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Processo disciplinar » Manobra dá tempo a André Vargas Relator do Conselho de Ética da Câmara dá parecer favorável à continuidade de processo contra petista, mas pedido de vista encomendado pelo "réu" transfere debate para o dia 29

João Valadares - Correio Braziliense

Publicação: 23/04/2014 07:24 Atualização: 23/04/2014 08:12

A quebra de decoro contra Vargas, só vai ser votado na terça-feira, dia 29. Foto: Gustavo Lima/Camara dos Deputado (Gustavo Lima/Camara dos Deputado)
A quebra de decoro contra Vargas, só vai ser votado na terça-feira, dia 29. Foto: Gustavo Lima/Camara dos Deputado

Em uma manobra protelatória socilitada pelo deputado licenciado André Vargas (PT-PR), o parlamentar José Geraldo (PT-PA) pediu vista, na tarde de ontem, adiando a votação do parecer sobre a admissibilidade do processo disciplinar contra o paranaense, que deveria ter sido votado no Conselho de Ética da Câmara. Agora, o relatório do deputado Júlio Delgado (PSB-MG), que admite a representação apresentada pelos partidos de oposição DEM, PSDB e PPS e recomenda o prosseguimento de ação por quebra de decoro contra Vargas, só vai ser votado na terça-feira, dia 29. Se o parecer, de quatro páginas, for aprovado, a comissão terá prazo de 90 dias para decidir a punição ao petista, que pode chegar à cassação do mandato.

O deputado José Geraldo não teve nenhum constrangimento em expor a manobra à imprensa ao deixar a sala do colegiado. “Ele precisa de um tempo para pensar. Pedi vista para atender a um pedido”, afirmou. A decisão do parlamentar irritou até mesmo a cúpula petista, que pressiona Vargas para que ele renuncie ao cargo e evite um desgaste maior da sigla nas eleições (leia texto nesta página). “A tática é certamente protelatória”, reagiu Delgado.

Vargas é acusado de ter usado um jatinho de Youssef para viajar de férias com a família, além de tráfico de influência no Ministério da Saúde, ao negociar a contratação de um laboratório. Para Delgado, as suspeitas são suficientes para iniciar as investigações. "O representado é detentor de mandato de deputado federal; há reportagens que relacionam a ele os fatos narrados e, ao menos em tese, o fornecimento de informações privilegiadas e a intermediação de interesses de terceiro junto ao Ministério, aliada a recebimento de vantagens, pode constituir ato incompatível com o decoro parlamentar", disse.

A crise começou quando a Folha de S.Paulo revelou que Vargas viajou para o Nordeste com a família em um jato do doleiro preso na Lava a Jato. Logo depois, surgiram evidências de que o deputado agora licenciado fez lobby para a contratação de um laboratório pela pasta da Saúde.

Antes da leitura do relatório de Delgado, o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), disse que vai cumprir o regimento interno no caso do petista. Ele reafirmou que, se Vargas apresentar pedido de renúncia, ela terá efeito imediato e será o suplente será chamado, mas avisou que, mesmo assim, o processo no Conselho de Ética continua.

Consulta

Licenciado do cargo, André Vargas tinha prometido retornar ontem e consultou Henrique Alves sobre os efeitos de uma renúncia. Ele vem sendo pressionado pelo PT a abrir mão do mandato, depois de renunciar oficialmente, na semana passada, ao cargo de vice-presidente da Casa. Alguns aliados querem que o petista espere a votação do caso do deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO).

Henrique Alves disse que hoje, com sete meses de atraso, será colocado em votação, no plenário da Câmara, o caso de Leréia. O parecer do deputado Sérgio Britto (PSDB-BA) pede a suspensão do parlamentar. Leréia foi investigado pelo Conselho de Ética pela acusação de envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. O deputado é acusado de receber dinheiro da organização criminosa de Cachoeira, de usar o cartão de crédito do contraventor e, também, de avisá-lo antecipadamente sobre operação policial contra os jogos ilegais. Para petistas, o caso dele é mais grave do que o de André Vargas.

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Autor: JOSE LIMA
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