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Governo e oposição » Durante festa do Dia do Trabalho, pré-candidatos à Presidência criticam governo Líder da Força Sindical pede uma 'banana' para Dilma. Vaiados, ministros saem em defesa da presidente

Vera Batista -

Publicação: 02/05/2014 07:20 Atualização: 02/05/2014 09:15

As comemorações do Dia do Trabalhador viraram palco de disputa e de ataques entre governo e oposição. Os assuntos nos palanques foram corrupção, escalada inflacionária, escândalo da compra da Refinaria de Pasadena pela Petrobras e críticas aos programas sociais. Defensores da situação foram vaiados pela multidão. O presidente da Força Sindical, deputado federal Paulo Pereira da Silva (SDD-SP), incentivou o público a dar uma “banana” simbólica a Dilma, lembrando o ato de racismo a um jogador brasileiro. Disse que a presidente poderá parar no presídio da Papuda e convidou para o ato de 1º de Maio seus adversários políticos e candidatos à Presidência da República.

“Vocês viram aquela banana para o Daniel Alves? Têm coragem de mandar uma banana para a Dilma? Toma aqui, presidente!”, acenou Paulinho da Força, no palco do Campo de Bagatele, Zona Norte da capital paulista, em um evento que sorteou 19 carros Hyundai HB20, com shows de artistas populares. Apesar de a Força ser ligada ao PDT, da base do governo, Paulo Pereira se colocou em oposição a Dilma. “O governo que deveria dar exemplo está atolado na corrupção. Se o governo fizer o que a presidente Dilma falou ontem (anteontem), quem vai parar na Papuda é ela”, enfatizou Paulinho da Força. Ele chamou ao palco o humorista do programa Pânico, caracterizado como Dilma Bolada, e disse que a Dilma que estava ali presente era “mais feia que o diabo”.

 

Ao lado dos presidenciáveis Eduardo Campos (PSB-PE) e Aécio Neves (PSDB-MG), Paulinho criticou a ausência de Dilma, a única dos três primeiros colocados na pesquisas de intenção de votos que não compareceu e mandou para representá-la “subalternos”, como os ministros do Trabalho, Manoel Dias, e da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, ambos vaiados pelos apoiadores de Paulinho. Sob a desaprovação dos presentes, Dias disse que “Paulinho não precisava ofender a presidente”. Também em meio às vaias, Gilberto Carvalho retrucou dizendo que “o trabalhador brasileiro sabe que os 12 anos do PT foram os melhores para eles e que quem causou arrocho salarial foi Fernando Henrique Cardoso”.

Diálogo

Aproveitando a plateia, Aécio Neves não poupou ironias. “Infelizmente a presidente fala em dialogar com os trabalhadores, mas eu não a vejo aqui hoje e não tenho notícia da presença dela em qualquer evento dos trabalhadores”, satirizou, ao destacar que Dilma protagonizou “um momento patético da vida pública” do país: usou a cadeia de rádio e televisão para fazer proselitismo político para atacar adversário. “Ela acha que a crise da Petrobras é culpa da oposição, mas é daqueles que fizeram dela um balcão de empregos”, reforçou.

Para Eduardo Campos, o não comparecimento de Dilma é a comprovação da falta de diálogo com a sociedade. “Na verdade, ela nunca veio para essas atividades. Não se lidera o processo de transformação de um país sem ouvir a verdade e as críticas para encontrar os caminhos.” Ele também criticou o pronunciamento da presidente. “Foi mais uma fala eleitoral. O aumento do Bolsa-Família é uma medida que vem reparar as perdas da inflação que ela mesmo deixou acelerar nos alimentos e que retirou o poder de compra das famílias mais pobres. Precisamos conter a inflação. Precisamos de um governo que não pense na próxima eleição e sim de maneira estratégica”, disse Campos, que ficou constrangido com o gesto de “banana” de Paulinho e disse, em entrevista, que o debate deve se dar com ideias.

A presidente Dilma anunciou, em pronunciamento na TV pelo Dia do Trabalho, aumento de 10% no Bolsa-Família, correção de 4,5% na tabela do Imposto de Renda na fonte no ano que vem e promessa de manter a política de valorização do salário mínimo – a atual acaba no fim de 2015.

Demais Centrais

A atitude do presidente da Força foi duramente criticada no evento da CUT e das demais centrais, que, ao contrário da oposição que levou os presidenciáveis, ficou na festa sem suas principais estrelas, Lula e Dilma, com quem só vão se encontrar hoje, no Encontro Nacional do PT, a partir das 18h. Ao chegar à comemoração do 1º de Maio, no Vale do Anhangabaú, o ministro Manoel Dias classificou como desesperada e infundada as críticas da oposição, pois não levaram em conta os 20 milhões de postos formais de trabalho criados nos governos Lula e Dilma, entre 2003 e 2014. “As centrais são plurais e podem divergir. Só que exageraram. Isso demonstra um pouco o desespero. Isso é bom. Porque mentem e vão perder as eleições”, afirmou.

O presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, tentou minimizar os ataques. “Não tivemos condições de construir esta data unificada porque uma das centrais, lamentavelmente, resolveu fazer uma celebração com palanque eleitoral para candidatos do patrão, apoiados por partidos dos empresários”, disse Freitas, ao lembrar que parte da pauta que as centrais cobraram na 8ª Marcha da Classe Trabalhadora, em 9 de abril, foi atendida. “Quem paga imposto no Brasil é o trabalhador e a correção da tabela do IR impede que o Leão fique com os aumentos reais que conquistamos.” Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil, também opinou que a atitude de Paulinho foi eleitoreira. “Ele tem interesse em desgastar um projeto democrático”, disse.

Já o presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros, Antônio Neto, disse que o deputado quer chamar a atenção. “O intuito foi montar factóide como ele sempre faz. Mas desta vez passou da conta ao ofender a maior autoridade do país. Temos que construir a luta no terreno das ideias”, alertou. Mesmo apoiando a presidente, os dirigentes sindicais afirmam que a pressão continuará em defesa de outros pontos considerados prioritários, como a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salário e o fim do fator previdenciário, pautas comuns a todas as centrais sindicais.

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