• (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Articulador » Relações políticas entre "tapas e beijos" de Sérgio Guerra Polêmico, articulador e perspicaz, Guerra acumulou muitos amigos e inimigos em toda a vida pública

Tércio Amaral

Franco Benites

Publicação: 07/03/2014 08:26 Atualização: 07/03/2014 10:00

Com a morte do deputado federal Sérgio Guerra (PSDB), Pernambuco perde um dos seus maiores articuladores políticos. Conhecido pelo raciocínio perspicaz e crítica implacável, o tucano acumulou muitos amigos e adversários na vida pública. Entre os inimigos, a ex-deputada Cristina Tavares (já falecida), que chegou a dizer que Guerra era “uma inteligência rara à procura de um caráter”.

Sem meias-palavras, Guerra se revelou um grande “frasista”, tanto para defender os aliados quanto para fustigar os opositores. As pessoas mais próximas do deputado afirmam que uma de suas principais características era saber ser contundente - para o bem e para o mal. As frases certeiras de Guerra em cima dos adversários decorriam da capacidade de observação do tucano. Ele costumava pegar uma característica específica do seus desafetos e, a partir daí, iniciava o embate. “Ele acertava na mosca o defeito do desafeto”, destaca Evandro Avelar, membro da executiva estadual do PSDB e um dos mais próximos a Guerra.

A língua ferina dele também era usada para fazer a defesa dos seus aliados e projetos políticos. Ele tornou o PT um dos principais alvos. Enquanto muitos poupavam críticas à figura do ex-presidente Lula ou da presidente Dilma, Guerra não economizava nas provocações. A regra pessoal do deputado era única e imutável: sob a sua guarda, nenhum aliado “passaria chuva ou sereno”.

A elaboração de frases mordazes era apenas uma das características de Guerra. O tucano também se destacou na vida pública pela capacidade de transitar por vários partidos, ampliando seu prestígio ou poder. O primeiro mandato, como deputado estadual, foi em 1982 pelo PMDB. Quatro anos depois foi reeleito pelo PDT. Já em 1989, se filiou ao PSB, do então governador Miguel Arraes, já falecido.

No governo Arraes, ocupou a Secretaria de Indústria e Comércio. Ao longo de sua história política, as mudanças para partidos antagônicos não foram raras. Onde os adversários viam aproveitamento político, os aliados apontavam a capacidade de aglutinação. “A política tem caminhos tortuosos que às vezes separam as pessoas, mas Guerra conseguia deixar sempre um caminho de volta”, destaca Avelar.

Reviravolta
A entrada de Guerra no PSB representou uma virada em sua carreira política, quando conquistou, em 1991, seu primeiro mandato como deputado federal, sendo reeleito na disputa seguinte. Em seguida, filiou-se ao PSDB e conquistou dois mandatos como deputado federal e seu único mandato como senador. O tucano foi eleito com o apoio do atual senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), com quem trocou farpas e elogios.
A relação de Guerra com Jarbas começou a se desgastar em 2010, quando o peemedebista disputou novamente o governo de Pernambuco e acusou o aliado de fazer “corpo mole” na campanha contra o governador Eduardo Campos (PSB), seu adversário à época. Em 2007, Guerra assumiu a presidência nacional do PSDB e ficou no cargo até 2013. O trabalho feito no ninho tucano resultou em sucessivos elogios do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Etava presidente do PSDB pernambucano e optou por apoiar o governo Eduardo Campos.

