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Eleições presidenciais » Eduardo Campos e Aécio Neves travam disputa entre amigos Corrida presidencial levará Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB) ao primeiro embate direto. A amizade deles tem 30 anos

Aline Moura - Diario de Pernambuco

Rosália Rangel

Publicação: 06/05/2014 08:41 Atualização: 06/05/2014 11:15

Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press (Ricardo Fernandes/DP/D.A Press)
Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press

Netos de personagens históricos da política brasileira e amigos desde 1984, o ex-governador Eduardo Campos (PSB) e o senador Aécio Neves (PSDB), ambos presidenciáveis, entraram num momento delicado da disputa política. A quase um mês da abertura oficial da campanha e com discursos e propostas semelhantes ao do tucano, Eduardo começou a expor divergências numa forma de se mostrar a melhor opção para o eleitor, ultrapassar Aécio nas pesquisas de intenção de voto e conquistar uma das vagas em um eventual segundo turno contra a presidente Dilma Rousseff (PT). Nem mesmo a amizade de 30 anos garante que a boa vizinhança entre eles será mantida até outubro. Ontem, após receber o título de cidadão de Belo Horizonte (MG), terra de Aécio e segundo maior colégio eleitoral do Brasil, Eduardo frisou que as questões que diferenciam ele e o tucano “vão ficar muito claras” a partir da discussão do programa de governo.

Eduardo e Aécio são netos respectivamente do ex-presidente Tancredo Neves e do ex-governador Miguel Arraes, amigos e campeões de votos de seus estados, Pernambuco e Minas Gerais. Mas a distância tende a crescer entre eles, porque ambos querem destacar suas propostas para convencer a fatia do eleitorado indecisa (cerca de 20%), além de um segmento do empresariado descontente com a gestão de Dilma.

“Somos de partidos e posições diferentes sobre uma série de temas, e acho que, democraticamente, vamos explicitar isso ao longo do debate”, disse o ex-governador, um dia depois de falar, no Rio de Janeiro, que ele e Aécio não têm a mesma base política e possuem avaliações distintas sobre temas relevantes, como mudanças na Consolidação das Leis Trabalhistas.

Outro ponto que pode distanciá-los é o veto que a pré-candidata a vice de Eduardo, a ex-senadora Marina Silva, vem fazendo a nomes escolhidos pelo PSDB para a disputa dos governos estaduais, como Pimenta da Veiga (MG), Geraldo Alckmin (SP), Beto Richa (PR) e Simão Jatene (PA). O PSB pode marchar com todos esses candidatos tucanos nos estados, exceto Alckmin, mas, até junho, haverá desgaste, porque a Rede vem tratando esses pré-candidatos tucanos como integrantes da “velha política”.

Eduardo pretende tratar o adversário com “respeito”, embora os tucanos tenham ficado com o alerta ligado após o socialista soltar, em entrevista no Rio, que Aécio pretende mudar as leis trabalhistas. Ontem, o senador Cássio Cunha Lima, um dos coordenadores da campanha nacional do PSDB, divulgou uma nota explicando que as mudanças na CLT ainda estão sendo estudadas por uma comissão formada por trabalhadores e empregadores. O partido, inclusive, vem se aproximando da Força Sindical, cogitando o presidente da entidade, Miguel Torres, do Solidariedade, como vice de Aécio.

Segundo o líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg, há uma “política de respeito” entre Eduardo e Aécio. “Mas claro que ao longo da campanha os candidatos apresentarão suas diferenças. Durante o debate, as críticas vão aflorar, mas os dois são amigos, se respeitam e investem muito no diálogo”.

Acordo negado

Na terra natal de Aécio Neves, Eduardo Campos cumpriu ontem uma agenda extensa de compromissos, incluindo as cerimônias para receber os títulos de cidadão honorário de Belo Horizonte e de cidadão de Contagem, na Região Metropolitana. Na programação organizada pelo PSB, o socialista teve, inclusive, a oportunidade de desfazer a especulação de que teria fechado um acordo com Aécio no sentido de não fazer campanha em Minas Gerais e de o tucano não buscaria votos em Pernambuco.

“Vamos andar o Brasil inteiro e fazer campanha em Minas para levar ao nosso programa de governo os sonhos, as ideias, as reivindicações do estado”, destacou o socialista.

Sobre a disputa interna do PSB em Minas, o ex-governador disse que não vai interferir e que o partido ainda não definiu quem apoiará. Lá, parte da legenda defende a candidatura do ambientalista Apolo Hering (PSB/Rede), enquanto outro grupo sinaliza para uma aliança com Pimenta da Veiga (PSDB).

 

O peso do eleitorado mineiro

Minas Gerais

15.019.136
eleitores
2º maior colégio eleitoral do país

Belo Horizonte

1.860.172
eleitores
1º em número de eleitores no estado

Contagem

432.894
eleitores
3º maior colégio eleitoral do estado

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

Dados referentes à eleição de 2012

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