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Fantasias » Anonymous supera políticos no carnaval Lojistas trocam máscaras de políticos pelas de protesto para as prévias e o carnaval de rua

Suetoni Souto Maior

Filipe Barros - Diario de Pernambuco

Publicação: 23/02/2014 14:49 Atualização:

Foto: Teresa Maia/DP/D.A Press
Foto: Teresa Maia/DP/D.A Press

Quem for brincar o carnaval nas ruas do Recife e de Olinda, neste ano, terá dificuldades para encontrar as fantasias com homenagens a políticos e juristas. E por um motivo simples, elas não são facilmente encontradas no comércio da capital. Nas prateleiras das lojas do Centro, as máscaras de Eduardo Campos (PSB), do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff, os dois últimos do PT, ganharam a concorrência da de Guy Fawkes, personagem revolucionário inglês retratado no filme V de vingança.

A máscara símbolo do Anonymous, grupo internacional radical que tem base na internet e já mobilizou manifestações em todo o mundo, deu cara aos protestos de junho do ano passado em todo o país e ganhou a simpatia dos lojistas. Não por outro motivo, mas porque vende mais, reforçam os comerciantes. O adereço pode ser adquirido nas lojas do Centro por preços que variam de R$ 3 a R$ 10 a unidade. Mas a fantasia completa, incluindo as roupas, pode chegar a R$ 240.

Apesar de não falar em números, Eva Rodrigues, proprietária de uma loja de adereços e materiais para costura e bordados, situada na Rua das Calçadas, no bairro de São José, comemora os resultados e justifica a preferência. “Vende muito, muito mesmo, desde a época dos protestos. E com o carnaval chegando, a saída aumentou”, garante a empresária. Em outro estabelecimento, no mesmo bairro, a vendedora Érika Silva confirmou a informação. “A versão masculina acabou num instante. Agora só tem a feminina”, contou.

Foto: Teresa Maia/DP/D.A Press
Foto: Teresa Maia/DP/D.A Press
Os protestos de junho do ano passado levaram mais de 1,5 milhão de pessoas às ruas das principais cidades do país, com uma pauta de reivindicações e queixas que tinham os políticos como alvos preferenciais. A repercussão dos protestos, inclusive, fez os legislativos desengavetarem “pautas éticas” e a presidente Dilma Rousseff lançou um pacto, que teve como principal resultado prático o programa Mais Médicos.

O cientista político David Fleischer, professor emérito da Universidade de Brasília (UnB), acredita que esse é um fenômeno natural. “A máscara reflete o momento atual do Brasil”, defende o estudioso, que também ressalta a tendência dos foliões ao escárnio como fator fundamental para se compreender esse panorama. “As máscaras e fantasias de carnaval são utilizadas como forma de deboche aos políticos e figuras públicas, além de sátira a acontecimentos marcantes”, atesta.

Procurado pelo Diario, o representante da Condal, uma das empresas que atuam no mercado de fantasias, Carlos Rocha, disse que os protestos embalaram as vendas e justificam a troca das fantasias de políticos pelas do Anonymous. Ele lembra que, no ano passado, por causa do mensalão, foram vendidas muitas máscaras do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. Neste ano, não houve pedidos. (*Especial para o Diario)

Saiba mais

- A origem da popularidade da máscara do Anonymous em cinco tópicos
- A máscara é inspirada no revolucionário britânico Guy Fawkes (1570-1606), que tentou explodir o parlamento inglês em 1605. Ele foi condenado a morte após isso
- A máscara V de Vingança foi criada na década de 1980 pelo desenhista e roteirista inglês David Lloid para a novela em quadrinhos de mesmo nome
- A máscara voltou a se popularizar nos anos 2000, quando se tornou símbolo do Anonymous, grupo internacional que articulou protestos em vários países do mundo
O V de Vingança é um filme lançado em 2005, dirigido por James McTeigue, que fala de uma Inglaterra dominada por um ditador e, assim como no caso de Fawkes, a trama gira em torno da explosão do parlamento inglês
O uso da máscara ganhou força nos protestos de junho do ano passado, quando os manifestantes protestaram contra os políticos

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