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Direitos Humanos » Jovens rejeitam possibilidade de Bolsonaro presidir Comissão de Direitos Humanos

Agência Brasil

Publicação: 11/02/2014 20:00 Atualização: 12/02/2014 10:28

Com cartazes e palavras de ordem onde se lia
Com cartazes e palavras de ordem onde se lia "Amor e - Bolsonaro", as integrantes da União da Juventude Socialista (UJS) trocaram beijos no corredor da presidência da Câmara. Foto: José Cruz/Agência Brasil
Cinco jovens protestaram hoje (11) contra a possibilidade de indicação do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Com cartazes e palavras de ordem onde se lia "+ amor e - Bolsonaro", as integrantes da União da Juventude Socialista (UJS) trocaram beijos no corredor da presidência da Câmara.

"Não permitiremos que Jair Bolsonaro chegue à presidência da Comissão de Direitos Humanos. Queremos convocar a sociedade brasileira a rejeitar a vontade pessoal e política dele assumir a presidência, disse a diretora de Jovens Feministas da UJS, Maria das Neves, uma das participantes do ato.

Segundo Maria, um ônibus com cerca de 50 manifestantes foi impedido de chegar à Câmara. As cinco manifestantes entregaram um documento ao líder do PT na Câmara, Vicentinho (PT-SP), pleiteando que o partido assuma a presidência da comissão.

"Não somos héteros, nem lésbicas, somos livres. Conversamos com o deputado Vicentinho , queremos chamar os partidos à responsabilidade para que a comissão não caia em mãos erradas. Bolsonaro é inimigo dos direitos humanos" disse Maria das Neves. Para ela, Bolsonaro é um "filhote da ditadura, homofóbico, racista e fascista".

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias foi alvo de inúmeras polêmicas no ano passado com a escolha do deputado Pastor Marcos Feliciano (PSC-SP) para presidi-la. Movimentos sociais e ativistas de direitos humanos protestaram contra a eleição de Feliciano, que chegou a aprovar na comissão um projeto, de autoria do deputado João Campos (PSDB-GO), que  suspendia trecho da resolução do Conselho Federal de Psicologia de 1999 que proibiu profissionais da área de colaborar com eventos e serviços que ofereçam tratamento e cura de homossexualidade, a chamada a "cura gay". Após inúmeros protestos, a proposta foi retirada da pauta de votação.

Percebendo a movimentação, Bolsonaro apareceu no Salão Verde da Câmara e reagiu. O parlamentar disse que tem a garantia do líder do PP, Eduardo da Fonte (PE), de que, se a presidência da comissão ficar com o PP, ele será o presidente. "É garantia do meu líder, vocês vão sentir saudades do Feliciano", afirmou Bolsonaro, que defende uma concepção de direitos humanos para a maioria. "Minoria tem que se calar, se curvar à maioria", declarou.

Referindo-se à possibilidade de analisar projetos de ação afirmativa envolvendo negros, Bolsonaro disse que, "se for presidente [da comissão], será daltônico". "Direitos humanos não é defender minorias", ressaltou o deputado, anunciando que vai pedir a redução da maioridade penal e a revogação do Estatuto do Desarmamento, entre outos pontos.

Perguntado sobre a situação dos presídios brasileiros, ele se manifestou contra o atendimento humanitário para os presos. "Os presídios brasileiros estão uma maravilha. Lá é o local de o cara pagar seus pecados, não tem que ir para colônia de férias. Se o cara assaltou, estuprou, sequestrou, tem que pagar pagar os seus pecados lá," disse o parlamentar.

Vicentinho disse que outras comissões, além da de Direitos Humanos, estão na mira do PT, mas destacou que o partido dará atenção especial a esta, que não costuma estar entre as mais disputadas. "Vamos fazer de tudo para que nunca mais ocorra o que aconteceu no ano passado. Há um forte tendência de que a presidência, se ficar na mão de algum outro partido [que não o PT], fique que na mão de alguém que historicamente tenha compromisso com a causa dos direitos humanos, mas a tendência é ficar com o nosso partido."

A previsão era que as lideranças partidárias tentariam fechar um acordo, na tarde desta terça-feira, sobre a presidência das 21 comissões. Como não houve acordo, a decisão ficou para a próxima semana.

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