• (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Ditadura militar » Alemã expõe detalhes golpe de 1964 em Pernambuco em site

Tércio Amaral

Publicação: 26/05/2014 11:49 Atualização:

Uma experiência traumática na infância dentro da Alemanha Oriental, o lado comunista e ditatorial do país, levou a historiadora alemã Sara Fremberg, de 34 anos, desenvolver uma crítica extensiva aos regimes de exceção. Depois de algumas viagens ao Brasil, entre os anos de 2005 e 2006, ela notou que em terras tupiniquins havia um silêncio sobre o último regime militar, cujo início começou num golpe que completou 50 anos no último mês de março. “Notei que existia um esquecimento sobre o período e me interessei em pesquisar”, comentou. O resultado desse trabalho, que ainda está em andamento, foi consolidado no site “Memória e Verdade em Pernambuco” (www.memoriaeverdade.com), que entrou no ar na semana passada.

A publicação conta com versões em português e alemão. A historiadora, que é assessora da Anistia Internacional, finalizou o conteúdo nas suas férias do órgão. O conteúdo é bem didático, mostrando, através de galerias de imagens, espaços como a sede do Destacamento de Operações e Informações (DOI-CODI) no Centro do Recife, hoje sede do Hospital do Exército. O espaço foi utilizado como centro de tortura, sobretudo, nos anos 1970. No site também há entrevistas com lideranças políticas de oposição ao regime, como Edival Nunes Cajá.

“No Brasil, não houve muitos mortos como em outras ditaduras na América Latina. Por isso que ficou com um selo de que não era uma ditadura de verdade. Na Alemanha, a ditadura comunista também não teve milhares de mortes como na Argentina”, polemiza Sara, ao relatar que, por ser considerada “branda”, a ditadura brasileira (1964-1985) não teve o devido espaço de discussão na sociedade. Além dessas “semelhanças”, pelo menos no quesito perseguição, a historiadora também revela algumas diferenças nos dois países.

“Não dava para você viajar na Alemanha só com permissão. Outro ponto era que, se você quisesse estudar e alguém denunciasse você como contrário ao partido, você não entraria na universidade”, completa, antes de entrar em uma nova polêmica. “Aqui a tortura era mais física. Na Alemanha, mais psicológica”. Com formação em universidades alemãs e francesas, Sara toca num ponto primordial. Na Alemanha, houve uma abertura, segundo ela, mais clara em relações aos arquivos da ditadura. “Tem uma instituição sobre essa época, e os políticos que estavam aliados não conseguiram mais voltar”, atesta.

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.