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Governo do estado » Lyra e a arte de governar como oposição à União Posicionamento do governador no comando do estado ainda permanece uma incógnita

Agência Brasil

Publicação: 14/04/2014 08:51 Atualização:

Lyra reconheceu papel da gestão de Dilma no desenvolvimento econômico do estado. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press
Lyra reconheceu papel da gestão de Dilma no desenvolvimento econômico do estado. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press
A presidente Dilma Rousseff (PT) vai atrair os holofotes nesta segunda-feira (14), quando estiver em solo Pernambuco, no mesmo dia em que o ex-governador Eduardo Campos (PSB) vai lançar sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto. Mas os olhares também estarão voltados para o governador João Lyra Neto (PSB), cujo posicionamento político ainda é uma incógnita. Na primeira semana de governo, João Lyra se comprometeu em defender Eduardo e igualmente preservar as relações institucionais com a União. Mas aliados e adversários estão na expectativa quanto ao futuro. O novo governador quer imprimir sua marca com autonomia, mas alguns apostam que ele não terá tempo, considerando as limitações administrativas que se iniciam a partir de junho em virtude das eleições.

O ponteiro do relógio vai girar acelerado. Além de precisar equilibrar a ligação com Eduardo Campos, que optou pelo ex-secretário Paulo Câmara para disputar o governo pelo PSB, Lyra gera expectativa na relação com Dilma. Ele reconheceu o papel da gestão da presidente no desenvolvimento econômico do estado durante a posse do secretariado na última segunda-feira, gerando surpresa entre os presentes, tão acostumados a ouvir, nos últimos meses, declarações recheadas de críticas à petista. No entanto, na última quinta-feira, o governador fez cobranças duras ao governo federal, seja pedindo celeridade às obras da transposição do Rio São Francisco ou cobrando a Dilma a não discriminação ao estado durante o período eleitoral.

Atitude semelhante Lyra teve durante sua posse, no dia 4 de abril. Ao mesmo tempo em que usou verbos como "criar", "formatar", "inovar" e "iniciar", comprometeu-se em preservar a história existente entre os Lyra e os Arraes desde 1959, quando seu pai e o avô de Eduardo Campos, Miguel Arraes, formaram duas frentes populares no estado, uma no Recife, outra em Caruaru.

É por essas e outras razões que será difícil bater o martelo em tão pouco tempo. Aliados e adversários acreditam que será um mérito para o governador tocar a gestão nesse ritmo, tentando a neutralidade de um juiz, respeitando os adversários e defendendo o direito de ser respeitado como oposição ao PT. Mas tem sido comum ouvir entre as lideranças políticas que o novo governador tem um perfil mais aberto ao diálogo com os petistas que Eduardo. "A expectativa é de que isso seja uma marca sua", declarou o deputado Daniel Coelho (PSDB), um dos poucos na Assembleia a exercer a oposição nos últimos anos.

Para o deputado Silvio Costa Filho (PTB), um dos principais representantes do grupo ligado ao senador Armando Monteiro Neto (PTB) na Assembleia, houve um distencionamento entre o Executivo e o Legislativo com a saída de Eduardo do poder. Ele ressaltou, no entanto, que o bloco oposicionista fará uma cobrança firme à gestão nos próximos meses. "Vamos cobrar, por exemplo, a conclusão do presídio de Itaquitinga, a retirada do presídio de Itamaracá e a conclusão dos corredores de ônibus", enumerou Silvio Filho.

Os fatos preliminares mostram que, mesmo sem disputar a eleição estadual, João Lyra Neto vai ter de responder pelo governo do antecessor e enfrentar uma oposição que Eduardo não teve e a presença mais constante dos caciques do governo federal em Pernambuco. A cereja do bolo pode ser as manifestações de rua que tendem a eclodir nesse ano de Copa do Mundo e vai exigir do novo governador muito jogo de cintura.

Curiosidades

Um dos pontos que chamou a atenção no início do governo foi a criação da secretaria da Micro e Pequena Empresa. Para a oposição, o gesto mostrou uma lacuna existente. Já para a base governista, a iniciativa enfraquece o discurso dos adversários

Após a posse do secretariado, João Lyra reconheceu, diferente do que vinha fazendo seu antecessor, o ex-governador Eduardo Campos, o papel do governo Dilma no desenvolvimento do estado

Na primeira semana de governo, O primeiro prefeito a ser recebido por João Lyra foi José Queiroz, de Caruaru, terra natal do governador. Queiroz é visto como um dos principais adversários de Lyra, mas a reunião ocorreu em clima de trégua

O primeiro município a ser visitado por João Lyra foi Salgueiro, no Sertão. Ele viajou para esta cidade para receber dois ministros do governo Dilma Rousseff, Mirian Belchior e Francisco Teixeira, respectivamente titulares de Planejamento e Integração Nacional

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