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Complexo de Suape » A soldadora-cantora que emocionou Dilma Rousseff Durante inauguração do navio Dragão do Mar, do Estaleiro Atlântico Sul, Dilma elogiou Thayná

Juliana Colares - Diário de Pernambuco

Publicação: 20/04/2014 08:00 Atualização: 18/04/2014 16:51

Thayná cantou na solenidade de lançamento do navio Dragão do Mar, no Complexo de Suape, na última segunda-feira e arrancou aplausos e elogios da presidente Dilma. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR (Roberto Stuckert Filho/PR)
Thayná cantou na solenidade de lançamento do navio Dragão do Mar, no Complexo de Suape, na última segunda-feira e arrancou aplausos e elogios da presidente Dilma. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

"Vou dizer uma coisa para vocês: essa menina, a Thayná, é uma cantora com uma voz que nós todos aqui sabemos que, poucas vezes na vida, nós ouvimos. (...) E aí, vou dizer para vocês mais uma coisa: Vocês vão ter ainda muito orgulho da Thayná, muito orgulho. Além de navio, aqui nós vimos surgir uma cantora de primeira, primeiríssima". Foi com um "boa tarde, galera" e elogios a Thayná da Costa, uma aprendiz de soldadora de 18 anos que trabalha no Estaleiro Atlântico Sul, que a presidente Dilma Rousseff abriu o discurso da visita oficial que fez a Pernambuco na última segunda-feira (14). Moradora de uma comunidade pobre de Pontezinha, no Cabo de Santo Agostinho, Thayná experimentou o gostinho dos “15 minutos de fama”.

Nos dias que se seguiram à visita, recebeu dezenas de mensagens de amigos e conhecidos, virou assunto na rua onde mora e no estaleiro que, além dela, emprega outras seis mil pessoas. "Eu gosto de soldar e gosto de cantar. Sou uma soldadora-cantora ou uma cantora-soldadora", brincou, em entrevista ao Diario devidamente documentada em foto e postada na página pessoal da adolescente no Facebook com a legenda "Reportagem aqui em casa. #DiariodePernambuco #indo dar entrevista #até mais xau".

"Quando eu cheguei em casa (na segunda-feira, após a visita presidencial), eu parei na porta e pensei: aconteceu, aconteceu", disse Thayná, ainda surpresa com a reação de Dilma. "O dia seguinte no trabalho foi fora do normal, fora do meu normal de chegar e sair anônima. Até pessoas que passavam por mim e nem falavam, falaram comigo, comentaram. Pensei: 'caraca, tô com moral'", falou rindo.

O emprego no estaleiro é recente. Filha de um vigilante e uma faxineira, Thayná, que está no terceiro ano do ensino médio, costumava fazer trabalhos informais para conseguir algum dinheiro. Há sete meses, passou na seleção do estaleiro para a função de aprendiz de soldadora. "Quando eu a vi com aquela farda cinza, pensei: 'ela conseguiu, ela vai conseguir'", disse Risonete Costa, mãe de Thayná e de outras três meninas. Aos 43 anos, ela mora na casa que herdou dos pais e, com o dinheiro que recebe nas faxinas, se empenhou para ver as filhas empregadas e longe de drogas e confusões no bairro. Não à toa, não consegue conter as lágrimas quando fala do êxito de Thayná na solda e, agora, com o canto.

Ao lado da mãe Risonete Costa, a cantora-soldadora comemora o sucesso. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press (Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press)
Ao lado da mãe Risonete Costa, a cantora-soldadora comemora o sucesso. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press
Gravação no Rio

Thayná da Costa subiu ao palco montado para a visita presidencial quase por acaso. Em uma entrevista à Transpetro - a subsidiária de transporte da Petrobras colheu depoimentos de funcionários do estaleiro e preparou um vídeo institucional que foi exibido no dia da visita de Dilma -, perguntaram à adolescente o que ela gosta de fazer nas horas vagas. "Cantar", respondeu Thayná. "Eu cantei e eles gostaram", contou.

Aprovada pela equipe da Transpetro, Thayná ganhou uma passagem para o Rio para gravar uma música em estúdio. A gravação foi executada no evento, com dublagem da aprendiz de soldadora que, desinibida, nem ficou nervosa antes de subir ao palco.
A adolescente, que nunca fez aula de canto e até então só havia se apresentado na igreja evangélica que a família frequenta, agora pensa em investir em duas áreas completamente diferentes: a solda e a música. "Quando me abraçou no palco, Dilma disse: 'menina, você me emocionou com a sua história, você é esplêndida', eu lembro que ela usou essa palavra: 'esplêndida'. Ela também disse para eu não desistir dos meus sonhos e é isso que eu vou fazer. Não vou desistir", disse.

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