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Ditadura militar » Perito contesta versão oficial sobre a morte de militantes da ALN

Agência Brasil

Publicação: 24/02/2014 23:43 Atualização:

A versão oficial sobre a morte de cinco militantes da Ação Libertadora Nacional (ALN) em 1972, durante a ditadura militar, foi contestada hoje (24) por um perito da Polícia Civil de Brasília, em audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo. Segundo o perito Mauro Yared, Alex de Paula Xavier Pereira, Gelson Reicher, Iuri Xavier Pereira, Ana Maria Nacinovic Corrêa e Marcos Nonato da Fonseca não morreram durante troca de tiros com as forças de segurança, tal como consta na versão oficial.

Na audiência, coordenada pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) e pela Comissão da Verdade Estadual, Yared disse que não é possível concluir que os cinco militantes da ALN foram mortos sob tortura, mas ressaltou que a análise das fotos dos corpos, dos laudos e dos documentos sobre o episódio permite concluir que não houve confronto.

No caso de Iuri Xavier Pereira, por exemplo, Yared concluiu que pelo menos sete projéteis atingiram o corpo do militante, número muito superior ao que foi definido no laudo necroscópico oficial, que registrou apenas três projéteis. Uma das feridas era típica de execução. O perito ressaltou que três das lesões, na cabeça e no tórax, impediriam que Iuri se mantivesse em pé ou reagisse. “Seria impossível que Iuri se mantivesse em pé depois de alvejado por qualquer um dos três projéteis, pois as respectivas feridas por eles produzidas impõem, necessariamente, a queda do militante, não permitindo movimentação ou reação”, afirmou o perito. Para Yared, a maior parte dos disparos atingiu Iuri quando ele já estava caído.

Já o irmão de Iuri, Alex de Paula Xavier Pereira, tinha escoriações no tórax e na face, formadas ainda “em vida”. “Esse tipo de ferida não é observado em trocas de tiros, exatamente porque não existe contato corporal entre os envolvidos em tais eventos”, destacou Yared.

“Tudo (nesses casos) foi subnotificado. O número de tiros era maior e todos foram disparados com intenção de matar”, disse o deputado Adriano Diogo (PT), presidente da Comissão Estadual da Verdade.

Segundo o ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, membro da Comissão Nacional da Verdade, a análise feita por Mauro Yared permite concluir que “há uma grande possibilidade de ter ocorrido execução”.

De acordo com a versão oficial, Ana Maria, Marcos e Iuri foram descobertos em um restaurante da Mooca, no dia 14 de junho de 1972. Ao voltarem para o carro, foram surpreendidos por uma emboscada à qual reagiram e morreram. Já Alex e Gelson teriam sido mortos em consequência de um tiroteio nas imediações da Avenida República do Líbano, em São Paulo, no dia 20 de janeiro de 1972. A versão oficial diz que os dois ultrapassaram o sinal vermelho e quase atropelaram uma pessoa. Foram, então, perseguidos por uma viatura policial e morreram durante uma troca de tiros, disseram as forças de segurança.

Os trabalhos das duas comissões prosseguem nesta terça-feira (25) com a análise da morte de mais três militantes da Aliança Libertadora Nacional: Arnaldo Cardoso Rocha, Francisco Emanuel Penteado e Francisco Seiko Okama. “Tenho a esperança de que consigamos elucidar ou reunir muitos elementos em torno dos crimes praticados contra esses jovens”, disse Dias, em entrevista à Agência Brasil.
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