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Eleições » Jovens votantes, mas descrentes nos políticos

João Vitor Pascoal - Diario de Pernambuco

Publicação: 18/05/2014 10:00 Atualização: 17/05/2014 15:35

Durante o recadastramento biométrico realizado em vários municípios pernambucanos, entre eles o Recife, até o último dia 7 de maio, mais de 2 milhões de eleitores se recadastraram. Desse total, pouco mais de 8 por cento é composto por jovens com idades entre 16 e 18 anos que, por meio da biometria, tiraram o primeiro título de eleitor. Dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), referentes às últimas eleições, apontam que, entre esses jovens, quase todos que tiram o título comparecem às urnas. Porém, apesar da presença maciça, eles estão inseridos em um universo sem identificação com seus representantes.

Para o mestre em Comunicação e doutor em História Cultural pela Universidade de Brasília(UNB), Aylê-Salassié Quintão, há um problema muito grande de identidade entre esse público e os candidatos. "Existe a rejeição às eleições como um todo. Os jovens não enxergam os polítcos com bons olhos, por conta do histórico de corrupção e ineficácia", destaca. "É um voto incerto, nenhum político pode contar com esses votos", completa.

A estudante de logística Rafaela Gomes, 18 anos, é um exemplo dessa fatia do eleitorado. Ela corrobora com o cenário apontado por Aylê-Salassié, e considera a corrupção um fator de descrédito no cenário político. "A corrupção chegou a um ponto em que parece não ter como fugir. A genta sabe que muita gente está envolvida, então, quando aparece algum que parece querer modificar, a gente pensa que ele participa ou fecha os olhos para a corrupção", justifica.



Participante das manifestações de junho passado, ela votará pela primeira vez este ano, mas não se sente representada por quem ocupa o poder. "Ainda não tenho candidato certo, estou estudando propostas dos candidatos. Porém, se nenhum for de acordo com o que acredito, votarei nulo", enfatiza.

Essa maneira de pensar é compartilhada por vários outros jovens, por conta do forte sentimento de desconfiança direcionado aos políticos de maneira geral. Isso ficou evidenciado também nas manifestações de junho, quando qualquer símbolo que fazia referência a partidos políticos era expulso das manifestações.

As manifestações, inclusive, são apontadas como um dos fatores que mudaram o "patamar de importância" dos jovens diante do olhar dos políticos para as
eleições. Entretanto, diante desta situação, a preocupação maior entre os políticos foi neutralizar os atos. "Eles estão mais interessados em absorever
e anular as demandas desses atos do que atendê-las de fato. Pouca gente no congresso, por exemplo, tem condições de absorver e resolver essas demanda",
ressalta Aylê-Salassié.

Outro ponto desse cenário que se desenha entre a juventude e as eleições é a falta de conhecimento sobre o processo eleitoral, e a falta de uma "cultura política". "Confesso que o que me afasta da política é minha falta de conhecimento na área. E falta de procura de minha parte, o que devo mudar, principalemte agora que votarei pela primeria vez", relata a estudante de design Luana Moreira.

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