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Fafá de Belém » Pela retomada dos protestos

Publicação: 25/01/2014 09:33 Atualização:

O ativismo político de Fafá de Belém fez da cantora um dos maiores símbolos das Diretas Já. Na véspera da campanha nacional pelo voto direto, ela cedia a casa para reuniões do PT, partido pelo qual a artista se engajou no movimento pela eleição para presidente. Fafá participou de mais de 30 comícios em todas as regiões do país. Mas o encontro na Praça da Sé, que completa 30 anos amanhã, tem um quê de especial. Foi naquele dia que a cantora soltou, pela primeira vez, uma pomba simbolizando a liberdade (foto). O ritual se repetiu por todas as demais manifestações. “Eu saía com a pombinha de São Paulo, a 10ºC, e descia em Mato Grosso, naquele calorão. Sempre levava uma para onde eu fosse”, conta, com a sonora gargalhada. Confira trechos do balanço que a cantora faz do movimento histórico e da situação atual do Brasil:

A democracia que se sonhava, naquela época, foi atingida?
Qualquer ditadura é ruim, qualquer regime totalitário, que cerceia a liberdade das pessoas, é ruim. Eu acho que a democracia é um exercício diário de opiniões divergentes, de buscar consenso. Somos criança ainda, tempos apenas 30 anos. Vejo que só o fato de podermos falar abertamente, discutir abertamente qualquer tema, é um ponto muito positivo. A imprensa, com um papel fabuloso de denunciar o que está errado. Isso não existia antes. Então, temos que viver esse exercício diário que é a democracia.

Os desmandos políticos, a corrupção, os arranjos são mazelas que apareceram com a democracia?
O jeitinho sempre existiu, desde o Brasil Colônia. Estava lendo a trilogia do Laurentino Gomes, em que você vê como pegamos isso dos colonizadores. Aquela coisa de não precisar de capacitação, se eu conheço alguém que vai me colocar em algum lugar. É algo que, pelo menos agora, pode ser dito, pode ser denunciado. O grande nó do Brasil está entre o corrupto e corruptor. Essa mistura do público com o privado. É um nó difícil de ser desatado.


As manifestações do ano passado e os rolezinhos, agora, têm semelhança com a mobilização pelo voto direto, em 1983 e 1984?
A retomada das manifestações, naquela época, marca um período em que o Brasil volta a entender a importância do poder de cidadão por meio do voto. Vejo uma volta mais ativa da juventude hoje também. Eles começam a se reunir espontaneamente reivindicando o que foi prometido, sobretudo educação, segurança e emprego. O que eu vi em junho e julho eram os filhos das Diretas, os filhos de um novo tempo perguntando objetivamente pelos seus direitos. De repente, vieram os vândalos, os encapuzados e aí confundiu todo mundo. Sobre os rolezinhos, eu não sei dizer, não estou acompanhando.

O que esperar das eleições deste ano. Você já tem candidato?
Vamos ter, se mantiverem o nível elevado, uma aula de democracia com as eleições deste ano. Temos três candidatos nascidos na esquerda, trazendo o olhar deles sobre este país. Temos Eduardo Campos, neto de Arraes. Temos Aécio, herdando todo um passado de resistência. Dilma, que se elegeu apesar de não ser muito conhecida, mas já se firmou como um nome no quadro político. Será muito interessante. Eu vou votar como cidadã, sem abrir meu voto.

 

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