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Eleições » Everaldo Pereira lança nesta terça a pré-candidatura ao Planalto Pastor vai brigar pelos votos que seriam de Marina Silva. Na mira do evangélico, estão os insatisfeitos com o atual governo

Correio Braziliense

Publicação: 08/04/2014 11:23 Atualização:

O Partido Social Cristão (PSC) lança hoje a pré-candidatura do vice-presidente da sigla, o pastor Everaldo Pereira, para a Presidência da República. Com a capacidade de mobilizar cerca de 3% das intenções de voto antes mesmo de oficializar a candidatura ao Planalto, segundo estimativas da própria legenda, o pastor promete dar trabalho a pelo menos uma das principais chapas que devem concorrer em outubro. A dupla Eduardo Campos e Marina Silva, ambos do PSB, é a que mais deve sentir o impacto da candidatura do evangélico, com a perda do voto de religiosos. De acordo com os dados que o PSC trabalha, o pastor é o quarto no ranking da preferência dos brasileiros para chefiar o Executivo federal.

Na busca por votos, a principal tarefa do pastor será sair do reduto da igreja, no Rio de Janeiro. A movimentação já foi iniciada, com uma série de viagens ao redor do país. “Não trabalho na igreja nem sou pré-candidato à presidência da igreja. O que temos são princípios cristãos, tenho voto em todas as frentes, independentemente da igreja”, diz Everaldo. Mesmo restrito aos evangélicos do Ministério Madureira, onde ele atua, os números são promissores. O local corresponde a 30% dos evangélicos da congregação, cerca de 4,8 milhões de fiéis — número equivalente a aproximadamente 3% dos eleitorado brasileiro. No pleito de 2010, com esses votos a mais, por exemplo, a então candidata Dilma Rousseff teria faturado as eleições ainda no primeiro turno.

Fator Feliciano
De acordo com Everaldo, lançar nome próprio à Presidência já estava nos planos da legenda desde janeiro de 2011. “Estávamos trabalhando nisso”, conta. Depois, as metas do partido passaram a incluir, no ano passado, a manutenção do pastor e deputado Marco Feliciano (PSC-SP) na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, apesar de toda a pressão de segmentos da sociedade para que o parlamentar abrisse mão do cargo. Foi naquele momento que o partido cresceu. “O fator Feliciano é um chamatório”, resume Everaldo.

Na avaliação de um aliado de Everaldo, a exposição de Marco Feliciano, somada ao fato de Marina Silva ter falhado em obter o registro da Rede Sustentabilidade na Justiça Eleitoral, teve como principal beneficiado o pastor Everaldo. “Antes de Marina anunciar a parceria com Eduardo Campos e se filiar ao PSB, o pré-candidato do PSC iniciaria a campanha com, no máximo, 1% das intenções de voto. As pesquisas recentes já mostram ele com 3%”, explica um parlamentar próximo do vice-presidente do PSC.

No novo cenário, o cálculo que tem sido feito é de que o candidato consiga até 10% das intenções de voto e seja um grande empecilho para quem esperava uma disputa acirrada entre a presidente Dilma Rousseff, o tucano Aécio Neves e o socialista Eduardo Campos. A análise de pessoas ligadas ao pastor é que o percentual crescerá devido aos votos da Assembleia de Deus, que costumavam ser direcionados para Marina e não foram transferidos para Campos.
As análises de Everaldo, no entanto, são ainda mais ambiciosas, e ele acredita que chegará ao segundo turno. “Só sei que estarei lá, e adversário não se escolhe.” Os que não acreditam nesse cenário dizem que, mesmo que o pastor não consiga chegar a um eventual segundo round, terá força suficiente para tumultuar as eleições.

Aliado de Garotinho
Corretor de seguros e formado em ciências atuariais pela Faculdade de Economia e Finanças do Estado do Rio de Janeiro, o pastor Everaldo Pereira é “a favor da criminalização das drogas e do casamento civil apenas entre homens e mulheres”. Com atuação na Assembleia de Deus de Madureira, bairro do Rio de Janeiro, o pastor foi alçado ao meio político por parceria com o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ). Em 2000, Garotinho era governador do Rio e Everaldo, subsecretário do Gabinete Civil. No cargo, coordenou o programa de distribuição de renda do governo fluminense, o Cheque Estadual. Ele permaneceu no Executivo local na gestão de Rosinha Garotinho, entre 2003 e 2007.

Em 2003, Everaldo se filiou ao PSC. Na vice-presidência do partido, ele aponta como seu maior feito o crescimento da sigla. Entre 2002 e 2010, a legenda passou de um deputado federal para 17 e um senador. Na eleição presidencial passada, o pastor foi um dos principais articuladores da campanha de Dilma Rousseff entre os evangélicos.

Além dos princípios cristãos, as bandeiras do pré-candidato incluem a moralização da política, a redução dos gastos públicos e maior agilidade da máquina pública para oferecer serviços de qualidade, como transporte, saúde e segurança pública. A prioridade, diz ele, será a educação. (GC)

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