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Congresso Nacional » Deputado confirma que pagou dinheiro a grupo que acompanhava votação Depois de negar conhecer pagamentos a manifestantes, Nelson Marquezelli diz que notas de R$ 20 e R$ 50 eram de sindicato. Mas, ao ser confrontado com versão de assessor, o parlamentar muda o discurso pela terceira vez: "Se ninguém assumir, eu assumo"

André Shalders - Correio Web

João Valadares - Correio Braziliense

Publicação: 02/05/2014 07:06 Atualização: 02/05/2014 12:16

Marquezelli: três versões sobre dinheiro entregue nos corredores da Câmara. Foto: Leonardo Prado/Agência Câmara (Leonardo Prado/Agência Câmara)
Marquezelli: três versões sobre dinheiro entregue nos corredores da Câmara. Foto: Leonardo Prado/Agência Câmara

Um dia depois de alegar desconhecimento em relação ao pagamento em dinheiro vivo de uma claque para aplaudir deputados favoráveis à nova lei dos caminhoneiros, aprovada terça-feira na Câmara, o deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP) assegurou que as notas de R$ 50 e R$ 20 foram repassadas pelo Sindicato dos Cegonheiros de Minas Gerais. “Qual o problema disso? O dinheiro é dele. Ele oferece a quem quiser. Quem pagou foi o presidente do Sindicato dos Cegonheiros de Minas Gerais. Ele se chama Carlos (Roesel). Ele estava no meu gabinete”, afirmou.

O parlamentar declarou que o dinheiro distribuído na chapelaria do Congresso Nacional e depois na frente do seu gabinete seria destinado ao pagamento do lanche do grupo que ocupou as galerias do plenário. “Era para tomar um lanche. Um grupo pequeno. Não acho nada disso estranho. No mundo inteiro é assim. Quem tem dinheiro faz o que quer com ele. Estranho é vocês insistirem numa reportagem ridícula como esta. Acho que vocês não têm o que fazer”, disse Marquezelli, que é ouvidor da Câmara.A pedido do próprio deputado, o Correio entrou em contato com um servidor do gabinete dele para detalhar o que ocorreu na noite de terça-feira.

O funcionário contradisse Marquezelli ao responder que os recursos não tinham sido repassados pelo Sindicato de Cegonheiros de Minas Gerais. “Tenho certeza de que não foi o sindicato que pagou”, disse. O mesmo funcionário informou que outro sindicalista havia assumido ter pagado o grupo de pessoas, no entanto, até o fechamento desta edição, o servidor não havia entrado em contato com o Correio. Momentos antes, o assessor afirmou que não sabia quem tinha dado o dinheiro e negou que as duas funcionárias da Câmara que aparecem no vídeo fazendo o pagamento trabalhassem com o deputado.

 

Duas investigações serão pedidas

A distribuição de dinheiro vivo nos corredores da Câmara dos Deputados a pessoas que se fizeram passar por caminhoneiros para pressionar a aprovação de um projeto de lei, noticiada ontem pelo Correio, será alvo de dois pedidos de investigação. Integrante do Ministério Público do Trabalho, o procurador Paulo Douglas Almeida de Moraes informa que vai, por meio do Fórum Nacional em Defesa da Lei n° 12.619, representar formalmente a Câmara dos Deputados, para que averigue eventual quebra de decoro parlamentar, e a Procuradoria-Geral da República, que poderá apurar a prática de improbidade administrativa.

Formado por juízes e procuradores do Trabalho, além de entidades sindicais de empregados do setor de transportes, o fórum tem o objetivo de implementar a Lei n° 12.619 — também conhecida como lei do descanso —, que o projeto aprovado pela Câmara na última terça-feira, com o uso dos manifestantes pagos, pretende modificar. Caso o texto passe pelo Senado e se transforme em lei, Moraes promete questionar a constitucionalidade da norma no Supremo Tribunal Federal. Ele cita o aumento de mortes nas rodovias e de gastos públicos com as vítimas como consequências inevitáveis da proposta.

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