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Entrevista exclusiva » Jogo do PP para 2014 está zerado Líder do PP na Câmara Federal, Eduardo da Fonte revela que partido está aberto a alianças para a eleição

Júlia Schiaffarino

Publicação: 14/12/2013 16:00 Atualização: 13/12/2013 23:25

 (Ricardo Fernandes/DP/D.A Press)


Na mesa do escritório político no Recife, chama atenção a quantidade de lâmpadas que enfeitam o lugar. Tem escultura, chaveiro que pisca, luminária… Referências ao trabalho de um dos parlamentares mais atuantes no setor da energia elétrica do país, o deputado federal Eduardo da Fonte (PP), que em 2010 ficou conhecido como “o deputado da conta de luz”.

“É um setor mais forte que o do petróleo. O lobby das distribuidoras é muito forte”, confessou. Ainda assim, comprar essa briga parece ter sido vantajoso para o parlamentar. Atualmente é dono da segunda maior votação da bancada pernambucana na Câmara Federal, são mais de 330 mil votos. Três vezes mais do que o obtido na primeira eleição dele, em 2006.

Líder da bancada PP/Pros, ele tem intensificado os contado com a presidente Dilma Rousseff recentemente. Foram mais de dez encontros em menos de dois meses. Nessas conversas, além de questões relacionadas ao Congresso, eles tratam sobre a política partidária. Eduardo da Fonte é o presidente do PP em Pernambuco, único aliado do PT na corrida para a Prefeitura do Recife no ano passado. Uma aliança cuja repetição na próxima disputa ao governo ainda é incerta. “Para 2014 o jogo está zerado”, diz


Fiz muito mais gestos para o PT no estado do que o PT já fez comigo”

Como tem sido o trabalho no setor da energia elétrica?
Este é um setor mais forte do que o do petróleo. O lobby das distribuidoras ainda é muito forte no Congresso. Na campanha de 2006, eu escutei reclamações em relação à Celpe. Busquei dar uma resposta e isso se transformou em uma briga nacional. Colocamos na ordem do dia do país as tarifas de energia elétrica e a relação das distribuidoras com os consumidores. Conseguimos sensibilizar a presidente da República, que tomou as medidas. Tivemos reduções no valor da conta. Até porque a energia elétrica não influencia apenas no orçamento familiar, mas também no desenvolvimento do país.

 (Ricardo Fernandes/DP/D.A Press)
O senhor tem estado muito próximo à presidente Dilma, mas como está a relação do PP com o PT?

Nacionalmente, muito boa. Recentemente, participei de uma reunião com a presidente Dilma e com o ex-presidente Lula, quando discutimos a geografia política do partido nos estados, inclusive Pernambuco, onde primeiro o PT tem que fazer o dever de casa, se alinhar internamente para depois buscar alianças. Deu o primeiro passo com a reunião do diretório estadual, mas precisamos ver se isso vai se consolidar ou foi apenas cena política.

O PP apoiou o PT para a Prefeitura do Recife em 2012. Isso vai ser levado em conta na próxima eleição?
Para 2014 o jogo está zerado. O que eu vejo é que eu fiz muito mais gestos para o PT no estado do que o PT já fez comigo. O que a gente vai realizar em 2014 é pensando em Pernambuco. Não vamos dar apoio a um candidato simplesmente porque ele tem o apoio de alguém. Vamos apoiar uma candidatura que venha a nos mostrar que é a melhor opção para o estado e isso com cautela.

Tem dialogado muito com outros partidos?
Ainda não abrimos esse processo. Estamos aguardando para ver quais serão os candidatos.

Como vê o PTB e a possibilidade de o senador Armando Monteiro concorrer ao governo?
O senador Armando é um grande quadro da política pernambucana.

O PP pode se alinhar com o PTB?
O PP é o partido mais independente da política pernambucana. Nessa trajetória, desde que assumi a presidência, em 2008, tenho tomado posições definidas e posições que vão até o fim. Quando disse que apoiaria o deputado Cadoca para prefeito do Recife (em 2008) eu fui até o fim. Quando disse que iria apoiar o PT no ano passado, fui até o fim. Então nós temos total independência para tomar a posição que venhamos a entender ser a melhor para o estado.

Hoje o PP está na base do governo na Assembleia e comanda uma secretaria (Esportes). Há possibilidade de se tornar um partido independente nesse aspecto?
Tenho deixado os deputados bem à vontade para tomarem os posicionamentos que acharem mais importantes para o estado. Não tenho interferido na decisão deles até porque é importante que eles tenham independência para exercer o mandato, mas, se isso for necessário, acredito que eles estarão à disposição para defenderem os caminhos que o partido decidir.

 (Ricardo Fernandes/DP/D.A Press)
Como está o partido nos outros estados?

Há uma boa parte do partido que defende a candidatura da presidente Dilma e os que não querem o palanque da presidente Dilma. Vamos iniciar o processo de consulta e de conversa para que possamos tomar o posicionamento mais adiante. Acredito que vamos fechar decisão apenas em abril.

Que estados ou regiões são mais delicados?
Os estados onde o PP tem candidato a governador. Rio Grande do Sul (senadora Ana Amélia), Alagoas (senador Benedito Lira), Tocantins (o presidente da Federação das Indústrias, Roberto Pires), Mato Grosso (Iraí Maggi), Amazonas (deputada Rebeca Garcia) e Minas Gerais (o vice-governador Alberto Pinto). Aí temos divergências. Rio Grande do Sul, tem divergências de Ana Amélia, porque o atual governador é do PT. Minas também: a aliança é com PSDB. São dois colégios importantes. Essas divergências vamos tentar solucionar para a decisão que vamos tomar.

O PP  comanda um ministério. No caso da reeleição de Dilma, o partido pretende lutar para se manter na pasta?
Esperamos participar do governo em posições importantes partindo do ponto que é o tamanho do PP hoje e a representatividade que ele tem no Congresso, dando sustentação ao governo. O tamanho da colaboração que nós vamos dar no próximo governo é proporcional ao tamanho que nós vamos dar à reeleição da presidente.

Como têm sido as votações da bancada (PP/Pros)? O  senhor faz parte do conselho político da presidente. Como está o  da presidente com o Congresso?
A bancada tem votado na maioria com o governo. Eu estou na liderança da bancada há dois meses e, nesse tempo, já estive reunido com a presidente dez vezes. Ela tem dialogado bastante com o Congresso e tem dado oportunidade para que o Congresso participe do governo dela. O que ela tem demonstrado é a preocupação com a economia, com a balança comercial do país, onde a gente conseguiu com isso fechar um pacto com os partidos da base para que o Congresso dê a sua colaboração com a governabilidade do país. Para que o Congresso não deixe passar matérias que aumentem despesas sem que indiquem a origem desses recursos.  

Senado ou Câmara em 2014?
Claro que se tiver oportunidade de disputar uma vaga ao Senado eu estou aberto para isso, mas entendo a importância do nosso trabalho na Câmara. Então, estou tranquilo. Isso vai depender muito da composição de palanques para governador.

O senhor foi o segundo mais bem votado na eleição de 2010. Como se prepara para a próxima?
Se Deus quiser, quero aumentar a votação. A expectativa é essa. Mesmo porque temos trabalhado em sintonia com os anseios da população. Eu tenho uma agenda permanente, semanal no estado para ver de perto as necessidades da população, dialogar com o povo e trazer resultados.

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