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Encontro » "Nós estamos em outra", diz a presidente estadual do PT, Teresa Leitão

Aline Moura - Diario de Pernambuco

Publicação: 18/01/2014 20:44 Atualização: 18/01/2014 22:35

Entre os destaques da reunião deste sábado, a sigla decidiu que vai aceitar a proposta de ser líder ou vice-líder da oposição na Assembleia Legislativa, num acordo que será feito com o PTB. Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A Press
Entre os destaques da reunião deste sábado, a sigla decidiu que vai aceitar a proposta de ser líder ou vice-líder da oposição na Assembleia Legislativa, num acordo que será feito com o PTB. Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A Press
A pauta e a reunião realizada neste sábado pelo PT estadual foram longas. No encontro que começou às 10h30 e terminou quase às 18h, com intervalo apenas para almoço, o partido decidiu pontos concretos sobre a postura que pretende adotar este ano, algo que considera prioritário para a reeleição da presidente Dilma. Entre os destaques, a sigla decidiu que vai aceitar a proposta de ser líder ou vice-líder da oposição na Assembleia Legislativa, num acordo que será feito com o PTB, e cobrar, dos diretórios municipais que ainda compõem as gestões do PSB, como o do Recife e do Paulista, que se reúnam e definam a entrega dos cargos. “Nós estamos em outra”, afirmou Teresa, também cobrando atenção do diretório nacional da legenda.

O encontro conduzido pela deputada estadual foi realizado num formato diferente este ano, depois de tantas crises internas. Tanto o senador Humberto Costa como o ex-prefeito João da Costa tiveram espaço, como palestrantes, para falar longamente sobre a conjuntura eleitoral. Os dois chegaram à reunião acompanhados de seus principais aliados e, depois de muito debate, indicaram integrantes da nova executiva estadual, que hoje tem as forças mais equilibradas entre os grupos.

O deputado federal João Paulo também esteve presente e defendeu a construção de um consenso para que o discurso de Pernambuco se afine ao do diretório nacional. Ele lembrou que, em 2012, os petistas do estado ficaram isolados por conta da falta de sintonia. “A comunicação com a nacional tem que ser perfeita, como diz krishnamurti”, afirmou João Paulo, citando um filósofo e escritor indiano. 

Apesar do bom-humor de João Paulo, o clima ficou tenso em alguns momentos. O presidente municipal do PT do Recife, Oscar Barreto, chegou a se retirar da reunião para conversar em particular com aliados, entre eles Gilson Guimarães, também é do diretório nacional. Mas, ao final, tanto a sua tendência como a de João da Costa saíram com força na composição da nova executiva. João da Costa, por exemplo, é agora o novo secretário geral da sigla no estado, um dos cargos mais importantes do partido.

 

Veja principais trechos da entrevista com a deputada Teresa Leitão

Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A Press
Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A Press
Houve dificuldade para formar a comissão executiva?
Nós temos, na executiva, o acento de sete das nove chapas e conseguimos um desfecho muito positivo no dia de hoje. Começamos o dia num debate de conjuntura, tiramos vários frutos desse debate e uma proposta para o encaminhamento da tática eleitoral. A comissão formada recebeu todas essas diretrizes, aprovamos um calendário de atividade para o ano de 2014, incluindo um seminário de planejamento para a gestão, a comemoração do aniversário do PT, reunião com os prefeitos, a bancada, os diretórios municipais…  
O esforço foi recompensado com uma proposta de acordo da executiva da comissão estadual. A comissão será formada. A primeira reunião da executiva já é a reunião com Rui Falcão, presidente nacional do PT, no próximo 23 de janeiro.

Nessa avaliação de conjuntura feita por Humberto e João da Costa, os argumentos coincidiram?
Houve muitas coincidências. Na verdade, estamos comemorando a evidência dos consensos na reunião de hoje. Um deles é que a centralidade da nossa tática eleitoral pela reeleição de Dilma. Essa tática assume uma dimensão de estratégia na medida que a gente passa a dialogar com a sociedade sobre o que foi o nosso governo, o que é o governo do PT, quais as relações que se estabelecem entre a economia, por exemplo, e focado no debate, porque ele está sendo bastante utilizado pelos nossos opositores.
Foi um consenso também que a discussão da tática e de apoio a um candidato tem que ser bastante tranquila, sintonizada com a nacional, porém com a participação ativa e efetiva da nossa leitura. Nós não podemos nos acomodar que a nacional vai resolver o problema de Pernambuco. Nós temos que quebrar nossas cabeças, montar nosso cenário e dialogar com a nacional. Num dos itens da resolução, indicamos que queremos qualificar a relação com a nacional.

