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Crise na base aliada » PMDB se alia ao blocão e Dilma perde de goleada na Câmara Bancada do partido na Câmara defende revisão da aliança com o PT, ajuda a aprovar comissão para investigar suspeita de propina na Petrobras e prepara novas investidas contra o Planalto

Paulo de Tarso Lyra

Naira Trindade - Correio Braziliense

Amanda Almeida

Publicação: 12/03/2014 07:27 Atualização: 12/03/2014 09:02

Deputados durante sessão sobre a criação da comissão externa, aprovada por 267 votos favoráveis, 28 contrários e 15 abstenções: próximo passo será derrotar o governo na votação do marco civil da internet. Foto: Gustavo Lima/Agência Câmara
 (Gustavo Lima/Agência Câmara)
Deputados durante sessão sobre a criação da comissão externa, aprovada por 267 votos favoráveis, 28 contrários e 15 abstenções: próximo passo será derrotar o governo na votação do marco civil da internet. Foto: Gustavo Lima/Agência Câmara

Um dia depois de a cúpula do PMDB reunir-se com a presidente Dilma Rousseff para discutir a relação, a bancada do partido na Câmara declarou independência, defendeu a revisão da aliança com o PT no plano nacional e apoiou a criação da comissão externa para investigar as suspeitas de pagamento de propina para a Petrobras, aprovada às 20h dessa terça-feira por 267 votos favoráveis, 28 contrários e 15 abstenções. O próximo passo será derrotar o Planalto na votação do Marco Civil da Internet. Além disso, ao lado do blocão de 250 deputados, os peemedebistas preparam-se também para aprovar a convocação do ministro da Saúde, Arthur Chioro, para explicar por que ele levou a esposa em um avião da FAB para o carnaval em Salvador, Recife e no Rio de Janeiro.

No Chile, onde acompanhou a posse da presidente Michelle Bachelet, Dilma ainda tentou colocar panos quentes na crise. "Olha aqui, eu vou te falar uma coisa: o PMDB só me dá alegrias". Questionado sobre as palavras da presidente após a reunião em que o partido rompeu com o Planalto, o líder Eduardo Cunha (RJ) arrematou. “O PMDB nunca faltou ao governo nos momentos em que este precisou. Deve ser a isto que ela se referiu”, ironizou.

Em quatro horas de reunião no corredor das comissões, os deputados do PMDB criticaram tudo e todos. Sobrou até para o vice-presidente Michel Temer, que assegurou, recentemente, que a aliança com a presidente Dilma está mantida. “O próprio Temer repreendeu os deputados que defendiam o rompimento da aliança alegando que esse assunto é da alçada da convenção nacional. Se não podemos defender o rompimento, ele, sozinho, não pode assegurar a manutenção da mesma”, defendeu o deputado Leonardo Picciani (RJ).

Na reunião da bancada, Picciani anunciou a decisão do diretório fluminense do PMDB de romper com o PT e com Dilma e encaminhar apoio à candidatura do tucano Aécio Neves (MG) ao Palácio do Planalto. Em Minas Gerais, a tendência pode ser a mesma. “É muito difícil pedir votos contra Aécio em Minas. Em Goiás, eu vou defender o apoio ao governador Eduardo Campos (PSB)”, disse o deputado Sandro Mabel (GO).

Os deputados aprovaram, de maneira unânime, uma nota com cinco pontos: apoio irrestrito ao líder Eduardo Cunha; um alerta de que Cunha é o único interlocutor dos interesses da bancada; a reiteração da decisão de que o partido não indicará nomes para suceder os atuais ministros da Agricultura e do Turismo; a definição de que o apoio se dará a cada matéria e não mais de forma direta como um partido aliado; e o pedido para que a Executiva Nacional do PMDB examine “a qualidade da aliança com o PT”.

Cunha afirmou que não cabia à bancada decidir pelo rompimento com Dilma, pois esse é um assunto que precisa ser tratado na convenção nacional. Alguns deputados querem antecipar essa consulta. Responsável por procurar os diretórios estaduais, o deputado Danilo Forte (CE) garante já ter 11 assinaturas favoráveis – são necessárias apenas nove – à troca de junho para abril da data da convenção. “O Planalto disse que somos fisiológicos. É claro que, quem está no governo, sempre quer participar diretamente da execução das políticas públicas. Mas o PT transformou a máquina em um cabide de empregos para os companheiros e diz que só os outros são fisiológicos”, completou Danilo.

Alguns interlocutores do partido acreditam que Cunha poderá ficar isolado, já que o PMDB do Senado e o vice-presidente, Michel Temer, são bem mais condescentes com o governo. “O PT tem 17 tendências. O PMDB do Senado e da Câmara têm visões distintas sobre determinadas coisas”, disse Cunha, destacando que o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) recusou-se a aceitar o cargo de ministro do Turismo, vaga que, em tese, pertence ao PMDB da Câmara.

Reforma no forno

Dilma Rousseff quer concluir a emperrada reforma ministerial até sexta-feira e evitar que a crise na base, incendiada pelo PMDB, contamine os demais partidos . A presidente já tinha avisado o PMDB que, quando retornasse do Chile, ela desembarcaria em Brasília na noite de ontem -, chamaria a cúpula partidária para discutir espaços no governo, o que deve ocorrer hoje. Ainda ontem, o chefe da Casa Civil, ministro Aloizio Mercadante, conversou com quatro legendas, PDT, PP, PR e PTB, para discutir as alianças estaduais e os cargos que essas siglas terão no mapa da Esplanada. Dilma quer empossar toda a equipe ainda esta semana, encerrando uma novela que se arrasta há seis meses.

O PP deve apresentar o nome do vice-presidente de Governo da Caixa Econômica Federal, Gustavo Occhi, para o Ministério das Cidades. Occhi seria uma alternativa à disputa interna no partido para a sucessão do atual titular da pasta, Aguinaldo Ribeiro, também do PP. O ministro queria indicar o secretário executivo Alexandre Cordeiro Macedo para sucedê-lo. A bancada, especialmente a da Câmara, não concorda, porque Macedo não teria beneficiado a sigla na liberação das emendas.

Os deputados queriam indicar o presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI), mas ele recusou. Ontem, Nogueira desmentiu que Occhi seja o favorito. “Temos três nomes que se enquadram no perfil que a presidente deseja. Cabe a ela decidir”, disse Nogueira. Mercadante pediu também o apoio em Pernambuco e em São Paulo aos candidatos aliados ao Planalto, Armando Monteiro (PTB) e Alexandre Padilha (PT), respectivamente.

Movimentos Pedido semelhante foi feito ao PDT. “Nós fizemos uma análise do cenário, estado por estado, e ele (Mercadante) me pediu para estarmos juntos onde for possível”, afirmou Carlos Lupi, presidente do PDT. Por volta da hora do almoço, o ministro-chefe da Casa Civil se reuniu com o Pros. O partido deve ficar mesmo com o Ministério da Integração Nacional, a partir da efetivação de Francisco Teixeira, afilhado político dos irmãos Cid e Ciro Gomes.

Já o PTB insiste na tese de que não indicará nomes. “É claro que a presidente é livre para nomear quem ela desejar, mas vamos apoiá-la independentemente de cargos”, declarou o presidente nacional do partido, Benito Gama.

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