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Estado grave » Quadro de Maranhão, fundador do PT, é crítico Internado há 15 dias, com infecção em vários órgãos, quadro do ex-exilado político é irreversível

Elisa Jacques

Publicação: 24/01/2014 07:56 Atualização: 24/01/2014 10:03

Maranhão durante invasão dos sem-terra ao Congresso foto: Daniel Ferreira/CB/D.A PRESS	 (Daniel Ferreira/CB/D.A PRESS	)
Maranhão durante invasão dos sem-terra ao Congresso foto: Daniel Ferreira/CB/D.A PRESS

O dia foi movimentado, ontem, no Hospital Memorial São José, no Derby, com a presença de familiares e amigos do engenheiro mecânico Bruno Maranhão, de 74 anos, internado há 15 dias na instituição. O estado dele é grave. O ex-líder do Movimento de Libertação dos Sem-terra (MLST) encontra-se sedado e respirando com a ajuda de aparelhos. De acordo com um boletim médico divulgado na tarde de ontem, Maranhão apresenta falência múltipla dos órgãos. O paciente teve uma insuficiência hepática que acabou gerando falência no fígado e gerando complicações nos rins e pulmões.

“Hoje o quadro de Bruno é irreversível. O que temos feito é dar conforto. Ele está no respirador e sedado para não sentir dor. Vamos fazendo os tratamentos de acordo com as alterações que aparecerem. Acreditamos que não há mais volta nesse momento. É questão de dias para ele falecer”, afirmou a neurologista Silvania Sobreiro. Os médicos também reforçam que a família está a todo momento com o paciente. Ontem, ele estava acompanhado da esposa, a antropóloga Suzana Maranhão e de dois filhos.

Segundo os médicos, a saúde de Bruno apresenta uma situação delicada desde junho de 2011. Ele foi submetido a duas cirurgias para conter a lesão de uma isquemia e de uma trombose cerebral. Chegou a ficar em coma induzido e apresentar sequelas.

Amigo pessoal do ex-presidente Lula e com um intenso histórico de militância, Maranhão foi líder estudantil e exilado político durante o regime militar. Ele também já integrou a executiva nacional do PT. Em 2006, chamou a atenção por causa da invasão do Congresso com um grupo de sem-terra, chegando a ficar preso por 39 dias na Penitenciária da Papuda, em Brasília. Apesar da militância no MLST, Maranhão é herdeiro de uma bem-sucedida família de usineiros.

“Nesse caso da invasão ao Congresso Nacional, fui testemunha de defesa dele. Sempre tivemos uma relação muito boa do ponto de vista pessoal e político. Estávamos politicamente mais distanciados. Ele vinha com uma oposição dentro do partido e eu com outra, mas nossa relação sempre foi a melhor possível. Bruno é uma pessoa muito importante na minha trajetória política. Durante muito tempo, fui aliado incondicional dele”, disse o senador Humberto Costa.

Segundo Costa, Bruno Maranhão sempre foi muito dedicado à luta. “É uma pessoa extremamente doce, educada e nunca levou para o campo pessoal as disputas políticas dentro do partido. Lembro que passamos por muitos momentos marcantes, como a eleição de 1982 e outros em que estivemos juntos no processo de formação do PT. Fui coordenador da campanha dele para prefeitura do Recife em 1985. Sempre tivemos uma relação muito próxima”.

Ainda no histórico político, Maranhão participou das candidaturas ao cargo de prefeito do Recife e de governador de Pernambuco. Dirigiu e fundou o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Na época da ditadura militar, 12 integrantes da sigla foram encontrados mortos e quatro desapareceram. A atual corrente interna do PT, conhecida como Brasil Socialista, teve origem no PCBR.

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