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Negociação » Partidos disputam lugar no primeiro escalão do governo Dilma Com a posse dos ministros do PT nessa segunda-feira, presidente tem pela fernte a missão de encontrar espaço para as legendas aliadas

Paulo de Tarso Lyra

Grasielle Castro

Publicação: 04/02/2014 06:58 Atualização:

Todos afinados com a estratégia do PT para manter-se mais quatro anos no poder, a presidente foto: Lucio Bernardo Junior/Camara dos Deputados (Lucio Bernardo Junior/Camara dos Deputados)
Todos afinados com a estratégia do PT para manter-se mais quatro anos no poder, a presidente foto: Lucio Bernardo Junior/Camara dos Deputados

Resolvida a questão de parte do PT, com a posse dessa segunda-feira dos novos ministros da Saúde, Arthur Chioro; da Educação, José Henrique Paim; da Casa Civil, Aloizio Mercadante; e da Comunicação Social, Thomas Traumann, todos afinados com a estratégia do PT para manter-se mais quatro anos no poder, a presidente Dilma Rousseff aproveitou o dia para negociar espaços para o PMDB na reforma ministerial e evitar, assim, problemas com o maior aliado em sua campanha pela reeleição. Dilma iniciou o dia na posse e terminou com uma reunião com o vice-presidente, Michel Temer; o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL); e o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (AM).

Os sinais trocados impacientavam os aliados. “Era para a presidente ter resolvido isso antes do Congresso voltar aos trabalhos. Demorou e, agora, ficamos aqui, esperando, para ver o que ela quer”, reclamou um integrante do PMDB da Câmara. Na noite de domingo, a cúpula do partido reuniu-se em um convescote no Palácio do Jaburu, residência oficial da Vice-Presidência. Se queixaram da opção da presidente de priorizar a reforma de acordo com os interesses petistas e deixar a base aliada em segundo plano.

Mas, ao longo do dia, surgiu uma luz para os insatisfeitos. O senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), que “comprou terno novo e cortou cabelo, mas não virou ministro”, nas palavras irônicas de um companheiro de Senado, foi informado por Temer que seria indicado para ser ministro dos Portos. Assim, a bancada do PMDB ficaria contemplada com mais uma pasta. Mas a equação segue aberta.

O PTB, por sua vez, foi informado por Mercadante de que seria chamado para uma conversa, ainda na noite de ontem, com ele e a presidente. Os petebistas não escondem que gostariam de assumir o Ministério do Turismo, hoje na cota do PMDB da Câmara. “Se nós perdermos o Turismo, entregamos a Agricultura. É melhor ficar sem nada”, rebateu em tom de pirraça o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ). O presidente em exercício do PTB, Benito Gama (BA) deve ser o indicado do partido caso a legenda assuma uma pasta na reforma ministerial.

O PTB pode entrar no governo, mas não, necessariamente, na pasta que deseja. Dilma tem de resolver o problema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), cujo ministro, Fernando Pimentel, deixa a pasta no fim do mês para ser candidato do PT ao governo de Minas Gerais. A presidente queria repetir no Mdic a mesma fórmula adotada por Luiz Inácio Lula da Silva em 2003, quando nomeou um empresário conhecido, Luiz Fernando Furlan, para o cargo.

Dilma convidou Josué Gomes, filho do ex-vice-presidente José Alencar, mas ele recusou o convite. Ela ainda pretende convidar o ex-presidente do Grupo Pão de Açúcar Abílio Diniz, na tentativa de ter um nome de peso do setor privado para passar uma imagem de confiança aos mercados. Se não der certo, Dilma poderá deslocar o atual ministro da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos (PSD), para o Mdic. Se isso acontecer, poderá abrigar o PTB na pasta hoje ocupada por Afif e reacomodar o PMDB sem mudar o equilíbrio de forças na Esplanada.

Na solenidade de posse dos ministros, Dilma deu o recado do que espera deles: “Trabalhar, trabalhar muito, trabalhar pelo Brasil e pelos brasileiros”.

Fraude

No mesmo dia em que foi nomeado ministro, Arhur Chioro tornou-se alvo da Comissão de Ética Pública da Presidência da República. O colegiado tem a função de assessorar a presidente, Dilma Rousseff, a fiscalizar o trabalho de seus ministros. Ontem, o líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), protocolou uma representação contra Chioro “por prática de fraude para garantir sua nomeação na pasta”.

O recém-empossado ministro da Saúde é dono de uma empresa de consultoria em saúde – Consaúde – que está sob investigação do Ministério Público de São Paulo. Depois de o caso ter sido revelado, o então secretário de Saúde de São Bernardo do Campo passou a empresa para o nome da mulher dele, Roseli Regis dos Reis. Em nota, o Ministério da Saúde informou que Chioro ainda não havia tido acesso à representação e ressaltou que a consultoria “entrou em inatividade”. (Colaborou Julia Chaib)

A parte que lhes cabe

O que cada partido tem e o que deseja na reforma ministerial

» PMDB
Turismo: Bancada da
Câmara quer indicar sucessor de Gastão Vieira, que deixará o cargo
Agricultura: Bancada da Câmara quer indicar sucessor de Antônio Andrade, que deixará o cargo
Portos: Quer emplacar Vital do Rêgo
Minas e Energia: Edison Lobão
Previdência: Garibaldi Alves
Secretaria de Aviação Civil (SAC): Moreira Franco

» PTB
Quer Turismo, mas pode herdar Micro e Pequena Empresa

» PP
Quer manter Cidades

» PSD
Quer manter Micro e Pequena Empresa, mas pode trocar a pasta pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). Também sonha com Ciência e Tecnologia.

» Pros
Quer Integração Nacional

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