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HIstória » Entregues documentos que inocentam Zarattini e Edinaldo Miranda no caso da bomba no aeroporto

Júlia Schiaffarino

Publicação: 10/12/2013 15:01 Atualização: 10/12/2013 21:37

Maria Ivone recebe atestado do óbito de Odijas de Souza. Foto: Júlio Jacobina/DP/D.A Press
Maria Ivone recebe atestado do óbito de Odijas de Souza. Foto: Júlio Jacobina/DP/D.A Press
Após quatro décadas de acusações, o ex-deputado federal Ricardo Zaratinni pode segurar o documento que o exime de culpa no atentado à bomba ocorrido no aeroporto dos Guararapes, em 1966. Esse papel tão esperado foi entregue, nesta terça-feira, pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). Também foi oficialmente inocentado o professor Edinaldo Miranda, morto em 1997. Miranda chegou a ser preso por participação no mesmo episódio. Na ocasião, outro caso da história foi reescrito ao ser entregue a familiares do líder estudantil Odijas Carvalho, torturado e morto pelos militares em 1971, uma nova certidão de óbito na qual constava: “homicídio por lesões corporais múltiplas decorrentes de atos de tortura”.

“Nós decidimos rever todos os casos que haviam sido dados como solucionados”, disse o presidente da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara, Fernando Coelho. De acordo com ele, apesar desse passo ser importante, o caso da bomba no aeroporto ainda não está encerrado. “O ideal era a responsabilidade. É um caso muito controvertido”, declarou, lembrando que ele ocorreu pouco antes da edição do Ato Institucional número 5, o AI-5, que deu poderes supremos ao Executivo. Versões não descartam a possibilidade de ter sido um golpe da direita, que estava no poder.

 Emocionada, a filha de Ednaldo Miranda, Emília Miranda, relembrou uma das vezes que a versão de que pai dela seria inocente foi divulgada. “Lembro que saiu uma matéria com essa nova versão em 1995. Meu pai ligou muito feliz para todos os amigos e, para alguns, mandou uma foto dele com a seguinte frase: ‘é impressionante a força que as coisas têm quando elas precisam acontecer’”.

O atentado ocorreu em 25 de julho de 1966, quando uma bomba explodiu no saguão do aeroporto, matando Edson Régis de Carvalho (jornalista) e Nelson Gomes Fernandes (almirante). Outras 14 pessoas ficaram feridas. A versão oficial é de que o alvo seria general Arthur da Costa e Silva, então ministro do Exército e candidato à sucessão de Castello Branco. Na época, Zaratinni e Miranda foram relacionados entre os culpados, apesar de documentos secretos da Aeronáutica apresentarem como único suspeito Raimundo Gonçalves de Figueiredo, ex-revolucionário.

No caso de Odijas Carvalho, foi a viúva, Maria Ivone Loureiro que recebeu o documento. Também emocionada, ela agradeceu o empenho da Comissão da Verdade. “Sei como é difícil mexer nessas coisas. Quando Odijas morreu, passei anos sem falar sobre o assunto. Ele tinha apenas 25 anos e teve a vida ceifada de forma violenta”, lamentou.
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