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Críticas a Dilma » A elevação de voz de Eduardo Campos

João Vitor Pascoal - Diario de Pernambuco

Publicação: 23/03/2014 08:45 Atualização: 21/03/2014 19:59

De onde eram ouvidas apenas críticas à "velha política do Brasil", agora também saem declarações incisivas de que o "Brasil não aguenta mais quatro anos de Dilma". Ao passo em que as eleições se aproximam, o pré-candidato do PSB à Presidência, o governador de Pernambuco Eduardo Campos, tem elevado o tom nas críticas dirigidas ao atual governo. As frases impessoais, voltadas principalmente para a estrutura política do país, permaneceram, mas agora estão acompanhadas por uma estratégia mais agressiva, com ataques diretos à atual presidente Dilma Rousseff (PT).

De acordo com o mestre em ciência política e professor do Centro Universitário do Distrito Federal Valdir Pucci, a mudança de postura de Eduardo Campos é natural. Para ele, o pré-candidato precisa firmar uma posição para se mostrar para o eleitorado que ainda não o conhece, sobretudo, a classe média das regiões Sul e Sudeste, onde, segundo Pucci, a presidente Dilma tem uma grande rejeição. "Eduardo busca se mostrar na direção desse eleitorado. Ele tenta se colocar como alternativa à insatisfação presente", destaca.

Um dos canais utilizados por Eduardo para se posicionar contra a governo é sua página oficial no Facebook. Por meio dela, em dezembro do ano passado, ele criticou a ineficiência do governo federal em lidar com desastres naturais, como o ocorrido na época com as enchentes que atingiram o Espírito Santo. A maneira de execução dos programas sociais do governo, como o Bolsa Família, também foi alvo. Para o socialista, o governo federal "criou um programa e achou que o problema estava resolvido", mesmo sem estabelecer metas ou fiscalizar de perto.

Já em janeiro, o alvo principal foi o mau momento econômico vivido pelo país. Durante evento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington, nos Estados Unidos, o pré-candidato do PSB criticou a forma como o governo lidava com o controle da inflação, além de destacar que a gestão atual coloca em risco o acúmulo de democracia e estabilidade conquistados pelo governo Lula. "Eu vi o presidente Lula disputar o governo e acumular a democracia e a estabilidade como um ganho em uma sequência, na qual a gente cuida do que está errado e não desmancha aquilo que foi conquistado",criticou.

No mês seguinte, começou a se desenhar uma postura mais incisiva diante de Dilma Rousseff. No lançamento do programa de diretrizes do plano de governo da aliança do PSB com a Rede, Eduardo aproveitou para criticar o "quadro de estagnação" presente na saúde e na educação. Ainda segundo ele, as mudanças realizadas pelo governo nos dois ministérios visavam apenas um arranjo eleitoral. Na mesma ocasião, Eduardo elevou o tom para dizer que ninguém no país acha que "mais quatro anos 'do que está aí' vai fazer bem ao povo brasileiro".

A economia também esteve presente nas declarações realizadas no mês passado. Para o pré-candidato do PSB, nada se alterou na realidade brasileira desde 2011. O socialista declarou também que o governo estava "festejando a mediocridade", em vez de se preocupar com o cresciemento do Produto Interno Bruto (PIB) abaixo do esperado.

A mudança de postura gradual atingiu o ápice em março. Durante discurso em Nazaré da Mata, no último dia 8, Eduardo se referiu, pela primeira vez, nominalmente à presidente, dizendo que "o Brasil não aguenta mais quatro anos de Dilma". Ele afirmou também que a presidente "não soube tocar o Brasil do jeito que o Brasil precisava ser tocado", além de enfatizar que Dilma não respeita o diálogo democrático.

Ainda na ocasião, o pré-candidato do PSB sugeriu que a presidente "não sabe de nada", por achar que sabe de tudo e não ter sabedoria para aprender com o povo. Já no dia 16, em Surubim, o governador disse que o Brasil está derretendo na inflação e no populismo, e que a presidente está "entregando cargos como se estivesse distribuindo bananas ou laranjas".

Na opinião de Valdir Pucci, mesmo com um potencial de crescimento plausível, a postura adotada pela pré-candidatura de Eduardo ainda não é suficiente para evitar a reeleição de Dilma. De acordo com ele, mesmo que a oposição à gestão atual se intensifique, o pré-candidato do PSB precisa de mais. "É importante que ele tenha um discurso que seja identificado pelo eleitor, por mais que atacar a Dilma surta efeito inicialmente". Um ponto fundamental para a vantagem de Dilma é, segundo Pucci, o fato da presidente estar com a "máquina do Estado". "Estar no poder é um bônus, mesmo com o risco de ser a 'vidraça'. Para qualquer candidatura, a busca pela reeleição é muito mais fácil que a tentativa de derrotar quem está no governo", enfatizou.

Fator Lula

Apesar de ser o padrinho eleitoral de Dilma, o ex-presidente é poupado das críticas de Eduardo. Em seus discursos, o pré-candidato do PSB destaca sistematicamente que Dilma não soube dar continuidade aos avanços obtidos durante os dois mandatos de Lula. Segundo o socialista, a presidente "não deu conta de melhorar o país", após "receber o Brasil das mãos do presidente Lula". Para Pucci, a estratégia de não deixar as críticas respingarem em Lula beneficia Eduardo na corrida eleitoral. "Lula é um ícone no imaginário político brasileiro. Bater em Lula seria como ir contra às conquistas obtidas por parte da população durante seu governo. Se colocar contra ele pode ser interpretado como uma postura contra essas conquistas".

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