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Eleições » Eymael e Fidelix, os "zebras" da corrida presidencial Sem conseguir um ponto percentual nas eleições de 2010, os dois pré-candidatos voltam à disputa para fortalecer os partidos

João Vitor Pascoal - Diario de Pernambuco

Publicação: 19/04/2014 16:00 Atualização: 18/04/2014 17:07

Pré-candidatos à Presidência da República, Eymael e Levy Fidelix pretendem conquistar um papel de destaque na disputa eleitoral deste ano. Fotos: Ed Alves/CB/D.A Press e Ovídio Carvalho/ON/D.A Press
Pré-candidatos à Presidência da República, Eymael e Levy Fidelix pretendem conquistar um papel de destaque na disputa eleitoral deste ano. Fotos: Ed Alves/CB/D.A Press e Ovídio Carvalho/ON/D.A Press
 

Tendo como principal reduto eleitoral o estado de São Paulo, José Maria Eymael (PSDC) e Levy Fidelix (PRTB) são zebras na corrida presidencial até aqui. Caminhando para sua quarta candidatura, Eymael sai na frente em, ao menos, um quesito. Ele é detentor do mais famoso jingle da disputa deste ano. O refrão "Ey, ey, Eymael, um democrata cristão" gruda na cabeça a cada campanha eleitoral, aumentando a popularidade do candidato. Porém, essa popularidade não é refletida em votos. Nas últimas eleições presidenciais, o democrata cristão conquistou apenas 0,09% dos eleitores.

Já Fidelix será candidato pela segunda vez. Assim como Eymael, ele ganhou destaque pela repetição, mas não de um jingle. O público o conhece por conta da insistência na proposta de construção do aerotrem, projeto que previa a implantação de trens de superfície, trafegando em trilhos suspensos por pilastras. Numa situação parecida com a vivenciada por Eymael e seu refrão pegajoso, é impossível desvincular Fidelix de sua proposta. Assim como o democrata cristão, o "candidato do aerotrem" não foi nada bem nas últimas eleições. O escolhido do PRTB foi votado por apenas 0,06% do eleitorado em 2010.

Para esta eleição, a ordem é ir além. Ambos querem fugir dos rótulos e ser mais que meros coadjuvantes entre os demais candidatos. Para começar, decidiram dar menos destaque ao refrão e ao aerotrem. "Esse jingle é uma genialidade. Mas, vai ser apenas a moldura da campanha", afirma Eymael. Fidelix usa discurso parecido para expandir os trilhos de sua candidatura. "O aerotrem é a revolução da mobilidade que agora os outros partidos tentam copiar. Mas precisamos ir além, temos que tratar da plataforma de governo como um todo".

Na recente pesquisa eleitoral, divulgada na última quarta-feira (16) pelo Instituto Vox Populi, ambos não registraram nenhum ponto. Porém, eles acreditam na reviravolta desse quadro. Assim como os oposicionistas favoritos, Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB), Eymael e Fidelix apostam no discurso de mudança para convencer o eleitorado, mas criticam a postura do socialista e do tucano. De acordo com o democrata cristão, os candidatos favoritos não oferecem oposição à candidatura de Dilma Rousseff (PT). "O eleitorado de oposição não acha em Aécio nem em Eduardo apoio contra esse cenário que apresenta um Brasil dilacerado", afirma. A ideia de ser uma alternativa é compartilhada pelo candidato do PRTB, que é mais incisivo na oposição ao atual governo."Sou o único candidato de direita dessa eleição. Tenho um vasto terreno para avançar e combater o cubanismo esquerdista que tomou conta do Brasil".

Levy Fidelix pretende reduzir o número de ministérios e criar as pastas da Família e da Segurança Pública. Foto: Ovídio Carvalho/ON/D.A Press
Levy Fidelix pretende reduzir o número de ministérios e criar as pastas da Família e da Segurança Pública. Foto: Ovídio Carvalho/ON/D.A Press
Para além do aerotrem
Fundador e presidente do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), Levy Fidelix está desde 1986 na vida pública. Em seu currículo estão candidaturas ao governo de São Paulo e à prefeitura da capital paulista. Apesar de não ser bem-sucedido em suas tentativas, ele acredita que a experiência adquirida pode ajudar na corrida eleitoral deste ano. "Eu sou um veterano, as pessoas me conhecem. Falo de mobilidade urbana há muito tempo, entendi que o Brasil iria ficar travado como ficou", destaca. A mobilidade aliás, é a tecla que Fidelix mais bateu em todas as suas candidaturas, principalmente com o seu projeto do aerotrem.

