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Eleições » O complicado caminho das alianças políticas Costuras regionais mostram que, quando o assunto é eleição, mais valem apoios que sinalizem vitórias

Aline Moura - Diario de Pernambuco

Publicação: 20/04/2014 16:00 Atualização: 18/04/2014 16:54

Foto: Bruno Peres/CB/D.A Press
Foto: Bruno Peres/CB/D.A Press
Uma semana depois de anunciar a pré-candidatura à Presidência da República, tendo como vice a ex-senadora Marina Silva, o ex-governador Eduardo Campos (PSB) vai concentrar esforços em colégios eleitorais onde há conflitos entre o PSB e a Rede. Depois de cumprir uma agenda em São Paulo, neste domingo (20), ao participar da missa na Basílica de Aparecida, ele viaja durante a semana a Santa Catarina, Paraná e Pará, três estados onde os socialistas devem ter candidatos ao governo do estado sem apoio dos marineiros, respectivamente Raimundo Colombo (PSD), Beto Richa (PSDB) e Simão Jatene (PSDB).

Eduardo Campos tem dito à imprensa não estar preocupado com as divergências existentes nos estados, justificando que a base de sustentação do governo Dilma Rousseff está muito mais dividida e se alimentando do “fisiologismo”. Ele encontra respaldo inclusive em Marina Silva, que garante estar “tudo caminhando”, a contragosto dos que apostam numa “bala de prata” capaz de atingir a aliança entre os dois. O clima na base da Rede e do PSB “anda esquentando”, o que vai exigir o jogo de cintura do ex-governador.

Maior colégio eleitoral do país, São Paulo é também o maior imbróglio do PSB. Marina Silva defende candidatura própria no estado paulistano e tem apoio de lideranças políticas da Rede que estão temporariamente filiadas ao PSB. Mas, após ela admitir que seria vice de Eduardo, na última segunda-feira, voltou a ganhar força no PSB a possibilidade de o partido defender a reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Uma reviravolta em São Paulo a essa altura seria um ponto que realmente incomodaria Marina, segundo pessoas da Rede ouvidas pelo Diario em reserva. Tanto ela quanto seus seguidores veem contradições, por exemplo, no fato de Eduardo se lançar como terceira via para quebrar a polarização do PT e PSDB e, ao mesmo tempo, fazer campanha para os tucanos.

Os socialistas, contudo, estão mais realistas. Dizem sofrer pressões do PPS para apoiar Alckmin em São Paulo e fazem as contas na ponta do lápis. O PSB tem apenas um minuto de televisão e os socialistas revidam o principal argumento de Marina, quando ela diz que conquistou quase 20 milhões de votos na disputa presidencial em 2010, mesmo sem ter tempo relevante na propaganda política. “Ela teve uma excelente votação em 2010, mas ela não ganhou! Não podemos brincar de ganhar”, disse um dos coordenadores nacionais de Eduardo.

Curiosidades
Longe dos tucanos, a campanha nacional do PSB tem algumas curiosidades. No Acre, estado de Marina Silva, a sigla socialista deve manter aliança para apoiar a reeleição do governador Tião Viana (PT). Os dois partidos fizeram um acordo de boa vizinhança e respeito à relação partidária histórica - ao menos por enquanto. Tião Viana fará campanha para Dilma Rousseff, enquanto o seu vice, César Messias (PSB), montará palanque paralelo para Eduardo Campos (PSB). Já os marineiros, nesse estado, ficam com Tião e Eduardo.

No Rio de Janeiro, o PSB vai apoiar a candidatura do deputado federal Miro Teixeira, que é filiado ao Pros dos irmãos Gomes, Cid e Ciro, ambos adversários ferrenhos de Eduardo. Os socialistas, contudo, não demonstram qualquer receio com o futuro. Quem acompanha Eduardo nos últimos dias vê nele uma confiança exibida por poucos da política. Está certo de haver um desgaste irreversível de Dilma e de sua gestão. “Nós precisamos deixar claro, neste debate, que mais do que um gerente, o Brasil quer uma liderança que saiba dialogar com o povo", enfatiza o ex-governador.

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