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Corrupção passiva » Vereadores de Caruaru vão da pauta legislativa para a penitenciária Justiça manda prender dez vereadores de Caruaru acusados de receber propina para votar projetos

Tércio Amaral

Publicação: 19/12/2013 07:07 Atualização: 19/12/2013 11:13

Suspeitos permanecerão presos enquanto a Polícia Civil conclui as investigações. Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press (Annaclarice Almeida/DP/D.A Press)
Suspeitos permanecerão presos enquanto a Polícia Civil conclui as investigações. Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press

Muitas acusações, poucas respostas e dez dos 23 vereadores da Câmara Municipal de Caruaru presos. Este foi o saldo do dia, ontem, na cidade do Agreste pernambucano, palco da Operação Ponto Final, desencadeada pela Polícia Civil por ordem da Justiça. O grupo vinha sendo investigado há seis meses. Os legisladores são acusados dos crimes de concussão (cobrança de vantagem em troca de voto), corrupção passiva e organização criminosa. Todos foram encaminhados para a Penitenciária Juiz Plácido de Souza, no próprio município. Dos vereadores presos, quatro pertencem à situação, inclusive com cargos na Mesa Diretora, e seis fazem parte da oposição ao prefeito José Queiroz (PDT).

A investigação corre em segredo de justiça. Foram presos e afastados os vereadores Cecílio Pedro (PTB), Sivaldo Oliveira (PP), Val das Rendeiras (Pros) e Jadiel Nascimento (Pros), estes ligados ao grupo governista. Já pela oposição, integram a lista Val (DEM), Louro do Juá, Eduardo Cantarelli, ambos do Solidariedade, Neto (PMN), Evandro Silva (PMDB) e Jajá (PPS). Além de pedir o afastamento e prisão dos parlamentares, o juiz Francisco de Assis Moraes Júnior, da 4ª Vara Criminal, expediu quatro mandados de condução coercitiva e 13 de busca e apreensão domiciliar. A Justiça também determinou a posse imediata dos suplentes.

As prisões foram coordenadas pela Gerência de Controle Operacional do Interior da Polícia Civil no Agreste. Participam dos trabalhos 120 policiais civis, entre delegados, agentes e escrivães. Segundo o delegado Erick Lessa, que preside o inquérito, foram apreendidas oito armas de fogo, R$ 40 mil em dinheiro e mais de R$ 100 mil em cheques. “O que podemos dizer é que existe um esquema de vereadores que solicitam e exigem valores para aprovar determinados projetos na Câmara”, contou.

Um vereador que prestou depoimento conversou com a reportagem do Diario. Apesar do dia agitado, o 1º secretário Gilberto de Dora (PSB) tentou manter a rotina e foi à sede do legislativo pela manhã. Muitos gabinetes estavam vazios. “Esse processo está em sigilo até agora. Eu fui convocado como testemunha. As perguntas foram direcionadas aos projetos de lei que tramitavam na Câmara autorizando o Executivo a fazer concessões para empresas de ônibus de transporte público e um empréstimo ao BNDES para instalar o BRT (Transporte Rápido por Ônibus)”, disse.

O empréstimo que o vereador se refere foi referendado durante a sessão da última terça-feira. A pauta foi aprovada com 17 votos a favor, 5 contra e uma abstenção. O valor foi de R$ 250 milhões e será contraído junto ao BNDES. Desse total, R$ 150 milhões serão destinados para o ramal Leste/Oeste do BRT, ligando o bairro das Rendeiras até o Alto do Moura, e R$ 100 milhões para pavimentação de ruas e avenidas. Os vereadores Ranilson Enfermeiro (PSC) e Edjailson da Caruforró (PTdoB) também prestaram depoimento.

Saiba mais

Os dez presos

Quem são os vereadores presos ontem em Caruaru e a qual corrente política estão ligados

Ligados ao prefeito José Queiroz (PDT)

Cecílio Pedro da Silva (PTB)
É tratado apenas como Cecílio. O vereador está no terceiro mandato. Chegou a perder uma eleição e, no ano passado, voltou a ocupar um espaço na Câmara. O parlamentar tem sua base de apoio no “eleitorado urbano”, principalmente no bairro do Salgado, o mais populoso.

José Givaldo Francisco de Oliveira (PP)
Dono de uma rádio na cidade, seu eleitorado é “urbano” e ligado ao mundo do futebol. Também conhecido como Sivaldo, o vereador chegou a ser presidente do Central, um dos clubes mais tradicionais do interior de Pernambuco. É o 3º secretário da Casa.

Erival Soares (Pros)
É um dos vereadores mais populares da Câmara. Ocupa a 2º Secretaria. É mais conhecido pelo seu apelido “Val das Rendeiras”, em alusão à sua base eleitoral, cujo bairro possui o mesmo nome. Está no primeiro mandato.

Jadiel José dos Santos (Pros)
Sua prisão foi vista como uma “surpresa”. É pastor evangélico e uma de suas bandeiras é a ética e a família. Recentemente, deixou o PRTB para ingressar no recém-criado Pros. Está no primeiro mandato.

Ligados ao grupo político do deputado Tony Gel e de Miriam Lacerda (ambos do PMDB)

Joseval Bezerra de Lima (DEM)
Conhecido como Val, ele integra o grupo da oposição e é um dos políticos com mais de um mandato na Câmara. Depois de uma decisão do TCE, no final de 2011, teve que ressarci os cofres públicos pelo mau uso da verba indenizatória e horas extras.

Lorinaldo Florêncio de Moraes (Solidariedade)
Mais conhecido como Louro do Juá. Na Câmara, integra o grupo da oposição e é tido como um dos políticos mais habilidosos da Casa.

Everaldo Ramos da Silva (PMN)
Exercendo seu primeiro mandato, Neto, como é conhecido, tem base de atuação na Zona Rural de Caruaru, principalmente no Alto do Moura e no distrito de Taquara.

Anibal Eduardo Cantarelli (Solidariedade)
Herdou o capital político do seu irmão, Diogo Cantarelli, que optou por disputar o cargo de vice na chapa derrotada de Miriam Lacerda, na eleição de 2012, em vez de tentar a reeleição para a Câmara. Dizem que está no Legislativo apenas pelo desejo do irmão.

José Evandro Francisco Silva (PMDB)
Conhecido como Evandro Silva, o vereador é um crítico feroz da gestão do prefeito José Queiroz (PDT). Neste ano, chegou a defender a bandeira da educação, afirmando, no ato de um protesto, que a cidade ia parar.

Jailson Soares de Oliveira Batista (PPS)
Também conhecido como Jajá, foi um dos poucos que fizeram declarações à imprensa, onde denunciou que um secretário municipal oferecia propina aos vereadores. Está no primeiro mandato e já foi preso neste ano sob acusação de compra de carro roubado.

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