Porém, ele não se restringe a apenas um assunto. Fidelix dedica boa parte de suas críticas à inflação registrada na gestão de Dilma Rousseff. Para ele, a solução é a mudança do modelo atual. "Vamos mudar o tradicional modelo bancário financeiro que está aí desde FHC (ex-presidente Fernando Henrique Cardoso) e implementar o desenvolvimentismo. Vamos estimular a produção para baixar os preços", afirma.

De acordo com ele, o desenvolvimentismo seria implantado com o aperfeiçoamento do Bolsa família. "Atualmente, o Brasil está corrompido pelo Bolsa Família, que está mais para Bolsa Preguiça. Eu vou criar o Salário Família, que será pago com trabalho das pessoas para o estado. Será como o New Deal do presidente Roosevelt", destaca Fidelix, comparando sua proposta ao programa implantado pelo presidente norte-americano para recuperar os Estados Unidos da Grande Depressão.

Mesmo sendo pouco citado nas pesquisas eleitorais, ele segue confiante em seu sucesso nas urnas."Fazemos por merecer muito mais do que as pesquisas têm mostrado. Temos seis meses pela frente, tenho chances reais de ser eleito. ", enfatiza Levy.

O grande obstáculo apontado por Levy é a disparidade financeira entre as campanhas. "Fundei esse partido sem dinheiro privado. Na última campanha presidencial, gastei R$ 690 mil contra milhões e milhões de Dilma e (José) Serra (PSDB). Agora não vai ser diferente. É eles com o canhão e eu com o badoque", compara.    

Para Fidelix, a conquista do eleitorado acontecerá durante os debates. "Eu vou enquadrar todo mundo! A minha autenticidade vai convencer a sociedade, vamos interpretar os anseios do povo brasileiro".


José Maria Eymael diz que sua candidatura é a única da direita. Foto: Ed Alves/CB/D.A Press
José Maria Eymael diz que sua candidatura é a única da direita. Foto: Ed Alves/CB/D.A Press
Pela democracia cristã

Gaúcho com grande parte de sua trajetória política concentrada em São Paulo, José Maria Eymael é um dos fundadores do Partido Social Democrata Cristão. Na vida política desde a década de 1960, levanta a bandeira da democracia cristã, que ele resume como a promoção de uma "sociedade livre, justa e solidária". "Temos um compromisso vital com os valores do cristianismo e com todos os cristãos. Sejam eles católicos, evangélicos, espíritas ou de religiões afro-brasileiras", destaca.

Eymael sempre teve pouco tempo à disposição no horário político obrigatório no rádio e na TV. Porém, o democrata cristão tinha um diferencial: o seu jingle, composto pelo amigo e membro do PSDC, Raimundo de Castro. "O partido não sabia com que nome eu iria concorrer. pensamos em vários nomes e concluímos que, de forma alguma, poderia ser Eymael. Ele pediu dois dias para criar um jingle com o nome, deixei só para não magoar o amigo. Mas, deu certo."  

Consciente do pouco tempo que terá no horário político também nesta eleição, o candidato investe nas redes sociais. "A grande vitrine hoje não são o rádio e a TV. Vamos utilizar as redes sociais para compensar o pouco tempo que temos", enfatiza.

Entre as propostas do democrata cristão está a diminuição drástica no número de ministérios. "Meu objetivo é ter entre 15 e 20 ministérios. Vou dar fim a essa troca de cargos por apoio político", afirma. O número reduzido já comtempla duas novas pastas que estão no projeto do PSDC. "Vamos criar o Ministério da Família que vai oferecer uma política pública para proteger os valores da família brasileira." Outra criação será o Ministério da Segurança pública, que segundo o pré-candidato vai elaborar um plano nacional para o setor.

Apesar de confiante para a disputa presidencial, Eymael já pensa em quem pode apoiar caso a grande possibilidade de não ir ao segundo turno seja confirmada. "Sempre tive um lado. Houve um momento que cheguei a ser otimista com o governo da presidente Dilma, mas percebi que ela tem uma política meramente ideológica, com ligação com Cuba e Venezuela. Não sei ainda quem vou apoiar, mas não será ela. Sou oposicionista hoje e serei também no segundo turno". 

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