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Brasília » Petistas fazem vaquinha para pagar multa de R$ 468 mil imposta a Genoino

Paulo de Tarso Lyra

Publicação: 08/01/2014 08:33 Atualização: 08/01/2014 09:50

Miruna, filha de Genoino, a esposa dele, Rioco Kayano, e o filho, Ronan, nas proximidades da Papuda no período em que o ex-deputado esteve no presídio. Foto: Valter Campanato/ABR
Miruna, filha de Genoino, a esposa dele, Rioco Kayano, e o filho, Ronan, nas proximidades da Papuda no período em que o ex-deputado esteve no presídio. Foto: Valter Campanato/ABR

O presidente estadual do PT de São Paulo, Emídio de Souza, vai se reunir a partir desta quarta-feira com os advogados do ex-deputado José Genoino e com militantes do partido para saber como viabilizar a arrecadação de recursos para quitar a multa de R$ 468 mil que o ex-deputado terá de pagar por ter sido condenado no julgamento do mensalão. “Essa vaquinha não será feita pelo PT, porque acredito que até seja ilegal um partido político se movimentar nesse sentido. Mas acredito que teremos muitos companheiros dispostos a contribuir”, assegurou Emídio.

O dirigente petista quer saber dos defensores de Genoino o prazo para arrecadar os recursos. A decisão da Justiça é de que a multa relativa às penas pecuniárias seja paga em um prazo de 10 dias a contar da data da intimação do réu. Procurado pela reportagem para saber se a intimação já havia sido entregue, o advogado de Genoino, Luiz Fernando Pacheco, não foi localizado. Emídio garante que será um dos diversos militantes que se mobilizarão para ajudar o ex-deputado.

Tão logo o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou os petistas envolvidos no escândalo do mensalão, no fim de 2012, o então secretário de Organização do PT, Paulo Frateschi, levantou a hipótese de uma vaquinha para auxiliar o pagamento das multas de Genoino, do ex-chefe da Casa Civil José Dirceu e do ex-tesoureiro petista Delúbio Soares. Juntos, os três devem quase R$ 1,5 milhão. Por enquanto, foi determinada apenas a cobrança da multa devida por Genoino.


A ideia não chegou a sair do papel. Mas, desde aquela época, a maior preocupação sempre foi com a situação de Genoino. Dos três, ele é considerado aquele com a situação financeira mais delicada – além dos sérios problemas de coração que o levaram a uma cirurgia e que permitem, até o momento, que ele cumpra a pena em prisão domiciliar, em Brasília.

Emídio lembra que esta não será a primeira vez que a militância petista se mobilizará para auxiliar um companheiro com dificuldades para pagar multas com a Justiça. O movimento foi feito, inclusive, para ajudar um ex-membro do partido. Há dois anos, uma movimentação suprapartidária acabou montada para auxiliar a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) a quitar uma dívida de R$ 325 mil por causa de uma condenação no tempo em que era prefeita de São Paulo (entre 1998 e 1992). Na época, foi aberta uma conta para doações e o grupo organizou uma série de jantares e eventos para arrecadar os recursos necessários para pagar a punição de Erundina.

Desabafo

Ex-secretário-geral do PT, o deputado Paulo Teixeira (SP) é um dos que defendem a mobilização da militância. “Genoino não tem condições de arcar sozinho com essa pena imposta pela Justiça. Ele não tem sequer bens que possam ser penhorados. É mais do que justo que a militância do partido se mobilize para ajudá-lo”, argumentou.

Na segunda-feira, quando a Vara de Execuções Penais definiu que cinco réus condenados no mensalão terão um prazo de 10 dias para quitar as multas, a filha de Genoino, Miruna Genoino, recorreu a redes sociais para expressar a preocupação com as condições financeiras da família. “Tenho certeza de que todos aqui sabem perfeitamente que eu e minha família não temos como pagar R$ 468 mil. A duras, duríssimas penas, estou pagando parcelado um apartamento que vale muito menos do que isso”, afirmou Miruna. “Meus pais moram onde moram, como muitos de vocês também sabem. O carro que meu pai tinha, um Logan de 2008, foi vendido para ajustar nossas finanças depois da prisão. O que vão fazer conosco? Vão tomar a nossa casa?”.

Além de Genoino, a VEP determinou na segunda-feira que Marcos Valério, Cristiano Paz, Ramon Rollerbach e Valdemar Costa Neto paguem em 10 dias as multas que lhes foram impostas. Ao todo, são cerca de R$ 10 milhões, sendo o maior valor – R$ 3 milhões – devido por Valério, o operador do mensalão.

 

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