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Investigação » Ex-diretor da Petrobras é preso Antigo chefe do setor de Abastecimento da Petrobras é acusado de envolvimento em lavagem de dinheiro. Ele também é investigado no processo que apura a compra da refinaria em Pasadena

Paulo de Tarso Lyra

Amanda Almeida

Publicação: 21/03/2014 08:00 Atualização:

No dia seguinte à divulgação da desastrosa nota da presidente Dilma Rousseff alegando ter sido induzida ao erro por falta de informações relativas à compra da Refinaria de Pasadena, no Texas, a Polícia Federal prendeu o ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, envolvido nas investigações da Operação Lava a Jato, deflagrada na segunda-feira para desarticular organizações criminosas suspeitas de lavagem de dinheiro, envolvendo cifra superior a R$ 10 bilhões. Costa também é investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) do Rio de Janeiro por irregularidades na Operação Pasadena.

Costa chegou à diretoria da empresa pela mãos do ex-líder do PP na Câmara e ex-réu do mensalão petista, José Janene (PR), morto em 2010 por complicações decorrentes de problemas cardíacos. Em 2006, quando o PP começou a perder diversos cargos no Executivo Federal e o PT pressionava para que a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT) assumisse o Ministério das Cidades, Paulo Roberto bateu às portas do Senado Federal e pediu acolhida ao PMDB. Passou, então, a ser apadrinhado do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), o que lhe garantiu a permanência no cargo até fevereiro de 2012.

O ex-diretor da Petrobras havia sido conduzido pela PF na segunda-feira para prestar esclarecimentos por suposto envolvimento no esquema de lavagem de dinheiro com doleiros. De acordo com a PF, ele foi preso ontem por “tentativa de destruição e inutilização de documentos que poderiam servir de prova nas investigações da Operação Lava a Jato”. Costa teria ganhado um carro de um dos doleiros presos – Alberto Youssef. Foram apreendidos na casa do ex-diretor da Petrobras R$ 700 mil e US$ 200 mil, todos em espécie. A defesa dele entrou com pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Ele alega que o carro foi pagamento por serviço prestado a Youssef.

A PF prendeu, na segunda-feira, 24 pessoas na Lava a Jato. Entre elas, está o condenado no processo do mensalão Enivaldo Quadrado, ex-sócio da corretora Bônus Banval. Foram apreendidos pelo menos R$ 5 milhões em espécie, 25 carros – avaliados em mais de R$ 100 mil cada –, joias, relógios, obras de arte, documentos e computadores. Três hotéis foram bloqueados. O MPF do Rio confirmou que Costa é investigado também por envolvimento em supostas irregularidades na compra de Pasadena. Mas não informou detalhes, alegando que o caso está sob sigilo. Na terça-feira, ao jornal Estado de S.Paulo, a presidente Dilma disse ter votado a favor da compra da refinaria em 2006 porque recebeu “informações incompletas” de parecer “técnica e juridicamente falho”. A compra de Pasadena gerou prejuízo bilionário a Petrobras.

Padrinhos

Paulo Roberto Costa é mais um diretor da Petrobras envolvido de maneira suspeita na compra da refinaria norte-americana que é apadrinhado do PMDB do Senado. O outro nome é o ex-diretor da área internacional da Petrobras e atual diretor da BR Distribuidora, Nestor Cerveró, também, em tese, ligado ao presidente do Senado, segundo o senador Delcídio Amaral (PT-MS). Cerveró teria sido o autor do parecer técnico que induziu o Conselho da Petrobras “ao erro” durante o processo de aquisição da refinaria de Pasadena.

Renan negou que tenha indicado Cerveró para o cargo. “O Delcídio deve estar muito preocupado. Não se trata de saber se o Delcídio indicou o Cerveró ou não. O Delcídio tem que ficar despreocupado porque certamente não indicou o Cerveró para que ele roubasse a Petrobras. Ele deve ficar tranquilo”, alfinetou Renan. Delcídio manteve a posição. “Perguntaram-me, em 2003, se Cerveró era um bom nome e eu disse que sim, era um funcionário de carreira, mas a indicação foi do PMDB. É a velha tática de abandonar o barco, “rei morto, rei posto”, provocou o petista.

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