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Três anos de prisão na Itália » Pena italiana para Pizzolato é mais branda que a brasileira Pizzolato pode ser condenado na Itália a três anos de cadeia por uso de documentos falsos. No Brasil, ele teria que cumprir quase 13 anos. Em audiência hoje, defesa vai pedir liberdade

Ana D'angelo - Correio Braziliense

Leandro Kleber

Publicação: 07/02/2014 07:47 Atualização:

Henrique Pizzolato, ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, condenado no escândalo do mensalão e foragido do Brasil desde novembro, foi preso na Itália com documentos de três países – Espanha, Brasil e Itália – entre eles, muitos falsos, informaram ontem a polícia especial italiana em Modena, os carabinieri, e um representante da Interpol. Por causa dos documentos falsos, ele corre o risco de ser condenado a até três anos de prisão na Itália. Bem menos que a pena de 12 anos e sete meses que o Supremo Tribunal Federal (STF) impôs a ele.

No momento da prisão de Pizzolato na casa do sobrinho Fernando Grando, em Maranello, os carabinieri encontraram cerca de uma dezena de documentos pessoais em seu nome e em nome de Celso, seu irmão morto em 1978 em um acidente de carro. Um dos documentos era uma carteira de motorista emitida na Espanha. Foi com o nome de Celso que o ex-diretor do BB se identificou primeiro aos policiais e só depois admitiu a verdadeira identidade.

Em uma entrevista coletiva de imprensa, o tenente-coronel Carlo Carrozo contou que cerca de 10 policiais, alguns à paisana, participaram da prisão de Pizzolato, num apartamento na cidadezinha de Maranello, sede da Ferrari, onde trabalha o sobrinho que o acobertou, Fernando Grando. “Ele estava de jeans e camiseta. Aconteceu por volta das 11h30. Tocamos a campainha, a mulher atendeu. Pedimos documento. Ele inicialmente apresentou o documento falso. Depois, quando viu que foi pego, revelou sua identidade. Não resistiu”, contou Carrozo.

Pizzolato se mantinha trancado no apartamento havia uma semana, acreditam os policiais. Durante 24 horas, a polícia observou o movimento do apartamento. Só o sobrinho saía e voltava para o apartamento, do trabalho. Todas as janelas ficavam fechadas. Mas os policiais italianos pegaram Pizzolato provocando uma pane elétrica: “Desligamos a luz para provocar, e alguém saiu do apartamento”, contou Carrozo.

O dono do supermercado que fica em frente à casa, o italiano Gaetano T.A, contradisse a polícia ao afirmar que Pizzolato era seu cliente há pelo menos três meses. “Ele vinha quase todo dia fazer compras. “Ele quase não falava. Comprava pasta, lasanha. Pagava com dinheiro vivo.” Gaetano disse que só soube que Pizzolato era brasileiro quando saiu a notícia no jornal local. Quando soube que o ex-diretor de marketing do BB era procurado no Brasil por um escândalo de corrupção, o dono do supermercado brincou: “Só roubou? Ah, então fez bem…. não roubou a Itália, não é?”.

Testamento

O ex-presidente do BB está agora numa cela com duas pessoas na penitenciária de Modena. Andrea Haas, sua mulher, que estava com ele no momento da prisão, não é suspeita de crime de Itália porque tinha seus documentos em ordem. Fernando Grando não responderá judicialmente porque a lei italiana veda a imputação de alguém que agiu para proteger um parente direto.

Em 24 de abril de 2009, Pizzolato fez um testamento público com um pedido para praticamente manter sua morte em segredo. Nele, diz para não se realizar “velório, homenagens nem missa de sétimo dia”. Pede ainda que não seja feita “nenhuma divulgação da sua morte, comunicado ou anúncio de seu falecimento”. No testamento, lavrado no 19º Ofício de Notas do Rio de Janeiro, Pizzolato deixa para a mulher a totalidade de seus bens, respeitada a parte legal que cabe ao seu pai, hoje com 85 anos. Ela ficará também com a pensão da suas aposentadorias, que somam em torno de R$ 20 mil

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