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Opinião » Alta taxa de homicídios no Brasil impede reflexão sobre crimes na ditadura, diz historiador

Tércio Amaral

Publicação: 10/03/2014 15:02 Atualização: 11/03/2014 09:05

 (Tércio Amaral/DP/D.A Press)
O professor do College London e historiador inglês Anthony Pereira roubou a cena na manhã desta segunda-feira (10) durante a abertura de um congresso internacional sobre os 50 anos do Golpe Militar de 1964 na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), no Centro do Recife. O acadêmico apresentou uma tese sobre a falta de interesse geral da população sobre a investigação de crimes políticos, casos de tortura e assassinatos ocorridos durante a ditadura brasileira (1964-1985). "Quando você tem uma alta taxa de criminalidade, como nos dias atuais, é difícil pensar e refletir numa estrutura do passado", disse ao Diario.  
 
Numa apresentação de 25 minutos, o inglês, que tem formação na Universidade de Harvard e chegou a morar no Recife na década de 1990, defendeu que em outros países da América Latina estes crimes cometidos no período são mais contestados. "Como você pode valorizar os casos e os crimes contra a humanidade se tem gente morrendo a todo momento? É importante o trabalho desenvolvidos pelas comissões (da Memória e da Verdade e as de Anistia) no Brasil, mas este é um fator importante. O cidadão pergunta: para que investigar algo do passado se hoje não é investigado?".
 
O acadêmico também citou números das Organizações das Nações Unidas e disse que a taxa de homicídios no país chega a 43 mil por ano. Em regimes ditatoriais em países vizinhos, segundo ele,  o índice de crimes diminuiu com o fim dos regimes militares. "Na Argentina, é uma taxa que chega a 1 mil por ano. No Chile, uns 500. Por isso que lá, quando se olha o alto número de mortos no passado, a população fica chocada. É uma sensação diferente. Não falo isso para desmotivar as investigações atuais e que estão em curso no Brasil".
 
Outra posição polêmica do historiador inglês foi no quesito tortura. Para Anthony, boa parte destes crimes cometidos durante o regime militar (1964-1985) já aconteciam antes do Golpe de 31 de Março de 1964, que completa 50 anos neste mês. "A população mais pobre já recebia este tratamento dos órgãos policiais. O que mudou foi que, com a ditadura, a classe média que fazia oposição aos militares começou a sofrer com estas práticas e mexeu com a opinião pública. Mas não houve novidades neste sentido (torturas)".
 
A mesa de debates em que Anthony participou contou com as presenças do jornalista Luis Nassif e da representante da Comissão de Familiares Anistiados do Brasil Iara Xavier Pereira. O encontro sobre os 50 anos do Golpe de 1964 que acontece na Unicap vai até até o dia 14 de março. No dia 13, o congresso deve receber o juiz espanhol Baltazar Garzón, que ficou conhecido por ser o autor do mandado de prisão do ex-presidente ex-senador vitalício do Chile Augusto Pinochet, em 1998. 

Esta matéria tem: (1) comentários

Autor: waldir tavares
A alta taxa de homicídio no nosso Brasil continua. O que fazer meu povo; esperar a morte chegar sem que se tome uma atitude enérgica; pois as policias estão feito cego em tiroteio, não sabem mais o que fazer. Não podemos esperar mais; porte de arma ao cidadão para sua defesa pessoal, é o único jeito. | Denuncie |

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