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Governo teme reação nas ruas durante a Copa do Mundo Além da inquietação com o desempenho nos gramados, Planalto se preocupa com a dimensão dos protestos. Depois de junho do ano passado, Dilma não recuperou mais a alta popularidade

Publicação: 04/05/2014 12:45 Atualização:

Quebra-quebra no Itamaraty: o governo teme protestos violentos como os do ano passado, que causaram prejuízos materiais e assustaram a população (Breno Fortes/CB/D.A Press)
Quebra-quebra no Itamaraty: o governo teme protestos violentos como os do ano passado, que causaram prejuízos materiais e assustaram a população
Se torce para que a Seleção Brasileira avance na Copa do Mundo – e quem sabe, seja campeã —, o governo monitora e reza para que não se repita o cenário do ano passado, quando uma multidão foi às ruas e derreteu a popularidade da presidente Dilma. Ela jamais retornou aos patamares anteriores à Copa das Confederações. Pior, depois de um leve respiro nas pesquisas de popularidade, a petista despencou novamente nas aprovação de governo e, agora, nos índices de intenção de voto.

Extracampo, a situação do governo é bem complicada. “O país viveu um curto-circuito no ano passado que está, por enquanto, adormecido. Mas os problemas, em todos os setores, continuam. Depois da Copa, sobretudo se a Seleção não for exitosa, esses fusíveis serão religados”, disse o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN).

A aposta do Planalto é que a conjunção de fatores ocorrida no ano passado dificilmente voltará a se repetir. Nos meses posteriores, a presença das pessoas nos protestos anti-Copa diminuiu. Por outro lado, a escalada de violência aumentou, culminando na morte do cinegrafista da TV Bandeirantes, Santiago Dantas, em janeiro deste ano. “As pessoas continuam insatisfeitas com uma série de coisas. Mas perceberam que as manifestações de rua foram tomadas pelos black blocs e abandonaram os protestos”, declarou um interlocutor do governo. Mas o Planalto não fez o dever de casa e demorou a encaminhar ao Congresso o tão alardeado projeto para coibir a violência nas passeatas. O texto ainda tramita no Congresso, sem previsão de votação. Para aumentar a insegurança, a cidade que sediará a final da Copa do Mundo, em 13 de julho, no Maracanã, viu a maior bandeira do governador Sérgio Cabral (PMDB) esfarelar.

As Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) mergulharam num confronto entre policiais e traficantes em comunidades estratégicas e emblemáticas, como o Alemão, Rocinha e Pavão-Pavãozinho. A situação tornou-se tão complexa que o governo fluminense foi obrigado a antecipar para amanhã a ampliação do efetivo de policiais nas ruas das cidade: serão 2 mil.

Manifestações, violências nas favelas pacificadas, medo de rebeliões nos presídios. Em janeiro, o Estado de Minas antecipou que o Planalto desejava firmar uma parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para tentar diminuir a pressão nas unidades carcerárias, sobretudo nas cidades-sede dos jogos. No fim do ano passado, após a descoberta de um esquema de fuga dos principais líderes da maior facção criminosa do país, o grupo anunciou que “não vai ter Copa”. Depois disso, o Brasil ainda presenciou a barbárie no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão, onde mais de 60 presos foram executados em 2013.

O governo também terá de conviver com as queixas dos torcedores durante os jogos. Metade das arenas que sediarão as partidas não terá rede Wi-Fi, o que dificultará a transmissão de dados. Boa parte dos aeroportos segue em obras. O hotel que será construído ao lado do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, só estará pronto após o Mundial. “As companhias aéreas aumentaram o número dos voos disponíveis, não haverá caos aéreo”, apostou uma autoridade oficial. Para o assessor governista, a maior parte das pessoas comprou ingressos para assistir ao jogo nas cidades em que mora, o que diminuiu a quantidade de passageiros nos aeroportos. “O fluxo de turistas, com certeza, será menor do que o período de carnaval e réveillon”, disse o aliado de Dilma.

Manifestações, violência nas ruas e nos presídios, caos aéreo. O Planalto ainda teme uma onda de greve de servidores federais. Há duas semanas, policiais militares da Bahia cruzaram os braços e Salvador mergulhou em um caos urbano de saques e depredações. A presidente ordenou que a Advocacia-Geral da União fique atenta aos grevistas para tentar, na Justiça, liminares que considerem ilegais movimentos desta natureza, especialmente durante o período da Copa.

A bola e o voto

Os entraves da presidente Dilma Rousseff durante os 30 dias de Copa do Mundo:

Resultado em campo: O mito de que uma vitória em campo pode ajudar a eleger o presidente foi desmentido nas últimas eleições (2002, 2006 e 2010). Mas a presidente Dilma acha que o otimismo decorrente do hexa pode ajudá-la. Se perder, a situação se complica.

Estádios padrão Fifa: As arenas ficarão prontas, mas alguns problemas aconteceram durante os eventos-teste. Além disso, metade dos estádios deverá estar sem internert wi-fi, o que dificultará o envio de dados e imagens pelos torcedores.

Aeroportos: Parte das obras dos aeroportos brasileiros não ficará pronta. Há quem tema a ocorrência de um caos aéreo pelo grande volume de voos que cruzarão os céus do país nos dias de jogos.

Mobilidade urbana: Em todas as grandes cidades ocorreram obras de mobilidade. Por causa dos atrasos, ficou decidido que as férias escolares serão durante a Copa. Para facilitar ainda mais, alguns dias de partidas se tornarão feriado.

Manifestações de rua: O temor de que as ruas sejam novamente ocupadas por manifestantes, a exemplo do que aconteceu em junho do ano passado, é grande. O governo não conseguiu aprovar o projeto de lei para coibir as manifestações. Após os protestos do ano passado, a popularidade de Dilma derreteu a patamares próximos da atual.

Segurança e presídios: No fim do ano passado, quando o Ministério Público de São Paulo desbaratou um esquema de fuga da principal organização criminosa do país, a facção ameaçou impedir a realização dos jogos. No Rio de Janeiro, o aumento da violência nas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) também ligou o alerta nas autoridades federais.

Greves: Servidores públicos também podem se tornar um calo para o governo. Insatisfeitos com a política de valorização salarial, alguns funcionários defendem que a categoria aproveite o momento para uma paralisação geral. A Advocacia-Geral da União (AGU), porém, já monitora os sindicatos.

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