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Defesa » Alheio aos protestos, ex-presidente Lula associa críticas à Copa do Mundo a ano eleitoral

Tércio Amaral

Publicação: 15/05/2014 09:50 Atualização: 15/05/2014 10:09

Foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press
Foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press

O ex-presidente Lula (PT) saiu em defesa da realização da Copa do Mundo no Brasil no próximo mês. Em artigo publicado na versão brasileira do jornal El País nesta quinta-feira (15), o petista declarou que a população apoiou a ideia e venceu o “preconceito elitista” dos que dizem que um evento deste porte é “coisa de país rico”. O petista também condenou as críticas surgidas em período eleitoral. “À medida que se aproxima a eleição presidencial de outubro, os ataques ao evento tornam-se cada vez mais sectários e irracionais”, destacou. A publicação surge no mesmo dia em que 17 protestos contra à Copa do Mundo são convocados no país.

Confira o artigo na íntegra clicando aqui

“O país de hoje é mais próspero e equitativo do que era há seis décadas. Entre outras razões porque a nossa gente libertou-se dos preconceitos elitistas e colonialistas e passou a acreditar em si mesma e nas possibilidades do país”, disse em referência à Copa de 1950. A opinião do petista esconde, em parte, a preocupação de alguns setores do Planalto sobre os protestos e sua repercussão negativa durante o mundial no projeto de reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). As críticas giram em torno, também, de governos estaduais onde os jogos serão realizados. Boa parte das obras de mobilidade urbana, elaboradas no PAC da Copa, ainda não foram concluídas.

Recentemente, a revisão de alguns contratos elevou ainda mais os gastos do país na organização da Copa do Mundo. Em 2007, quando o país foi escolhido para sediar o torneio, a previsão era de um custo de R$ 2,5 bilhões, bancado na maior parte por meio de financiamento privado. Sete anos depois, já foram consumidos R$ 9,1 bilhões, 94% deles financiados pelo erário público e com o financiamento do BNDES. De acordo com informações da revista Veja, uma mudança há três meses do evento elevará os gastos em mais R$ 400 milhões. Isso porque o estado deve financiar estruturas provisórias nas arenas, como área vip e centro de imprensa. Os gastos se aproximam dos R$ 10 bilhões.

Ao defender a realização do evento no país, Lula também recorreu às suas lembranças da adolescência. O ex-presidente relatou que durante a Copa de 1958, na Suécia, quando o Brasil ganhou seu primeiro título mundial, ele sonhava em ser jogador de futebol e não presidente da República. “Eu tinha doze anos, e juntei um grupo de amigos para ouvirmos a partida final num campinho de várzea com um pequeno rádio de pilha. (…). Ela nos transportava como num tapete mágico para dentro do Estádio Rasunda de Estocolmo. E ali não éramos apenas espectadores, mas jogávamos… Eu sonhava em ser jogador de futebol, não presidente do Brasil.

Confira alguns trechos do artigo

“E talvez nenhum outro país do mundo tenha a sua identidade tão ligada ao futebol quanto o Brasil. Ele não foi apenas assimilado, mas, de alguma forma, também transfigurado pela ginga e pela mistura de raças brasileiras. Nos pés de descendentes de africanos ganhou um novo ritmo, beleza e arte. Durante muitos anos, foi um dos poucos espaços, junto com a música popular, em que os negros podiam mostrar o seu talento, enfrentando com alegria libertária a discriminação racial. Não é por outra razão que o futebol e a música são muitas vezes a primeira coisa que um estrangeiro lembra quando se fala do Brasil.”

“É esse novo Brasil que vai sediar a Copa. Um país que já é a sétima economia do planeta e que, em pouco mais de dez anos, tirou 36 milhões de pessoas da miséria e levou 42 milhões para a classe média. É o país com as taxas de desemprego mais baixas da sua história. Que, segundo a OCDE, entre todos os países do mundo, foi um dos que mais aumentou nos últimos anos o investimento em educação. Um país que se orgulha de todas essas conquistas, mas não esconde os seus problemas, e se empenha em resolvê-los.”

“A nossa seleção foi a única a participar de as 19 edições da Copa do Mundo e sempre fomos muito bem recebidos nos outros países. Chegou a hora de retribuir com hospitalidade e alegria tipicamente brasileiras. A procura de bilhetes tem sido forte, com pedidos de mais de 200 países. Esta é uma oportunidade extraordinária para milhares de visitantes conhecerem mais profundamente o que o Brasil tem de melhor: o seu povo.”

 

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