Saiba mais

Paixões do ex-deputado

Cavalos
Sérgio Guerra era um dos mais importantes criadores de cavalos do país. De sua propriedade, em Limoeiro, no Agreste, saíram vários mangalargas premiados em exposições pelo Brasil afora. Muitos deles foram exportados para a Europa

Pinacoteca
Quem observar as paredes da casa de Sérgio Guerra e da sua fazenda vai encontrar um dos mais ricos acervos de pinturas assinadas por artistas radicados em Pernambuco. Entre eles estão Reinaldo, João Câmara e Francisco Brennand

UFC
Adquiriu nos últimos anos grande paixão pelas lutas do Ultimate Fighting Championship (UFC). Era, inclusive, amigo de Dana White, ex-pugilista norte-americano que preside o UFC e o homem mais poderoso da bilionária indústria do MMA

Linha do tempo

Sergio Guerra nasceu em 9 de novembro de 1947 no Recife. Estudou economia na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e economia internacional na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos

Influenciado pelo pai, Pio Guerra, e um dos irmãos, José Carlos Guerra, com passagens pelo legislativo estadual, milita no movimento estudantil na universidade e se filia ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que fazia oposição ao regime militar (1964-1985)

Pelo MDB, conquista seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa de Pernambuco, em 1982. Renova seu mandato na legislatura seguinte, mas filiado ao PDT

Em 1985, Sérgio Guerra coordenou a campanha de Sérgio Murilo a prefeito do Recife, tirando Jarbas Vasconcelos da disputa pelo PMDB e levando-o a se filiar ao PSB. A disputa foi tão acirrada entre os dois que foi distribuída carta anônima na qual Jarbas era acusado de espancar o próprio pai. Em contrapartida, a campanha de Jarbas divulgou que Sérgio Murilo havia praticado um assassinato. Jarbas foi eleito como represnetante da esquerda.

Em 1990, Sérgio Guerra também filiou-se ao PSB do governador Miguel Arraes (já falecido) e conquista seu primeiro mandato de deputado federal, sendo reeleito pelo partido na disputa seguinte

No ano de 1999, Sérgio Guerra deixa o PSB, mas mantém uma “boa relação” com as lideranças do partido, entre elas o atual governador Eduardo Campos. O deputado disputa o mandato pelo PSDB, no qual sai vitorioso

Na mesma época, participou do governo de Jarbas Vasconcelos (PMDB), ocupando a Secretaria Extraordinária de governo. Na ocasião, Jarbas era adversário do ex-governador Miguel Arraes

Em 2002, Sérgio Guerra sobe no palanque de Jarbas Vasconcelos, candidato à reeleição ao governo de Pernambuco, e sai candidato ao Senado com o ex-senador Marco Maciel (DEM). A chapa venceu.

No mesmo ano, Sérgio Guerra teve o nome envolvido no escândalo dos “anões do orçamento”, cuja acusação era de parlamentares que manipulavam recursos do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). Seu adversário, o ex-governador Carlos Wilson, já falecido, que também disputava a vaga no Senado, contratou um anão para a campanha. Guerra foi absolvido das acusações

Na disputa eleitoral de 2010, a relação entre Sérgio Guerra e Jarbas Vasconcelos (PMDB) começa a azedar. Guerra desiste de concorrer ao Senado, disputando uma vaga na Câmara, e Jarbas o acusa de fazer “corpo mole” em sua campanha ao governo de Pernambuco

Entre os anos de 2007 a 2013, assume a presidência nacional do PSDB. No partido, coordenou as campanhas presidenciais de Geraldo Alckmin (2006) e José Serra (2010). Foi substituído pelo senador mineiro e presidenciável Aécio Neves

No ano passado, Sérgio Guerra se envolveu numa polêmica. Ele foi um dos nove parlamentares que votaram a favor da PEC 37, que retirava o poder de investigação do Ministério Público. A emenda não foi aprovada na Câmara e o parlamentar alegou que votou errado. Guerra tinha se posicionado contra nas redes sociais

Ainda em 2013, o tucano articulou a entrada do PSDB na gestão do governador Eduardo Campos (PSB). O partido fazia parte da oposição e assumiu os cargos deixados pelo PTB do senador Armando Monteiro Neto.

Antes de falecer, Guerra era deputado federal e presidente estadual do PSDB. Com sua morte, assume o comando do partido o deputado federal Bruno Araújo

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »



Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.