção brasileira durante a Copa de 1970.

AE

Publicação: 04/06/2014 11:18 Atualização: 04/06/2014 11:45

Dilma afirmou que naquela momento, muitos brasileiros que se opunham ao regime militar questionavam se apoiar a seleção brasileira não seria uma forma de fortalecer os militares. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR (Roberto Stuckert Filho/PR)
Dilma afirmou que naquela momento, muitos brasileiros que se opunham ao regime militar questionavam se apoiar a seleção brasileira não seria uma forma de fortalecer os militares. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A presidente Dilma Rousseff defendeu em uma entrevista ao jornal The New York Times a Copa do Mundo no Brasil e afirmou ao diário norte-americano que, mesmo na época do regime militar, em que esteve em uma prisão em São Paulo, seguiu com interesse e torceu para a seleção brasileira durante a Copa de 1970.

O Times dá destaque, logo no início da entrevista publicada na edição desta quarta-feira do jornal, ao fato de que Dilma raramente faz declarações públicas a respeito de sua prisão. Sobre esta época e a Copa do Mundo, então realizada no México, Dilma afirmou que naquela momento, muitos brasileiros que se opunham ao regime militar questionavam se apoiar a seleção brasileira não seria uma forma de fortalecer os militares. "Eu não tive esse dilema", disse Dilma ao Times, destacando que a resistência em torcer para Brasil se dissipou e ela e seus companheiros de prisão acompanharam o torneio.

Dilma falou em Brasília por cerca de uma hora com o correspondente do jornal norte-americano no Brasil, Simon Romero. Ela declarou que apenas uma "pequena minoria" é contra a Copa no País e defendeu empréstimos de bancos públicos para financiar os estádios da competição.

Além da Copa, Dilma ressaltou ao Times a redução nos últimos anos da desigualdade social no Brasil e elogiou o trabalho do economista do momento, o francês Thomas Piketty, que no livro "Capital" discute o aumento da desigualdade. "Acho que ele (Piketty) fez um trabalho fantástico", afirmou. A presidente disse que no Brasil ocorreu melhora da distribuição de renda, enquanto nos EUA e em partes da Europa e situação se deteriorou. A presidente comparou o avanço social recente no Brasil ao da Espanha após a morte do ditador Francisco Franco, em 1975.

Dilma ressaltou ao Times que com a melhora da distribuição de renda no Brasil, surgiram outras demandas e desafios das pessoas. Ela citou, por exemplo, o crescimento das viagens aéreas enquanto os aeroportos precisam de novos investimentos. Por isso, ela diz entender a insatisfação dos brasileiros ao protestar contra serviços de má qualidade. "Os serviços cresceram menos que a renda", disse ela.

Ainda sobre a Copa, Dilma reforçou que o evento oferece uma oportunidade de o Brasil reforçar sua posição em escala global. A presidente também disse que planeja se encontrar com o vice-presidente dos EUA, Joseph Biden, que vai ao País este mês assistir a uma partida da seleção norte-americana.

Dilma destacou ainda que está preparada para reaquecer as relações entre Brasília e Washington, desgastadas por conta das denúncias de espionagem da Casa Branca no Brasil. Dilma disse que está preparada para considerar o reagendamento da visita que faria em Washington em outubro do ano passado e que foi cancelada em meio às denúncias, feitas pelo ex-funcionário da inteligência dos EUA, Edward Snowden.

Na parte final da entrevista, Dilma falou sobre Cuba e os investimentos que o Brasil tem feito na ilha. Ela afirmou ainda que espera que o Brasil continue aumentando seu poder diplomático e econômico na América Latina.

O Times cita ainda questionamento feito à presidente sobre a lei da anistia, que permite que as pessoas que torturaram Dilma na prisão continuem livres. Dilma disse ao jornal que como presidente, respeita a norma, apesar de sua visão pessoal diferente. "Eu não acredito em vingança, mas também não acredito em perdoar", disse ela. "É extremamente importante para o Brasil saber o que aconteceu, porque isso significa que não acontecerá de novo."

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