Governo tem mais um dia de guerra com o Congresso | Política: Diario de Pernambuco
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Novo enfrentamento » Governo tem mais um dia de guerra com o Congresso Aliados insatisfeitos convocaram 10 ministros, um secretário e a presidente da Petrobras prestar esclarecimentos

Paulo de Tarso Lyra

André Shalders - Correio Web

Denise Rothenburg

Publicação: 13/03/2014 08:36 Atualização:

Em mais um dia da guerra travada pelo Palácio do Planalto com a base aliada no Congresso, o governo foi massacrado com a aprovação de convocações e convites para 10 ministros de Estado (veja lista abaixo), um secretário-executivo – Márcio Zimmermann de Minas e Energia, e a presidente da Petrobras, Graça Foster. Depois de ser derrotado na véspera pelo blocão de 250 deputados que aprovou a criação da comissão externa para investigar a Petrobras, a presidente Dilma Rousseff amargou mais um revés capitaneado pelo grupo de insatisfeitos, tendo à frente o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ).

A quarta-feira só não foi mais cinzenta porque, no apagar das luzes da terça-feira, o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, ligou para o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), pedindo que o projeto do Marco Civil da Internet não fosse votado em plenário. Henrique consultou os líderes partidários e transferiu a análise da matéria, considerada fundamental para o governo ter o que apresentar no IV Fórum da Internet no Brasil, que acontecerá no final de abril – para a semana que vem.

Foi mais um dia nervoso na Praça dos Três Poderes. “Meu telefone tocou o dia inteiro, foi um inferno”, admitiu o líder do governo na Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Houve bate-boca em diversas comissões, mas o maior entrevero aconteceu na Comissão de Foi mais um dia nervoso na Praça dos Três Poderes. “Meu telefone tocou o dia inteiro, foi um inferno”, admitiu o líder do governo na Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Houve bate-boca em diversas comissões, mas o maior entrevero aconteceu na Comissão de Fiscalização e Controle, envolvendo Eduardo Cunha e o líder do PP na Câmara, Dudu da Fonte (PE). Na terça-feira, Mercadante conseguiu que o PDT e o PP saíssem do blocão. A retaliação foi fulminante: Manoel Dias (Trabalho) e Aguinaldo Ribeiro (Cidades) foram convocados para explicar irregularidades.

Um comitê de crise foi formado no Planalto, com conversas por telefone e reuniões constantes envolvendo a presidente Dilma, Mercadante, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti e o vice-presidente Michel Temer. No meio da tarde, Ideli foi ao presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), pedir ajuda no relacionamento com a Câmara. Saiu irritada sem falar com a imprensa. Mercadante pediu para o líder do PTB no Senado e vice-presidente do Senado, Gim Argello (DF), que acalmasse os petebistas da Câmara. “Se ele (Gim) não está gostando do que estou fazendo, que trabalhe para me destituir da liderança da bancada. Nós só conversaremos com o governo quando percebermos que eles querem conversar, não nos cooptar”, disse o líder do partido na Câmara, Jovair Arantes (GO).

Os sinais emitidos pelo Planalto, no entanto, são de que a corda vai continuar sendo esticada. “É fato: quanto mais a presidente bate no Congresso, mais ela ganha pontos perante a opinião pública. Para o deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), também lulista de carteirinha, Dilma erra ao comprar briga com o Parlamento. “Quem faz campanha são os deputados”, lembrou.

Para o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), o peso do corpo a corpo numa eleição presidencial é menor, já que o que conta, nesses casos, é a propaganda na televisão. Ainda assim, Zarattini está incomodado com a situação e enxerga perigos nela. O petista lembra que, durante o horário eleitoral, três dias serão dedicados aos candidatos a presidente e os outros três, aos postulantes para os governos estaduais.

Incomodado com o que considera inépcia do Planalto, um grupo de petistas reuniu-se ontem no gabinete do ex-presidente da Casa, Marco Maia (RS). Eles decidiram formar um grupo, com nomes como Ricardo Berzoni (SP), Cândido Vaccarezza (SP), José Guimarães (CE), Vicentinho (SP) e Paulo Teixeira (SP), para tentar acalmar o próprio partido, os aliados e criar um canal de interlocução com o Planalto.

Sob Pressão

Os ministros que deverão prestar esclarecimentos ao Congresso

Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência)
Jorge Hage (Controladoria Geral da União)
Manoel Dias (Trabalho)

» Convocados pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle
» Esclarecimentos sobre irregularidades em repasses do governo para ONGs

Aguinaldo Ribeiro (Cidades)
» Convocado pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle
» Esclarecimentos sobre andamento de obras de mobilidade urbana

Arthur Chioro (Saúde)
» Convidado pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle
» Esclarecimentos sobre a contratação de profissionais cubanos no programa Mais Médicos

Marco Antônio Raupp (Ciência e Tecnologia)
Paulo Bernardo (Comunicações)
» Convidados pela Comissão de Ciência e Tecnologia
» Esclarecimentos sobre as ações realizadas em 2013 e as planejadas para este ano

Francisco José Coelho Teixeira (Integração Nacional)
» Convidado pela Comissão de Integração Nacional
» Esclarecimentos sobre programas desenvolvidos na pauta

Moreira Franco (Secretaria de Aviação Civil)
» Convidado pela Comissão de Viação e Transportes
» Apresentação dos projetos de modernização do setor aéreo

Aldo Rebelo (Esporte)
» Convidado pela Comissão de Esporte a apresentar "planos" e "projetos" da pasta.

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