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Reeleição de Dilma Rousseff » PT pressiona deputado a deixar o mandato para não atrapalhar campanha

Adriana Caitano - Correio Braziliense

Paulo de Tarso Lyra

Publicação: 08/01/2014 09:14 Atualização:

João Paulo Cunha aguarda a decretação da prisão pelo Supremo para começar a cumprir pena na Papuda. Foto: Monique Renne/CB/D.A. Press
João Paulo Cunha aguarda a decretação da prisão pelo Supremo para começar a cumprir pena na Papuda. Foto: Monique Renne/CB/D.A. Press
Embora mantenha a disposição de não renunciar ao mandato parlamentar, o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) enfrentará a pressão dos colegas, especialmente do próprio PT, que defendem um processo rápido e indolor para não prejudicar o partido e a presidente Dilma Rousseff durante a campanha eleitoral. A expectativa é de que João Paulo siga o mesmo caminho de outros réus condenados no mensalão, como José Genoino (PT-SP), que renunciaram ao mandato para evitar um desgaste maior.

“É muito difícil a situação do João Paulo, mas ele vai acabar renunciando. A cúpula do PT pressionará para que isso aconteça”, afirmou um petista com bom trânsito nos quadros partidários. Um ex-dirigente da legenda também lembrou que seria um desgaste muito grande para João Paulo, um dos parlamentares mais queridos na Casa, ter que se defender perante os demais deputados, especialmente após o episódio Natan Donadon (sem partido-RO), que, mesmo preso, acabou absolvido pelos colegas. Para piorar ainda mais a situação, ele terá de enfrentar o processo já com o voto aberto, o que geraria constrangimento para ele e seus pares.

Oficialmente, o partido não pretende se pronunciar sobre o assunto, como uma forma de não aumentar a pressão sobre o ex-presidente da Câmara. “O momento pelo qual João Paulo vem passando é extremamente delicado. Com certeza, não serei eu que pedirei a ele para renunciar ao mandato, já que esse tipo de decisão é uma questão de foro íntimo e individual”, afirmou ao Correio o presidente estadual do PT de São Paulo, Emídio de Souza.

Emídio conhece bem João Paulo. Antigos aliados, ambos se distanciaram por posições divergentes em relação à política de Osasco. O presidente do PT-SP foi um dos que se posicionaram contrários à decisão de João Paulo de candidatar-se à prefeitura da cidade paulista, em 2012, opinião compartilhada por outras lideranças petistas, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

João Paulo achava que a campanha seria uma maneira dele se manter na mídia e se defender das acusações de envolvimento no mensalão. Mas acabou condenado durante o processo eleitoral e teve que abrir mão da candidatura. Emídio venceu a queda de braço com João Paulo ao bater o pé e apoiar a indicação de Jorge Lapas para ser o candidato do partido à prefeitura. Lapas foi secretário de Obras e de Governo de Emídio e acabou eleito em primeiro turno, com mais de 60% das intenções de voto.

Um dos deputados mais próximos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Devanir Ribeiro (PT-SP), afirmou que, oficialmente, o partido não chegou a discutir o assunto, mas garante que a legenda respeitará qualquer decisão a ser tomada por João Paulo. Ele, porém, deixou subentendido que o ex-presidente da Câmara terá de se decidir, já que esse não é um assunto (defender João Paulo) que esteja na agenda partidária. “O PT fez o que tinha que fazer. Agora temos que trabalhar para reeleger a presidente Dilma e eleger os nossos governadores”, declarou Devanir.

O novo secretário de organização do PT, Florisvaldo Souza, lembrou que, de toda forma, essa decisão acabará ficando para o mês que vem, quando a Câmara definirá pela abertura do processo de cassação de João Paulo. Florisvaldo defende um diálogo da bancada com o próprio João Paulo para encontrar o melhor caminho a ser tomado. “O processo, como um todo, é claro que causa prejuízo para o partido. Mas tem a posição política do João Paulo, principalmente pela representação que exerceu, sempre foi pessoa que deu tudo de si e chega a uma situação como essa”, lamentou o secretário de organização.

Mesa Diretora
Apesar de não ter recebido qualquer documento oficial do Supremo Tribunal Federal (STF) comunicando a condenação, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), já marcou uma reunião da Mesa Diretora para a abertura do processo de cassação de João Paulo. O encontro será em 4 de fevereiro, primeiro dia de atividade da Casa após o recesso. O colegiado tem dois integrantes petistas — André Vargas (PR), o vice-presidente, e Carlos Biffi (MS), quarto-secretário —, que atuaram até o último minuto antes da renúncia para evitar que o processo contra Genoino fosse aberto.

Alves, no entanto, garante que o protocolo será seguido de acordo com o entendimento da Secretaria-Geral: com condenação transitada em julgado, o plenário deve ser consultado sobre a cassação. “Cumprirei o regimento como presidente da Casa. A Mesa (deve) encaminhar à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e depois ao plenário. E respeitar a decisão que couber ao deputado João Paulo”, afirmou o presidente.

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