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Mensalão » Marcos Valério tem carta na manga para conseguir transferência No pedido feito à Justiça, defesa alega que é oneroso para a família viajar a Brasília para ver o empresário

Publicação: 26/12/2013 07:25 Atualização:

Marcos Valério quer deixar a Papuda e cumprir pena em Contagem (MG) foto: Marcelo SantAnna/Estado de Minas (Marcelo SantAnna/Estado de Minas)
Marcos Valério quer deixar a Papuda e cumprir pena em Contagem (MG) foto: Marcelo SantAnna/Estado de Minas

Preso há 40 dias na Papuda, o empresário Marcos Valério, operador do mensalão, condenado a uma pena de 40 anos, 4 meses e 6 dias de prisão, tenta transferência para a Complexo Penitenciário Nelson Hungria, de segurança máxima, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O advogado de Valério, Marcelo Leonardo, protocolou na segunda-feira, no Supremo Tribunal Federal (STF), pedido de transferência do seu cliente.

De acordo com ele, a medida atende a um pedido da família porque a mãe do empresário é idosa e teria dificuldades de locomoção para visitá-lo, além do alto custo das passagens aéreas para Brasília. Segundo Marcelo Leonardo, Marcos Valério não tem feito queixas sobre as condições da Papuda. O advogado afirmou que, depois de consulta ao sistema prisional mineiro, recebeu a informação de que haveria vaga disponível no Nelson Hungria.

Desde que se separou da ex-mulher, Renilda Maria Santiago de Souza, o empresário se mudou para a Fazenda Santa Clara, em Caetanópolis, distante 100 km de Belo Horizonte, na tentativa de cumprir pena no presídio Promotor José Costa, em Sete Lagoas, que, em tese, é mais tranquilo que a Nelson Hungria. Na legislação em vigor, o preso pode pedir à Justiça o cumprimento da pena perto de casa e da família.

Mas dificilmente Valério conseguirá no futuro uma transferência para Sete Lagoas. É que o presídio local serve apenas para detentos provisórios. O empresário acabou condenado pelo Supremo por formação de quadrilha, corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Além de preso, ele também terá de pagar R$ 2,78 milhões em multas. A decisão sobre a transferência para Minas será do presidente do STF, Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão. Não há prazo para resposta ao pedido da defesa.

Transferências

Ao todo, o STF já autorizou a transferência de sete presos condenados por envolvimento com o mensalão para cumprir pena perto da família. Entre eles está o ex-deputado do PTB Romeu Queiroz. Apesar de terem sido liberados para cumprir as penas do mensalão em seus estados, os ex-deputados Pedro Henry (PP-MT) e Pedro Corrêa (PP-PE) tiveram que passar o Natal ainda em Brasília. A expectativa é que sejam deslocados até o fim da semana para Mato Grosso e Pernambuco.

Segundo informações do Ministério da Justiça, os dois não viajaram ainda porque não havia vagas nos voos. Eles devem ser levados algemados, em avião de carreira e monitorados por dois agentes penitenciários. Henry foi condenado a 7 anos e 2 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. Corrêa foi condenado pelos mesmos crimes e cumprirá o mesmo tempo de pena.

Também condenados no esquema do mensalão, os ex-deputados Roberto Jefferson (PTB) e José Genoino (PT-SP) ainda aguardam uma definição do presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, para saber onde vão cumprir as penas, já que pediram prisão domiciliar.

Números

R$ 2,78 milhões

Valor das multas que Marcos Valério terá que pagar à Justiça pelas condenações por formação de quadrilha, corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro e evasão de divisas

Saiba mais

Fora de Brasília

Confira quem são os condenados do mensalão que obtiveram autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para serem transferidos para o estado onde residem as respectivas famílias:

Regime semiaberto

Pedro Corrêa

Ex-deputado pelo PP-PE

Cumpre pena de 7 anos e 2 meses
Foi autorizado na semana passada a ser transferido da Papuda para um presídio a ser definido em Pernambuco. Deve ser levado até o fim desta semana para Recife. Recebeu convite para trabalhar como médico do Programa Saúde da Família em Santa Cruz do Capibaribe (PE), com salário de R$ 5 mil

Pedro Henry

Ex-deputado federal pelo PP-MT
Cumpre pena de 7 anos e 2 meses
Foi autorizado na semana passada a ser transferido da Papuda para um presídio em Mato Grosso. Deve ser levado para Cuiabá o até o fim desta semana. Pediu autorização para trabalhar como médico em Cuiabá, com salário de R$ 7,5 mil

Romeu Queiroz

Ex-deputado federal do PTB-MG
Cumpre pena de 6 anos e 6 meses
Foi transferido da Papuda para a Penitenciária José Maria de Alkmin, em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte. Pediu autorização para trabalhar em sua própria empresa, em Minas Gerais

Rogério Tolentino

Ex-advogado e ex-sócio de Marcos Valério
Cumpre pena de 6 anos e 2 meses
Foi autorizado pelo STF a ficar detido, desde a data da prisão, na Penitenciária José Maria de Alkmin, em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte

Regime fechado

Kátia Rabello

Ex-presidente do Banco Rural
Cumpre pena inicial de 14 anos e 5 meses
Foi transferida no começo do mês do presídio da Colmeia, no Gama, para o Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, em Belo Horizonte

Simone Vasconcelos

Ex-diretora financeira da agência SMP&B
Cumpre pena inicial de 10 anos e 10 meses
Foi transferida no começo de mês do presídio da Colmeia, no Gama, para o Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, em Belo Horizonte

José Roberto Salgado

Ex-dirigente do Banco Rural
Cumpre pena de 16 anos e 8 meses
Foi transferido da Papuda para a Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG)

Vinícius Samarane

Ex-dirigente do Banco Rural
Cumpre pena de 8 anos, 9 meses e 10 dias
Foi transferido da Papuda para a Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG)

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