Já existe um indicativo de apoio a Armando do diretório nacional? Não existe um indicativo formal, pode existir uma leitura dentro do mapa geral do Brasil, porque a nacional está com o mapa do Brasil todo, ela considera as negociações, mas ela não indicou para a gente que considerasse isso uma prioridade. Indicou que considerasse como prioridade a reeleição de Dilma e a vitória de Dilma no estado. Então, que elementos vão compor isso foi um dos temas que debatemos pela manhã. Esse foi um ponto muito comum entre os dois debatedores, a gente não pode ter nenhum preconceito em relação à tática. Porque erramos em 2012, vamos errar agora? Que a gente não pode apoiar armando, porque armando é isso e aquilo… Que a gente não pode ter candidatura própria porque está fraco, não! A gente vai considerar todos os cenários e considerar todos os cenários nessa perspectivas.

A decisão do candidato de Eduardo Campos vai pesar na escolha de vocês?
Não vai pesar porque a gente já sabe um pouco do arco de Eduardo, mas a escolha do candidato dele pode mexer com o arco das forças políticas aqui do estado. Mas nós não vamos ter uma agenda paralela a dele.

Nesse entendimento final, a batida do martelo será quando?
Houve uma proposta de que fechássemos isso em fevereiro, mas a proposta não foi aceita. O que ficou foi uma ponderação que a comissão definisse isso o mais breve possível, mas sem esse calendário obrigatório. Essa vinda de Rui Falcão vai ajudar nisso. O ponto de relação com a nacional é muito claro, a requalificação da relação com a nacional para efeito da tática eleitoral está pautada na troca de experiências e informações entre o que a gente sabe e a nacional sabe, bem como análises compartilhadas de cenários… E isso depende deles também, porque nós estamos em outra. Quando eles olhavam para cá, o que é que eles viam? Um PT dividido. A gente quer mostrar a eles que nós estamos tentando superar isso para sermos valorizados, se não vai ser outro drama e outros traumas. (risos). Vale ressaltar que alinhar à nacional não quer dizer se submeter, mas a gente também não é uma ilha. A gente não tem autonomia total porque o nosso projeto não é desfocado da conjuntura nacional. Nós temos um projeto de nação e de sociedade e não dá para ter, como houve na eleição municipal, a leitura da situação por apenas uma ótica. A nacional precisa de uma leitura mais completa da realidade. A troca de informações que a gente está querendo começar com Rui agora é de forma organizada, formalizada, mais unida.

Vocês não sabem da nacional, por exemplo, porque Armando seria a melhor escolha para Pernambuco?
Exatamente, eles precisam nos dizer. Tudo eu acho que tem que ser na base do argumento e do convencimento. A força do argumento tem que tomar o lugar da força da maioria. A força do argumento… ninguém é doido de querer prejudicar um projeto que é nosso e que está dando certo.

Sobre a posição do PT na Assembleia Legislativa, o que foi decidido?
Demos um encaminhamento de apoiar a resolução da reunião que haverá entre as duas bancadas. Nós vamos ter uma reunião das duas bancadas e vamos assumir liderança ou vice liderança da oposição. Não tomamos a decisão porque ela não pode ser só nossa. É uma decisão que será tomada pelo PTB. Se o PTB tiver pleito para ser líder, nós seremos vice-líder.

E quanto aos cargos que o PT ainda possui no governo do estado e na prefeitura do Recife? Vocês vão entregar?
Essa questão veio à tona e nós encaminhamos. Não precisamos tomar uma nova decisão sobre isso porque já existe uma posição (a de entregar os cargos). A posição não foi contestada pelo diretório municipal, em que pese algumas turbulências. A executiva vai se reunir vai tratar do encaminhamento, o que deve ser feito, quem entregou, onde estão esses cargos, o que a gente vai ter que fazer para essa decisão ser cumprida (…) A definição de entrar no governo do Recife e de Paulista foi dos respectivos diretórios. A gente acha que a saída também deve ser discutida nesses diretórios e não imposta pelo diretório estadual. Isso se estende a vários diretórios. Se o PCdoB for apoiar Eduardo, em Olinda, por exemplo, a gente vai ficar?

O prefeito Geraldo Julio é o principal nome de Eduardo aqui e vocês ainda participam do governo?
Eu não estou defendendo que o PT saia ou continue. Estou dizendo que o diretório faça essa discussão. Do mesmo jeito que fez para entrar, ele faça para sair.

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