• (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Eduardo Campos » Autoconfiança passada a jornais estrangeiros Em entrevista Financial Times e Wall Street Journal, Eduardo Campos diz que "mudança política virá em 2015"

Júlia Schiaffarino

Publicação: 22/04/2014 09:05 Atualização: 22/04/2014 10:54

Foto: PSB/Divulgação
Foto: PSB/Divulgação
Pré-candidato à Presidência da República, Eduardo Campos (PSB) começou a semana falando sobre a economia brasileira para jornais internacionais. Ontem, o socialista dispensou cerimônias e apostou no tom confiante ao falar não apenas de números para 2015, mas, principalmente, do resultado das urnas. A postura ficou clara quando Eduardo comentou a agenda do dia nas redes sociais. Em uma foto postada no Instagran escreveu: "Hoje falei a jornais de outros países e disse da minha confiança na economia do Brasil, com a mudança política que virá em 2015". O ex-governador pernambucano foi entrevistado pelo jornal norte-americano Wall Street Journal e pelo inglês The Financial Times.

Um dos pontos colocados por ele como compromisso de campanha foi a defesa de uma maior autonomia do Banco Central (BC), algo que, afirma, seria fundamental para "encorajar investidores" e "ajudar o Brasil a retomar o rápido crescimento". O assunto deverá entrar no programa de governo do socialista, que também defendeu a revisão das políticas econômicas. "Hoje a política fiscal e a política monetária caminham separadas", ressaltou. Desde que se posicionou como oposição, no ano passado, Eduardo Campos tem sido recorrente nos discursos contra a economia brasileira.

A Petrobras também foi abordada durante a entrevista. O socialista criticou a condução da maior estatal brasileira, afirmando que ela estaria em meio a "interferências políticas" e carente de mais "transparência". "É preciso profissionalizar a diretoria e protegê-la (a estatal) dessas interferências", atacou. A companhia tem sido alvo de investigações do Ministério Público e da Polícia Federal sobre a compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, que teria gerado prejuízos milionários ao país. O caso está no centro dos discursos tanto de socialistas quanto de tucanos e demais opositores, e é visto como um "calo" para a presidente Dilma Rousseff (PT).

No último domingo, o ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo que a presidente precisava assumir sua parcela de ônus pela aquisição de Pasadena. No programa semanal de rádio Café com a Presidenta, ontem, Dilma defendeu a política de conteúdo da empresa e dedicou o tempo para falar do "renascimento" da indústria naval.

Eduardo embarcou ontem para Santa Catarina, onde participa de reunião com empresários sulistas e lideranças políticas. Ainda esta semana, visita Paraná e Pará. As três paradas ocorrem em locais onde o PSB deve ter candidatura própria sem apoio dos "marineiros' (aliados de Marina Silva, sua candidata a vice-presidente).

Aperto no bolso gera gritaria
Não é à toa que Eduardo Campos vem batendo na economia brasileira. A escalada da inflação produziu estragos na renda da população e vem derrubando a aprovação da presidente Dilma Rousseff. Na visão dos especialistas, está claro que os brasileiros não perdoam governos que ponham em risco o poder de compra da população. Foi a consolidação da estabilidade econômica que permitiu a mais de 40 milhões de pessoas migrarem para a classe média na última década. "Com inflação não se brinca", afirma a diarista Maria Pereira da Cruz, 48 anos. "O governo precisa agir rápido para conter a carestia. A sensação que se tem hoje é de descontrole de preços", acrescenta a professora Mariluce Lopes, 40.

Para o economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, se a presidente Dilma deseja realmente a reeleição, na disputa marcada para outubro próximo, ela deve dar sinais muito claros de que o governo está agindo para conter a inflação. Com o bolso apertado, os brasileiros já veem os empregos ameaçados, mesmo com o país registrando taxas de desocupação historicamente baixas.

"A preocupação com a economia começa quando o eleitor se dá conta de que o salário dele já não é mais suficiente para comprar a mesma quantidade de itens que um mês antes", observa Rosa. Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que a carestia no Brasil foi, em fevereiro, 3,3 vezes maior do que a média de 34 países desenvolvidos e nações emergentes. "Por isso, a inflação entrou de vez no debate eleitoral", assinala o economista Wellington Ramos, da Austin Rating.

No entender do economista Vagner Alves, da gestora de recursos Franklin Templeton, quando a inflação volta a dominar as conversas de rua, é sinal de que algo está muito errado em relação aos preços. "Sendo assim, os governos devem ter dedicação total a esse tema", afirma. Para ele, a atual administração teve o azar de, neste ano, o país enfrentar um clima adverso. "A comida é o item que mais tem pesado no bolso dos brasileiros", diz.

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »



Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.