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Distanciamento » Lua de mel entre Aécio e Eduardo durou menos do que se esperava Estratégia usada por Campos para não perder votos é não vestir a roupa de "antiLula". Aécio acredita que socialista se afastou por conta de seu crescimento nas pesquisas

Agência O Globo

Publicação: 29/05/2014 09:14 Atualização:

A lua de mel que estava sendo vivida entre os dois principais candidatos da oposição, Eduardo Campos e Aécio Neves, acabou. O distanciamento dos dois nas pesquisas de intenção de votos do último mês levou a uma reorientação de rumos por parte da campanha de Campos, que, em conversas informais, não poupa críticas ácidas à campanha de Aécio e até diz que o tucano perde no segundo turno.

A mudança de humor teve como marco inicial o episódio do fórum de empresários em Comandatuba, onde Aécio irritou Campos e sua vice Marina ao insinuar que os dois estariam ao lado dele em 2015. Os socialistas consideram que o empresário João Dória, organizador do evento, armou uma situação para beneficiar Aécio perante os empresários, dando ao tucano o dobro de tempo que o recebido por Campos. A insatisfação ficou clara em um desabafo que Campos fez recentemente a interlocutores considerando a atitude de Aécio "uma deselegância sem tamanho".

Agora, Campos tem como frente de ataque se diferenciar de Aécio ressaltando avanços dos governos Lula e FHC e focando suas críticas apenas na presidente Dilma. O propósito do afastamento de Aécio tem um objetivo maior: firmar a imagem de terceira via, com projetos diferentes, para conquistar não apenas tradicionais adversários do governo, mas parte dos 15 milhões de votos de eleitores, segundo estimativas dos socialistas, que reconhecem conquistas do governo Lula, mas que não são petistas.

Campos considera que, ao exaltar sua parceria com o ex-presidente, do qual foi ministro, não terá como ser contaminado pelo voto antilulista. E minimiza o ataque dos petistas que o chamam nas redes sociais de "traíra", por ter rompido com Dilma.

Campos tem se dedicado intensamente a analisar pesquisas feitas pelos marqueteiros Diego Brandy e Antônio Lavareda. Nessas avaliações, o ex-governador considera que vai começar a deslanchar e até passar Aécio, quando, nas pesquisas, aparecer como melhor colocado que o tucano num eventual segundo turno.

Mas a estimativa é que isso só ocorra a duas semanas das eleições, após um mês de programa eleitoral na TV. Assessores citam que isso ocorreu em sua primeira eleição em Pernambuco, em 2006. E sua prioridade, na campanha, é viajar para cidades do interior do Nordeste e de São Paulo.

Os socialistas apostam que serão beneficiados em São Paulo por um suposto ressentimento de José Serra e Geraldo Alckmin com Aécio. Segundo um integrante do PSB, Alckmin teria ido 14 vezes a Minas Gerais como candidato a presidente em 2006 e em nenhuma Aécio estava presente.

Já Aécio tem evitado dar qualquer declaração que melindre Campos, mesmo depois da decisão do PSB de romper o acordo em Minas Gerais e lançar a candidatura do deputado Júlio Delgado ao governo do estado para enfrentar o tucano Pimenta da Veiga. O tucano diz que respeita e vai continuar respeitando Eduardo Campos.

No PSDB, o afastamento de Campos só tem uma explicação: o crescimento de Aécio nas pesquisas e a necessidade de o socialista tentar se distanciar para marcar um projeto próprio, de olho nos votos da esquerda não dilmista. Sobre o acontecimento em Comandatuba, Aécio tem dito que foi mal interpretado por Campos e Marina. Em conversas reservadas, o tucano comenta que, como Campos tinha dito que queria afastar as raposas políticas, ele precisaria de apoio do PSDB para governar, caso eleito.

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