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Reinventar » O PT no divã Necessidade de reinventar-se aponta para uma crise de identidade que exige a busca por suas origens

Suetoni Souto Maior

Publicação: 03/02/2014 07:38 Atualização:

Petistas farão ato para lançar a pré-candidatura de Dilma à reeleição no dia 10 deste mês foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A PRESS (Alexandre Guzanshe/EM/D.A PRESS)
Petistas farão ato para lançar a pré-candidatura de Dilma à reeleição no dia 10 deste mês foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A PRESS

O Partido dos Trabalhadores prepara-se para o ato de lançamento da candidatura à reeleição da presidente Dilma Rousseff, em 10 de fevereiro, data em que a sigla completa 34 anos de fundação, com uma determinação: reinventar-se enquanto partido. O desejo, expresso no 5° Congresso da sigla, em São Paulo, no fim do ano passado, e reforçado em nota oficial divulgada logo após a primeira reunião da executiva, semana passada, indica uma crise de identidade que começou depois que os petistas assumiram o poder no país.

O documento reforça a necessidade de “estreitar os vínculos com o movimento sindical e popular”, prevê a necessidade de se “apresentar um programa capaz de corresponder às aspirações, reivindicações, sonhos e expectativas de mudanças da população”. A preocupação não é nova. É uma resposta aos protestos que ganharam as ruas no ano passado e fizeram a popularidade da presidente despencar 27 pontos percentuais (de 57% de bom e ótimo para 30%, segundo o Datafolha).
As condenações de lideranças históricas do partido no processo do mensalão também mexeram com as bases petistas. O ex-presidente Lula externou, em entrevista ao jornal espanhol El País, no ano passado, que o PT “era um partido pequeno, que depois passou a ser grande e, como tal, foram aparecendo defeitos. Gente que dá muito valor ao Parlamento, outros aos cargos públicos”, disse.

A mea-culpa em relação ao histórico do partido foi reforçado no documento colocado para discussão no 5° Congresso Nacional do PT, em dezembro passado. O texto diz que “O PT deixou de ser aquele ‘intelectual coletivo’ que se espera deva ser um partido de esquerda. Afastou-se do socialismo, não por negá-lo, mas por ser incapaz de pensá-lo de forma criativa”. “Isso eu não só admito, como cobro. Sou um socialista democrático de esquerda e é preciso mudar a forma de fazer esse socialismo”, afirmou o presidente da Comissão de Ética do PT nacional, Francisco Rocha, conhecido como Rochinha.

Reunida no dia 27 de janeiro, em São Paulo, a Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores, aprovou outra nota que expressa a necessidade de o partido voltar às suas origens sindicais e sociais. Rochinha, entretanto, discorda de que o partido tenha perdido suas origens. “O que houve foi que, nos últimos dez anos, o PT teve uma profunda mudança do ponto de vista das ligações com a população e não teve condições de acompanhar de perto essa brusca mudança no perfil dos brasileiros”, destacou.

As queixas entre as entidades ligadas aos movimentos sociais, justamente as que antes reforçavam o ideário do PT, não são pequenas. As críticas partem de sem-terra, entidades indígenas e quilombolas, que, no ano passado, em momentos distintos, divulgaram notas criticando a falta de atenção do governo em relação aos pleitos deles.

O presidente da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme), Uilton Tuxá, diz sentir saudade da época do que ele chamou de PT militante. “Recebíamos da bancada petista um grande apoio nas discussões no Congresso antes de o PT chegar ao poder. Com Lula, não tínhamos dificuldade de ser ouvidos pelo presidente. Mas com Dilma não temos qualquer espaço”, enfatizou.

O cientista político Leonardo Barreto, da UnB, não acredita que vá haver grande ruptura ou refundação como mostram os discursos. “Acho que isso é uma comunicação mais para dentro do PT”, analisou, ressalvando que esses movimentos surgem, também, por causa dos protestos de junho, que teriam assustado um partido que entendia ter dado uma grande contribuição social ao país, mas percebeu as insatisfações.

Saiba mais

Confira, em três tópicos, fatores que contribuíram para o PT iniciar a discussão de mudanças

Protestos de junho
Os petistas foram pegos de surpresa com os protestos que tomaram as ruas do Brasil no ano passado. Como resposta, o governo mandou ao Congresso o projeto de reforma política e criou o Mais médicos. A sigla ainda teme que os protestos se repitam na Copa

Mensalão
As condenações de ícones como José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e João Paulo Cunha foram um duro golpe para os petistas. Tentando evitar desgastes para Dilma, ela e Lula foram orientados a não fazerem pronunciamentos enfáticos sobre o caso

Fator Eduardo
A saída de um presidenciável da base aliada do governo petista foi encarada como um duro golpe pela sigla, principalmente para o ex-presidente Lula. Apesar do estranhamento da militância, a sigla não deve colocar Eduardo Campos na linha de fogo, pois esperam apoio em um eventual segundo turno

Tags: no pt diva

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