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Para evitar vaia » Dilma Rousseff e Joseph Blatter decidem não discursar durante Copa do Mundo Na tentativa de evitar novos constrangimentos a Dilma e a ele próprio, presidente da Fifa quer evitar a exposição de autoridades nos estádios

Renata Mariz - Correio Braziliense

Publicação: 12/03/2014 07:22 Atualização:

Para evitar que sejam vaiados, como ocorreu na Copa das Confederações, em junho passado, a presidente Dilma Rousseff e o presidente da Fifa, Joseph Blatter, não vão discursar na abertura do Mundial, que começa em 92 dias. A informação, declarada pelo próprio Blatter à imprensa alemã e confirmada pela Fifa, causou mal-estar no Palácio do Planalto, que preferiu não se manifestar sobre o assunto. “Vamos fazer a cerimônia de uma maneira em que não aconteçam discursos”, disse Blatter, na Europa. Ele emendou, entretanto, estar convencido de que “a situação se tranquilizou”, referindo-se aos protestos no Brasil. Enquanto isso, o governo ainda não enviou ao Congresso Nacional o projeto de lei para coibir as manifestações violentas, ao mesmo tempo em que prevê o uso da Força Nacional de Segurança em situações de emergência.

O anúncio de que a abertura não contará com discursos oficiais da autoridade máxima do país contraria uma tradição de Copas do Mundo, evento internacional em que o presidente da nação anfitriã tenta aproveitar ao máximo a visibilidade proporcionada (veja quadro). Remete também a um vexame recente protagonizado por Dilma e Blatter. Na cerimônia que deu início à Copa das Confederações, no Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, em 15 de junho do ano passado, a hostilidade da torcida começou antes mesmo de eles pegarem o microfone. Sentados na tribuna, foram alvo das primeiras vaias ao aparecerem nos telões da arena esportiva, com as seleções do Brasil e do Japão já enfileiradas no campo. Quando Blatter começou a discursar em português, o barulho de reprovação aumentou. O dirigente da Fifa tentou reverter a situação: “Amigos do futebol, onde está o respeito, onde está o fair play?” Em vão.

Os gritos tornaram-se ainda mais altos, deixando a presidente visivelmente irritada. Ela se restringiu a ler a frase, prevista no roteiro, em que declarou aberta a Copa das Confederações no Brasil. A saia justa em campo, aliada aos protestos que tomaram as ruas do país, levaram Dilma a desmarcar o discurso previsto para a partida final dos jogos, em 30 de junho. Com a recusa do Palácio do Planalto em se manifestar oficialmente sobre as declarações feitas por Blatter ontem, fica a dúvida sobre se a decisão de eliminar pronunciamentos da abertura do Mundial foi anunciada antes da hora, atropelando o governo, ou se partiu da Fifa, de forma unilateral. Qualquer dos dois casos azeda ainda mais a relação entre as autoridades brasileiras e a entidade mundial do futebol. Questionada pela reportagem se a decisão de vetar os pronunciamentos era definitiva, a Fifa afirmou que não comentaria nada além do que Blatter havia declarado.

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