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Petrobras » Foster contraria Gabrielli e admite baixa probabilidade de recuperação dos investimentos em refinaria nos EUA Em audiência de seis horas no Senado, presidente da Petrobras reafirmou que faltaram informações ao Conselho

Paulo de Tarso Lyra

Étore Medeiros

Publicação: 16/04/2014 08:01 Atualização:

Em uma audiência de quase seis horas no Senado, a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, contrariou seu antecessor, José Sérgio Gabrielli, ao afirmar que a compra da refinaria de Pasadena (Texas) não foi um bom negócio. Para ela, não há como, do ponto de vista contábil, classificar a compra da refinaria como um excelente negócio. A executiva admitiu o constrangimento para a empresa com a prisão do ex-diretor de Abastacimento Paulo Roberto Costa, mas lembrou que a negociação foi conduzida pela área internacional, comandada à época por Nestor Cerveró, que estará hoje na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara.

Graça Foster admitiu que, na época em que a compra foi discutida, o negócio poderia parecer vantajoso. Hoje, não mais. “Isso é inquestionável do ponto de vista contábil. O projeto se transformou em um projeto de baixa probabilidade de recuperação do resultado”, completou. Mesmo assim, ela defendeu a presidente Dilma Rousseff, que presidia o Conselho de Administração da estatal em 2006, ano em que a compra foi efetivada e reforçou o argumento de que, durante as reuniões do Conselho de Administração que aprovaram a compra, não foram apresentadas as cláusulas que obrigavam a estatal a adquirir a totalidade de Pasadena em caso de desentendimento com o sócio e ao pagamento de dividendo mínimo. Mas acrescentou que, diferentemente do que tem sido publicado, a refinaria foi adquirida pela Astra por US$ 360 milhões e não, por US$ 42,5 milhões.

A presidente da estatal negou que haja loteamento de cargos políticos, pelo menos em sua gestão. Para os parlamentares oposicionistas, entretanto, ela não conseguiu responder por que Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró permaneceram tanto tempo na diretoria da empresa após terem induzido a presidente Dilma Rousseff ao equívoco da compra da refinaria. Ao assumir a presidência da estatal, em 2012, Foster exonerou Paulo Roberto. Cerveró foi transferido para o cargo de diretor financeiro da BR Distribuidora, um posto, segundo Graça Foster, mais modesto. “A direção da BR Distribuidora (é modesta)?”, ironizou o líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP). Para a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), a presidente da Petrobras conseguiu esclarecer todas as dúvidas sobre a compra da refinaria de Pasadena.

CPI só depois do feriado A visita de senadores da oposição ao Supremo Tribunal Federal (STF), na tarde de ontem, não foi suficiente para acelerar a análise da ministra Rosa Weber, que só decidirá o futuro da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras depois do feriado. Mesmo assim, Aécio Neves (PSDB-MG), Aloysio Nunes e José Agripino (DEM-RN) saíram otimistas do encontro com a magistrada. Ela é a relatora do mandado de segurança que pode obrigar o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a instalar uma CPI exclusiva para investigar a estatal, como quer a oposição; ou criar um colegiado amplo, que também apure irregularidades no metrô de São Paulo e nas obras da Refinaria Abreu e Lima e do Porto de Suape, ambos em Pernambuco, seguindo pretensão do governo.

Enquanto isso, na sessão do Congresso Nacional, foram lidos dois requerimentos de criação de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), com teor parecido aos que já tramitam no Senado. Poucos minutos após iniciada, no entanto, a sessão foi finalizada por falta de quórum.

As explicações

Confira os principais comentários de Graça Foster sobre a crise na Petrobras

Prejuízos com Pasadena
“Hoje, olhando aqueles dados, não foi um bom negócio, não pode ser um bom negócio. Isso é inquestionável do ponto de vista contábil. O projeto se transformou em um negócio de baixa probabilidade de recuperação do resultado”

Cláusulas omitidas
“Em nenhum momento do resumo executivo entregue ou da apresentação feita pela diretoria executiva ao conselho de administração foram apontadas essas duas questões, muito importantes. Não se falou da cláusula put option nem da cláusula Marlim”

Divergências com José Sérgio Gabrielli
“Não ouvi Gabrielli (ex-presidente da Petrobras) dizer que foi um excelente negócio, mas que, à época, foi considerado um bom negócio. Sou engenheira e, quando todas as cartas estão na mesa, nossa decisão de engenharia fica mais fácil”

Paulo Roberto Costa
“É um grande constrangimento para a Petrobras a prisão do ex-diretor Paulo Roberto (Costa). Todos os contratos com a participação dele estão sendo apurados. É o trabalho que podemos fazer, de melhoria da governança da diretoria”

Nestor Cerveró
“Foi removido para uma posição modesta. Todo o processo de Pasadena foi conduzido pela área internacional. Teve participação da área de abastecimento, mas a área internacional é que conduziu. É injustiça colocar tudo nas costas do Paulo Roberto Costa só porque ele está preso”

Aparelhamento da diretoria
O que eu digo na diretoria da Petrobras é que nós temos técnicos, engenheiros da casa, tanto atualmente quanto na diretoria anterior, e sempre tivemos um número bastante grande em outras diretorias no passado de bons técnicos da companhia”

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