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Comissão da Verdade » Polícia Federal pode investigar morte de torturador Comissão Nacional da Verdade pede que corporação apure assassinato do ex-coronel. No mês passado, Malhães fez importantes revelações durante depoimento ao grupo

Maria Clara Prates -

Publicação: 26/04/2014 12:21 Atualização:

O coordenador da Comissão Nacional da Verdade (CNV), Pedro Dallari, defendeu ontem que o assassinato do coronel reformado do Exército Paulo Malhães – apontado como um dos colaboradores do regime militar, depois de atuar como ex-agente do Centro de Informações do Exército (CIE) – seja apurado pela Polícia Federal. Por meio de nota, ele informou que falou por telefone com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para que policiais federais acompanhem as investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro. “Fiz o pedido por se tratar de uma situação que envolve investigação conduzida pela CNV, que é órgão federal”, disse Dallari.

O ex-agente Malhães, encontrado morto na noite de anteontem em seu sítio na Zona Rural de Nova Iguaçu, prestou depoimento à CNV em 25 de março. Na nota, a Comissão da Verdade afirma que o crime “deve ser investigado com rigor e celeridade”, já que pode estar relacionado com as revelações feitas pelo coronel ao grupo nacional, ao do Rio de Janeiro e ainda à imprensa.

Batendo na mesma tecla, o presidente da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, Wadih Damous, afirmou que acredita na possibilidade de que o assassinato de Malhães tenha sido uma queima de arquivo. “Ele foi um agente importante da repressão política na época da ditadura e era detentor de muitas informações sobre fatos que ocorreram nos bastidores daquela época. É preciso que seja aberta com urgência uma investigação na área federal para apurar os fatos ocorridos no dia de hoje (ontem).” Damous defendeu que a apuração da morte do coronel precisa ser “feita com muito rigor, porque tudo leva a crer que ele foi assassinado”.

O deputado Adriano Diogo (PT), presidente da Comissão da Verdade de São Paulo, teme que a morte do ex-coronel iniba outras pessoas a contarem o que sabem nas investigações sobre crimes cometidos durante a ditatura militar. “Para mim, a morte dele é um cala-boca, o que é mais grave. As pessoas que forem chamadas a depor a partir de agora podem pensar: “se eu abrir o bico, alguém vai calar minha boca”, deputado Diogo.

‘Estranho’

A apuração pela PF também foi defendida pela deputada federal  e ex-ministra de Direitos Humanos Maria do Rosário, por meio do seu perfil no Twitter. “Soa estranho que, após essas revelações, o militar tenha sido assassinado. Estou entrando em contato com os ministros Ideli (Ideli Salvatti, da Secretaria Direitos Humanos) e José Eduardo Cardozo para pedir apoio da Polícia Federal na investigação”, escreveu.

Apesar da repercussão do assassinato de Malhães, entidades de classe representantes dos militares optaram pelo silêncio e a cautela. O Clube Militar, associação que reúne oficiais da reserva do Exército, não quis comentar uma possível ligação do crime com as confissões às comissões da verdade por não conhecer as circunstâncias da morte do coronel. O chefe de Gabinete da Presidência da entidade, coronel Figueira Santos, afirmou que o Clube Militar só vai se manifestar se surgir algum “fato novo”. O Comando Militar do Leste, no Rio, também informou que não vai comentar o caso, já que as investigações estão a cargo da Polícia Civil.

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