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Brasília » Detentos da Papuda reclamam de privilégios dados aos condenados do mensalão Detentos que deixaram o presídio para passar o Natal com a família dizem que os condenados da Ação Penal 470 são "bem tratadinhos" e recebem visitas na área administrativa

Publicação: 25/12/2013 08:48 Atualização: 25/12/2013 09:58

Primeira leva de presos deixa o Complexo Penitenciário da Papuda. Pelas regras da Justiça, eles precisam retornar até as 10h de amanhã. Foto: Carlos Vieira/ CB/ DA Press
Primeira leva de presos deixa o Complexo Penitenciário da Papuda. Pelas regras da Justiça, eles precisam retornar até as 10h de amanhã. Foto: Carlos Vieira/ CB/ DA Press

Os presos beneficiados pelo “saidão” de Natal, que cumprem pena no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, reclamaram que, diferentemente dos demais detentos, os condenados do mensalão recebem visitas na área administrativa da cadeia e “são bem tratadinhos”. O primeiro ônibus com os beneficiados saiu às 9h22 de ontem do presídio com destino à Rodoviária do Plano Piloto. O clima era de euforia no veículo lotado. Uma das primeiras palavras gritadas por um dos detentos foi “feliz Natal” e “o mensalão tá aí”.

Almir Mendes, de 60 anos, condenado por tráfico de drogas, informou que ele e outros presos precisaram ser removidos das celas. “Tiraram a gente de umas celas para colocar os presos do mensalão. Não encontro o grupo com frequência, mas já vi todos a distância. A visita deles é na administração. Eles estão sendo bem tratadinhos. Os outros são numa área externa”, afirmou. Ele defendeu que todos os detentos precisam de cuidado. “A pessoa presa tem que ser bem tratada mesmo. A prisão já é uma punição. Estou muito feliz por poder passar o Natal com minha família. Tenho certeza de que vou partir para outra. O crime não compensa”, disse enquanto esperava o ônibus para visitar a família em Samambaia.

 Os principais condenados pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no processo do mensalão estão presos na Papuda desde 16 de novembro. Como eles não cumpriram o mínimo de um sexto da pena, não têm direito ao benefício de passar o Natal com a família. “A gente se cruza lá dentro. Ficamos na ala do lado da deles. Mas eu vou falar uma coisa para você: não gosto dos camaradas. Eles são os verdadeiros serial killers do país”, afirmou José Mourão Farias, de 63, um dos contemplados pela liberação da penitenciária.

Ele preferiu não comentar sobre os crimes que teria cometido. Disse apenas que cumpre pena de três anos e três meses. “Agora só falta um ano”, comemorou, ao ver o filho que o aguardava de carro do lado de fora do complexo. Segundo o detento, a maioria dos presos de sua ala trabalha durante o dia e, por isso, eles têm pouco contato com os condenados do mensalão.

Nada de ceia Algumas pessoas que estiveram na porta da Papuda para receber os parentes se decepcionaram ao ver que eles não estavam na primeira leva de presos. Mães choraram achando que os filhos não viriam mais. Porém, outros ônibus saíram da penitenciária. No total, segundo a Secretaria de Segurança Pública, 1.328 presos foram beneficiados no saidão, incluindo 200 mulheres, que deixaram a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, no Gama, conhecida como Colmeia. “Estou muito feliz com a saída do meu irmão. É o primeiro saidão dele em quatro anos de prisão. Vamos passar o Natal com a família”, contou uma irmã que preferiu não se identificar.

O primeiro ônibus com 40 presos, todos de branco, chegou à Rodoviária do Plano Piloto às 9h50. Assim que o veículo parou, os detentos comemoraram. Muitos gritaram ao descer do coletivo. O ônibus chegou escoltado por duas patrulhas da Polícia Civil. Um grupo de policiais militares acompanhou a dispersão a distância.

O detento Jorge Muniz, de 33, disse que observa com frequência condenados do mensalão que estão no semiaberto. “Eu vejo sempre eles de longe. Não tenho muito contato. Não sei se eles estão tendo privilégios”, afirmou. Jorge cumpre pena por assalto e vai passar o Natal com a família em Samambaia. “O clima lá dentro está normal como sempre”. A Secretaria de Segurança Pública informou que os presos não terão direito à ceia de Natal. O cardápio é o de sempre: arroz, feijão, salada, carne e um suco. 

 

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Autor: Edvaldo Oliveira
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