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Ditadura militar » Polêmica sobre endereço entre pesquisadores

Tércio Amaral

Publicação: 23/03/2014 11:49 Atualização: 21/03/2014 19:27

Historiador Diogo Barreto relata que na documentação oficial não existe registro sobre o local exato. Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press
Historiador Diogo Barreto relata que na documentação oficial não existe registro sobre o local exato. Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press
O historiador Rodrigo Araújo defendeu uma dissertação de mestrado na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) no ano passado sobre a Colônia de Férias de Olinda. A partir de alguns relatos e uma indicação manuscrita que encontrou em documentos, ele indica que a unidade funcionou no antigo Quartel do Grupo de Artilharia de Costa Mecanizado, no Bairro Novo, em Olinda. Atualmente, no local funciona um supermercado de uma rede famosa e em outra parte do terreno já descaracterizado será construído um shopping center. Não existe qualquer registro sobre a passagem de presos políticos na região.

A professora do curso de história da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Marcília Gama aponta uma residência localizada na Avenida do Farol, em Olinda, como sede ou possível ponto de apoio da colônia. Marcília localizou fotos de uma sala de inquérito da unidade e da residência quando era chefe do setor do Dops do Arquivo Público de Pernambuco. A casa era residência de um agente secreto do estado, José Estevão Galhardo, envolvido em escândalos de agressão e de tráfico de armas na década de 1950. “Como ficava muito próxima do quartel, ela pode ter sido alugada posteriormente para esse fim”, atesta.

A reportagem do Diario esteve nos dois locais. No caso da residência, ao ver a foto da época, uma moradora disse que não se tratava da mesma casa. Poucas mudanças foram feitas na fachada do imóvel desde a década de 1960. Ela também desconheceu o funcionamento da colônia. O historiador Diogo Barreto, atual chefe do arquivo do Dops, relata que na documentação oficial não existe registro sobre o local exato. Os presos chegam à unidade, geralmente, com os olhos vedados. “O regime militar teve outras colônias no estado. Era uma prática comum. Na Colônia de Férias de Dois Unidos (Zona Norte do Recife), eram presas prostitutas, usuários de drogas e foragidos da justiça na Operação Limpeza, uma semana antes do carnaval. Quando a festa terminava, eram soltos e a unidade voltava às suas atividades normais”.

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