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Visita cronometrada de Dilma a Pernambuco A passagem de Dilma Rousseff por Pernambuco, ontem, durou apenas 45 minutos. Tempo que levou para ela visitar as obras da transposição do São Francisco e tirar fotos com trabalhadores

Rosália Rangel

Publicação: 14/05/2014 08:35 Atualização: 14/05/2014 11:48

Foto: Bernardo Dantas/DP/D.A Press
Foto: Bernardo Dantas/DP/D.A Press

A estrutura montada no canteiro de obras da transposição do Rio São Francisco, em Cabrobó, no Sertão do estado, para receber ontem a presidente Dilma Rousseff (PT) foi cercada de cuidados para restringir ao máximo a participação do público. Apenas um grupo de aproximadamente 200 operários e poucas lideranças políticas tiveram acesso ao local. Depois de passar por Paraíba e Ceará, a petista chegou a Pernambuco às 15h20 para uma visita que durou quarenta e cinco minutos. Tempo que gastou para vistoriar a construção da estação de bombeamento d’água, cumprimentar e tirar fotos com os trabalhadores e trocar poucas palavras com representantes do PT. Ela foi embora deixando no ar um sentimento de frustração em quem conseguiu chegar perto, mas ficou sem ouvir uma declaração sequer da presidente Dilma.

O clima na cidade de Cabrobó estava tranquilo. A passagem de Dilma não mudou a rotina dos moradores. Até porque o canteiro de obras da transposição fica localizado a 17 quilômetros de distância do centro. Mesmo assim, a segurança foi rígida em razão do protesto de estudantes e índios da tribo Truká, que fecharam BR-428 por cerca de duas horas e meia, reclamando que o projeto não atende as necessidades do município, principalmente na questão de abastecimento de água.

O prefeito Auricélio Freitas (PSB), aliado do ex-governador e presidenciável Eduardo Campos (PSB), tinha a intenção de organizar uma manifestação, mas desistiu da ideia. “Seria deselegante da minha parte”, ponderou. O socialista conseguiu entregar ao cerimonial da Presidência da República um documento de reivindicações para ser entregue a Dilma, mas ele próprio não conseguiu nem um aperto de mão da petista.

O esquema de segurança organizado para afastar qualquer ruído de manifestações contra a presença de Dilma em Cabrobó acabou provocando alguns constrangimentos para os convidados mais desavisados. O deputado estadual Aldaberto Cavalcanti (PTB), por exemplo, chegou acompanhado da esposa, a prefeita de Afrânio, Lúcia Mariano (PSB). Foi barrado porque estava sem o credenciamento. Ele teve que esperar por alguma tempo até contar com a ajuda de policial militar que foi até o local do evento e retornou com uma pessoa do cerimonial que lhe permitiu o acesso.

Além do deputado, a visita da presidente foi acompanhada pelo governador João Lyra Neto (PSB), que se integrou a comitiva no heliponto do canteiro de obras, o prefeito de Petrolina, Julio Lóssio (PMDB) e o deputado federal Paulo Rubem (PTB). Antes da chegada da presidente, João Lyra foi questionado sobre os atrasos da obras. Ele não polemizou. Disse que pelo tamanho do empreendimento atrasos podem ocorrer. “Isso é cultural”. Dos três estados visitados por Dilma, Pernambuco foi o que recebeu a menor atenção. No Ceará, ela dedicou mais tempo. Talvez porque o governador Cid Gomes (Pros) já começou a cobrar a fatura, por não ter apoiado Eduardo Campos, com espaço no ministério.

Dilma passo a passo

15h20
O helicóptero presidencial pousa no heliponto preparado na estrada de acesso ao canteiro de obras da transposição do Rio São Francisco

15h30
A presidente Dilma começa a inspecionar as obras da estação de bombeamento e tira fotos com cerca de dez operários

15h42
Ela se desloca para outra área do canteiro de obras e vai ao encontro de um grupo de aproximadamente 200 operários. No local, também cumprimenta rapidamente algumas lideranças políticas locais

15h55
A presidente deixa o canteiro de obras e segue para o heliponto

16h05
O helicóptero decola rumo a Petrolina, sobrevoando o local da obra, de onde a presidente embarcaria em voo presidencial para Brasília

Tópicos

Giro de Dilma pelo Nordeste

Inexperiência
A obra tem cerca de 700 quilômetros de canais para levar água do São Francisco a regiões de seca de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. O trabalho foi reavaliado com o decorrer do cronograma. “Éramos bastante inexperientes. O Brasil jamais fez uma obra dessa dimensão. Uma obra como essa exige um tempo de maturação e aprendizagem. Agora, os projetos estão bons, mudanças foram feitas, empresas estão mais capacitadas”.

Dilma x PSDB
A presidente insiste na polarização política contra os tucanos. A petista alertou para a seca de São Paulo, governado por Geraldo Alckmin (PSDB), e propalou o termo “apagão da água” em discurso para duas mil pessoas, no canteiro de obras. “No Sudeste, no estado mais rico da Federação, que é São Paulo, estamos enfrentando uma seca. Acontece uma coisa engraçada: quem nunca fez desanda a cobrar de quem fez. É isso que estamos assistindo. Gente que nunca fez cobrar de quem está fazendo”.

Lula
Como não poderia deixar de ser, Dilma remete ao início da obra no governo Lula., que entregou 300 mil cisternas e ela mais 580 mil. “Nos últimos 12 anos, houve mudanças não apenas sociais, mas econômicas”.

Aliados
Dilma foi ovacionada pelo governador Cid Gomes (PROS) e seu irmão, Ciro Gomes, ambos dissidentes do PSB de Eduardo Campos. “Um-dois-três, Dilma outra vez”, gritou Ciro Gomes.

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