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Nova publicação » Ditadura no Brasil nasceu no dia da mentira, provoca historiador pernambucano

Tércio Amaral

Publicação: 30/03/2014 13:05 Atualização: 01/04/2014 09:03

O cientista político José Nivaldo França o romance nesta terça-feira, quando o golpe de 1964 completa 50 anos. oto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press (Ricardo Fernandes/DP/D.A Press)
O cientista político José Nivaldo França o romance nesta terça-feira, quando o golpe de 1964 completa 50 anos. oto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press


Existem motivos para sorrir quando o assunto é ditadura militar? Pode parecer uma provocação, mas, às vezes, uma risada ou um leve toque irônico pode simbolizar uma crítica das mais ferozes. Quando o Golpe de 1964 completa 50 anos, o ex-professor do curso de história da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e especialista em marketing político José Nivaldo Júnior pretende fazer uma leitura diferente de um dos períodos mais nebulosos da trajetória do Brasil. O intelectual lança neste 1º de abril o livro 1964: O Julgamento de Deus, pela Editora Bagaço, na Livraria Cultura, no Recife Antigo, às 18h.

"Resolvi escrever um romance para ficar mais à vontade com relação aos acontecimentos. Assim, uso muitas licenças literárias, me inspirando em personagens reais para produzir ficção. Meu compromisso neste livro não é com o rigor factual e sim com o conteúdo da História", diz Nivaldo ao Diario. O história com "H" maiúsculo revela que o romance não deixa de ter valor historiográfico, apesar da proposta de uma escrita leve, e, como foi dito antes, com leves toques de humor e ironia.

 (Reprodução)
O historiador tem propriedade em falar sobre o tema. Foi preso na década de 1970 e testemunhou a violência dos militares que torturaram até a morte o líder de esquerda Manoel Lisboa na sede do Doi-Codi no Centro do Recife. A versão oficial dos militares foi que Manoel teria morrido após um tiroteio com policiais na cidade de São Paulo. A versão dada por José Nivaldo foi decisiva, no ano passado, para as investigações da Comissão da Verdade de Pernambuco, batizada de Dom Helder Camara. O livro, no entanto, apesar de contar com a experiência de vida do autor, não será recheado de documentos bombásticos ou revelações.

"Fui sequestrado no dia 29 de agosto de 1973 e preso oficialmente no dia 5 de outubro do mesmo ano. Respondi a dois processos, fui absolvido em ambos por falta de provas", recorda o autor. "Em junho de 1975 tive a prisão revogada, mas continuei tendo que me apresentar todo mês na auditoria e respondendo processos aqui no Recife e no Superior Tribunal Militar, em Brasília. Passei 21 meses e 19 dias nos cárceres".

O livro O julgamento de Deus não será uma biografia nem uma retrospectiva de fatos marcantes em sua vida como militante. No século 19, o imperador d. Pedro II ficou famoso ao dizer, já no exílio, que aguardava em seu "jazido a justiça de Deus" na voz da história. Perguntado se desejaria o mesmo, Nivaldo brinca: "Deus no banco dos réus? Sim".

"Descrevo, de modo irônico, irreverente e engraçado o próprio desencadear do golpe e os primeiros meses da ditadura. Começo mostrando que o 31 de março é uma fraude. A data verdadeira é primeiro de abril, o dia da mentira", relata. "Saio descrevendo as repercussões do golpe na vida das pessoas e intercalando histórias pitorescas que a própria repressão produz".

"O julgamento que dá título ao livro foi um ato de protesto de um grupo de jovens contestadores, visando criar constrangimentos para a ditadura e a igreja reacionária que apoiou o golpe. Repito que não é um livro de História muito menos sobre religião. É um romance político, com mistério, suspense, humor e um final, modéstia à parte, eletrizante", diz Nivaldo, que também é autor de Maquiavel: o poder, da Editora Martin Claret.

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Autor: Luzimar Braga
Foi em primeiro de abril Uma data rotineira Em que todos se divertem Na mentira e brincadeira Que militares chegaram E de verdade hastearam Da ditadura a bandeira. Pela data divertida Muitos nem acreditavam, Porém, nas grandes cidades Os seus atos confirmavam: Delegacias, cadeias, Estavam fican... | Denuncie |

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