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Eleições de 2014 » Deputados estaduais de Minas tentam fazer "herdeiros" na Assembleia Deputados escolhidos por cerca de 8% dos eleitores do estado no último pleito deixam a Assembleia para migrar para o Executivo ou para a Câmara

Juliana Cipriani -

Publicação: 26/05/2014 08:29 Atualização:

Dezessete das cobiçadas cadeiras da Assembleia não serão disputadas pelos bem votados deputados que as conquistaram nas eleições de 2010. Objetivo agora é transferi-las para aliados. Foto: Glaydson Rodrigues/EM/D.A. Press
Dezessete das cobiçadas cadeiras da Assembleia não serão disputadas pelos bem votados deputados que as conquistaram nas eleições de 2010. Objetivo agora é transferi-las para aliados. Foto: Glaydson Rodrigues/EM/D.A. Press

Mais de um milhão de eleitores dos deputados estaduais que conquistaram vagas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais há quatro anos estão órfãos em outubro. Equivalentes a cerca de 8% do eleitorado mineiro, que contabiliza cerca de 15 milhões de títulos registrados, eles terão de procurar outro candidato porque os seus “eleitos” resolveram migrar para o Executivo, concorrer a uma vaga em Brasília ou simplesmente deixar a política. Na lista estão donos das maiores votações no estado que, juntos, conquistaram a preferência de 1.205.403 eleitores.

Mais votado entre os eleitos para a Assembleia, o deputado estadual Dinis Pinheiro (PP), que hoje preside a Casa, vai concorrer a vice-governador na chapa do candidato tucano ao governo, ex-ministro das Comunicações Pimenta da Veiga. Em 2010, quando concorreu pelo PSDB, ele teve 159.422 votos para deputado estadual. Sem Dinis da disputa, espera-se que pelo menos uma parcela desse eleitorado opte pela irmã do parlamentar, Ione Pinheiro, que concorrerá pelo DEM.

O segundo mais votado na lista, eleito com 106.519 votos, foi o ex-deputado Mauri Torres, que agora é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Como Dinis, ele também tenta transferir o prestígio nas urnas para o filho, Tito Torres (PSDB). Outro que virou conselheiro e deixa uma marca expressiva de 80.419 votos disponíveis é Doutor Viana, que em 2010 conquistou uma cadeira na mesma coligação dos tucanos pelo DEM.

O secretário do PSDB de Minas Gerais, deputado Carlos Mosconi, que também vai liberar os 79,7 mil votos de 2010 para tentar conseguir uma cadeira na Câmara dos Deputados, pretende distribuir a votação. O parlamentar disse que optou por apoiar alguns nomes da base aliada ao PSDB em vez de tentar transferir todos os votos para algum tucano. “É até algo que o PSDB precisa reavaliar, temos tido a política de valorização das alianças, que acho correta, mas depois das eleições precisamos pensar em um programa para o crescimento do PSDB”, disse. Mosconi listou parcerias com nomes do PMN e PTB, além do PSDB.

Outro que optou por pulverizar o apoio do eleitor é o deputado Tenente Lúcio (PDT), que tinha 49,2 mil votos em 2010 e agora tenta ampliar o número para se eleger para uma cadeira em Brasília. “Nós dobramos com vários outros estaduais, vão ser umas oito ou 10 dobradas”, conta.

Por motivos diferentes, os mais votados do PMDB também não terão seus números disponíveis nas urnas. O ex-vice-presidente da Assembleia, José Henrique, que na sua última eleição foi dono de 93.622 votos, faleceu em agosto. Outros dois dos preferidos dos eleitores do PMDB, Antônio Júlio e Bruno Siqueira, trocaram o Legislativo por cadeiras no Executivo, deixando respectivamente 59.739 e 68.437 votos.

Nos bastidores, comenta-se que as bases de Zé Henrique, nas regiões do Vale do Rio Doce e Leste mineiro, devem ficar com a cunhada dele, Celise Laviola. O deputado federal João Magalhães, que desta vez concorre à Assembleia, também estaria capitalizando uma fatia do eleitorado de Zé Henrique, já que fazia dobradinhas com ele enquanto concorria à Câmara. Já o prefeito de Pará de Minas, Antônio Júlio, deve distribuir boa parte de sua cidade para o colega Ivair Nogueira. O prefeito de Juiz de Fora, Bruno Siqueira, estaria apoiando o vereador Isauro Calaes (PMN).

Para a deputada Luzia Ferreira, mais votada do PPS na eleição passada, o trabalho será manter os 50.620 votos na legenda. Ela iria apoiar o vereador Ronaldo Gontijo, de quem foi colega na Câmara Municipal, mas ele declinou de concorrer há cerca de 15 dias. “Com isso, tem o ex-secretário de Saúde Antônio Jorge e estamos discutindo também com o Tiago Cota (filho do prefeito de Mariana Celso Cota) e o Fabiano Tolentino”, contou.

O ex-deputado Délio Malheiros (PV), atual vice-prefeito de Belo Horizonte, também é fiel à legenda. “Os votos vão ser de quem correr atrás, mas em alguns casos estou dando apoio a candidatos do partido. Pelo perfil do meu eleitor, que é de BH, indico o vereador Sérgio Fernando, que é advogado e militante verde, um perfil próximo ao meu”, disse. No interior, Malheiros pretende transferir parcela dos seus 62,8 mil votos para Tiago Ulisses, “por sua visão municipalista.”

Já o deputado Jayro Lessa (DEM), que deixa a cadeira na Assembleia para voltar a ser somente empresário, não dá colher de chá. Os 54,5 mil votos que o deixaram na primeira suplência na coligação dos mais votados, como Dinis e Mauri, serão de quem trabalhar por eles. “Não tive essa preocupação de passar para ninguém, porque acho que o voto é meu e o pessoal já tomou tudo que eu tinha. Política é assim, um tirou o pé o outro coloca”, afirmou. Parte dos votos, que são espalhados em diferentes regiões, ele acredita terem ficado com João Magalhães.

Quociente
eleitoral

Nem sempre um candidato bem votado se elege para o Legislativo. E a culpa disso é do sistema adotado no Brasil para as cadeiras de vereador, deputado estadual e federal, conhecido como “proporcional”. A regra é que primeiro computa-se o voto de cada partido ou coligação para então partir para a lista de votação dos candidatos. Ou seja, primeiro é preciso saber qual o número mínimo de votos para que cada partido ou coligação conquiste uma cadeira, o chamado “quociente eleitoral”. Ele é definido pela soma do número de votos válidos dividido pelo número de cadeiras em disputa. O saldo dessa conta corresponderá ao número de cadeiras a serem ocupadas. Definidas as vagas de cada partido ou coligação, verifica-se a ordem de votação dentro de cada agremiação. Os mais votados ficam com as vagas. 


 

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